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Mostrando postagens de agosto, 2011

Tangente

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Quando entrou por aquela porta, sabia que seria o fim dos tempos. No olho do furacão amanhecia em estrelas, entrelinhas de um caso proposital de fato imune ao mesmo instante/sentimento. Seu coração batia e apenas batia, aflita não conseguiu digerir as respostas, não sabia responder as propostas. O amanhã chegara, terremotos atingiam o mundo e sua mente ainda não tinha por onde correr, as paredes de seu interior se rachavam, o chão tremia. Teimosa, mal sabia que eram suas pernas que tremulavam insípidas. Um gosto amargo na boca. Aquele sentido insosso, frio na barriga, estômago travado. Dissera adeus, com flores na mão e espinhos nos olhos. Não tinha mais por onde mais causar dor, talvez sofrer seria mesmo a saída, cicatrizes e hemorragias quebravam o limite de tempo que alguém pudesse suportar.  O céu se fechava, via-se uma explosão cósmica ao lado dos prédios que a cercavam, enclausurando seu momento fúnebre. O sol abrira um buraco negro e se desfez em chuva. A mesma molhava ...

Causa mortis

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7:30 AM - Acordo pensativo, o que este mundo me oferece? 7:31 AM - Ainda na cama, estou atrasado para o trabalho mas permaneço aqui sem perspectivas. 7:35 AM - Estou sentado escrevendo alguma coisa, talvez um testamento mas, não acho que tenha muita coisa neste apartamento pequeno além de um quarto/sala, cozinha, banheiro e varanda. 8:00 AM - Resolvi não ir trabalhar hoje e nem dar satisfação do caso, minha ex-mulher ligou, dizendo que eu deveria buscar o Felipe na escola, sim eu tenho um filho, ele tem 15 anos e manda muito bem nas matérias, principalmente nas exatas. 8:20 AM - Já me perguntei antes o que este mundo me oferece? 8:25 AM - Vou dar uma caminhada no parque, talvez encontre alguma resposta em meio as musicas do MP3 ou então nas imagens que se formam quando os pássaros voam em bando ou até mesmo nas arvores que se estrebucham com o vento. 8:40 AM - Recebo uma ligação no caminho entre a porta do AP e o carro que fica no estacionamento subterrâneo, creio que estava entr...

Papo de Elevador - nº 2

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Lembram-se do Silva? Pois é, desta vez nosso herói estava só, no elevador ele e o ascensorista (que era figura fácil  e inerte dentro daquele meio de locomoção vertical, inerte no sentido de... é... não morto, mas, há entenderam... comum... essas coisas). Silva estava havia 2 horas dentro daquele elevador limpando o teto, enquanto o ascensorista pra cima e pra baixo, os colaboradores apertavam o botão para que o elevador “aterrissasse” no andar requerido. E a cada vez que parava, as portas abriam davam de cara com uma placa de MANUTENÇÃO/PISO MOLHADO/SILVA TRABALHANDO (esta ultima foi o próprio Silva que confeccionou. Já levou pito da gerencia por isso, mas quem se importa?). Silva dizia ao ascensorista que não permitisse a entrada de ninguém, o outro apenas balançava a cabeça sinalizando positivamente, mas quem se importava com o Silva ele era apenas o faz-tudo da empresa (geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da s...

Menininha

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Era com lagrimas nos olhos que se desfazia de sua boneca, pequena garotinha não podia mais carregá-la para o mundo, a voz ingrata de seu pai dizendo cresça, a voz angelical de sua mãe que dizia como uma soprano, por favor, é só uma criança. No auge da idade pela qual não se podia mais andar descalça, não se podia mais colocar aquele vestidinho que não lhe servia, não podia mais dormir entre o papai e a mamãe. O abandono era real, sacos de lixo, jornais velhos e caixas de papelão. O cenário visto por aquela criança ia além de um quarto aconchegante com uma cama imensa, brinquedos arrumados em ordem de preferência, ursinhos de pelúcia ordenados pelo tamanho ao qual iam dos menores (na frente) pros maiores (atrás, obviamente). Tomavam a cama toda, sem contar os edredons, mantas e lençóis. Medo definia perfeitamente seu sentimento, jamais fora rejeitada a uma boa noite de sono, tudo bem que os “xixis” durante a noite foram se intensificando e o papai já estava cansado de acordar molhado...

