quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tangente

Quando entrou por aquela porta, sabia que seria o fim dos tempos. No olho do furacão amanhecia em estrelas, entrelinhas de um caso proposital de fato imune ao mesmo instante/sentimento. Seu coração batia e apenas batia, aflita não conseguiu digerir as respostas, não sabia responder as propostas.

O amanhã chegara, terremotos atingiam o mundo e sua mente ainda não tinha por onde correr, as paredes de seu interior se rachavam, o chão tremia. Teimosa, mal sabia que eram suas pernas que tremulavam insípidas. Um gosto amargo na boca.

Aquele sentido insosso, frio na barriga, estômago travado.

Dissera adeus, com flores na mão e espinhos nos olhos. Não tinha mais por onde mais causar dor, talvez sofrer seria mesmo a saída, cicatrizes e hemorragias quebravam o limite de tempo que alguém pudesse suportar. 

O céu se fechava, via-se uma explosão cósmica ao lado dos prédios que a cercavam, enclausurando seu momento fúnebre.

O sol abrira um buraco negro e se desfez em chuva. A mesma molhava seu rosto pálido, seu cabelo multicolorido. Sentada na beira da calçada, molhando os pés na enxurrada sentiu um leve toque em seu ombro. Olhou cuidadosamente para trás se perguntando, quem mais poderia estar ali senão as gotas de água que desabavam do céu assim como seu adeus, que desabou juntamente aos olhares daquelas pessoas que apenas observavam sua partida.