Interior

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Sentiu na pele um arrepio, algo estava em sua frente, mas não podia ver. Arriscou uma piscadela para limpar os olhos, esfregou suas mãos nas pálpebras esperando recuperar a visão passada. Não seria possível viver naquele instante que aterrorizava e destruía sua mente. Não seria possível dividir aquelas vidas. Ele observou o outro lado da janela e o que viu foram pássaros no telhado do vizinho saltitando e sobrevoando os arredores, enquanto escrevia algumas coisas, riscava outras e rabiscava no canto do caderno. Não fazia sentido estar ali naquele momento. Sentiu novamente aquele arrepio, se viu do avesso, seu coração batia de forma inconstante, seu olhar não mais observava a janela. A cena fechava como seus olhos. Seu corpo foi se acostumando àquela sensação, porém ao mesmo tempo foi sentindo uma fraqueza. Uma força que tomava conta de tudo. Um zunido surgiu nos ouvidos. Num enlace, não sabia se vivia ou se estava morto. Surgiam figuras em sua frente, um delírio. A febre aumentava gr...

Yin / Yang

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Vitima de um delírio, a vertigem que se tornava real parecia com a imagem que sonhara, o verde do mato que crescia por entre as frestas de concreto nas calçadas, gritando nunca vou desistir, apenas serviam de molde para uma vida de luta por algo inatingível, parafraseava um poeta famoso enquanto aguardava a chegada do furacão. Asas negras... Via-se ao longe em comunhão com um céu que não se sabia se a fumaça dos motores se juntava ao ser alado que rompia o firmamento ao mesmo tempo em que todos admiravam a beleza do astro rei, coberto pela poluição que cheirava a enxofre. Aquela mente estranha, vaga, escura como o céu de brigadeiro que se via lá no horizonte. Não se obtinha mais beleza nas aves que buscavam nas pedras o alimento, não havia mais prazer em olhar pela janela do barraco lá de cima do morro, quantas vezes estivemos cara a cara com a pior metade e então desfazemos de todo o mal arriscando a vida num tom de bondade e moralismo. Poeira subia aos céus, no momento em que se ...

Buteco

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As moças no balcão aos berros pedindo mais uma gelada. Pediam não, ordenavam. O garçom mais que depressa abria com alegria uma, duas, três garrafas, as meninas estavam em pé de guerra quanto ao desempenho de seus times no campeonato nacional. Quando de repente uma delas sinalizou para fora do bar, ninguém queria saber o que era de inicio mas foi por curiosidade que uma delas olhou (não só olhou, como olhou de novo). Entrava no bar o Robertinho, menino novo aparentava ter uns 23 anos, bem apessoado, com trajes mínimos, debruçando no bar com cara de medo (medo daquela mulherada que o secava de cabo a rabo, diga-se de passagem, assim como comentou a senhora da mesa 15, - Que rabo). Robertinho olhou com desprezo, desapego. Entrou meio sem saber o que fazer naquela situação embaraçosa, foi até o balcão onde continuava sendo o centro das atenções pediu um Refrigerante de limão (não citarei a marca) pagou e saiu. No caminho encontrou sua irmã na mesa 30 que o olhava com cara de espanto e ao ...

Papo de Elevador

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O ascensorista perguntava o andar. Aquela musiquinha característica tocava na caixinha já antiga. Ninguém respondeu e assim ele teclou o ultimo, quando subiram todos ao terraço. Abriam-se as portas e o que viam era uma festa com bebidas, dançarinas e o Silva (o faz-tudo da empresa, geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da sexta, a mortadela da terça e passa o cafezinho todo santo dia. Há, ele também ganha pouco). O gerente de Recursos Humanos dizia: - Isso pode ser um fator influente no psicológico, é um caso a se estudar, mas depois da festa (saindo do elevador e abraçando uma das dançarinas). O supervisor de logística dizia: - Isso é uma questão de transporte. Todos os 10 dentro do elevador: - Transporte? O Supervisor de logística: - Sim, alguém me transporte para essa MU-VU-CA (Caindo na gandaia)! O ascensorista virando o cap para trás já iria largando seu banquinho, não fosse a dona Clementina, responsável pelo m...

Tão Distante - Parte 6 - O Passado

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“Podia-se ouvir os gemidos de Yvel, sofrendo por perder seus sentidos, visão e audição. Agora ele era guiado por uma estranha força, simplesmente vagava pelo escuro, uma alma que se tornava sombria com o passar do tempo.” Eu estava cego e surdo, não havia meios de voltar atrás, Ashkaril completamente ferido e sem expectativas. Apenas caminhava ao meu lado, era estranho, mas ainda assim eu tinha plena certeza de que estava no caminho certo, agora, mais do que nunca. Precisava chegar logo, mas naquele estado em que estava, iria desapontá-los. Foi quando resolvi. - Ashkaril é seu nome não é? - Sim Yvel. Meu nome. - Há alguma chance de me recuperar? - Claro que há. Não é a primeira vez que estamos nesta situação. Toda guerra é assim. - Como assim toda guerra? - Os Cybers, possuem um dispositivo em suas feras, que debilitam temporariamente qualquer uma que esteja perto demais, no momento em que explodem. - Mas eu sou um ser humano, estou cego e surdo. - Sim, mas você não é bem um ser hu...

Confessionário - Apresentando VoM

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Temo que tenha pouco tempo para explicar a diferença das coisas/classes/tipos. Tentarei ser o mais rápido possível antes que tudo vá ao fundo. Escutei a pouco que tudo o que você me dá é lindo de morrer, ao som dos Mutantes e a Jovem Guarda que se exploda (sei que vou perder muitos leitores ao redigir isto, se é que tem alguém aqui que entra para ler por simples prazer da leitura, realmente escrevo bem? Complexo existencial agora não, por favor). Ontem me deparei com o VoM (sigla de Vampire of Moon, um dos heterônimos que utilizei faz tempo e mais tempo), ele surge como alguém que não posso combater, ele surge. Esta alergia me mata aos poucos (alergia a pó, mas o mundo é feito disso, tenho alergia de mundo então?) Novamente ao som dos Mutantes, época da Rita, do Arnaldo e Cia ltda... VoM. Às vezes tenho discussões sérias com ele, sérias mesmo, só não saímos na porrada porque não sou idiota e nem louco (temo que isso seja mentira, mas... Tantôfaz) Estive falando sobre algumas pessoa...

Divã...

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Arrisca-se a tentar o outro lado da moeda? Alguma vez tentou descobrir o outro lado? Você pretende voar, sem enfrentar uma realidade que te cerca de forma obscura. Está tudo claro a sua volta de forma confortável. Mas, já tentou ir além do limite predisposto? Você vive uma vida regrada, não pisa fora da linha, não transgride certas regras, você simplesmente aceita sua condição e acorda de manhã, lava seu rosto e olha pro espelho esperando sorrir. Sua alma está em prantos, seus medos estão aflorados, você transporta tudo aquilo para seu dia, que passa carregado, que passa arrastado, um dia que não se acaba. Você espera que tudo se resolva com o tempo, este tempo que você quer viver, ao mesmo tempo em que tudo se resolve. Já tentou olhar para todos aqueles problemas e simplesmente abandoná-los, olhar para as pessoas e dizer fodam-se vocês e suas vidas dependentes. Já imaginou se aquele rosto pacífico de menino fosse substituído por um rosto serio adulto. E aquela plaquinha de recla...

Documentário

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Ligou o chuveiro e foi buscar sua toalha, no momento em que a água esquentava, gerando aquele vapor característico. A porta estava entreaberta fazendo com que parte daquele ar meio úmido meio opaco se desfizesse no ar de fora, outra atmosfera, um universo paralelo que se formava naquele Box dois por um e meio. Ela tinha uma vida boa, um trabalho digno, não tinha vícios nem doenças, muito menos deficiências. Era uma pessoa humilde, de bom caráter. Vivia sua vida em busca de algo melhor e nunca lhe faltou coragem, nunca houveram desentendimentos e/ou brigas. Seus cabelos longos tinham tons de cinza em meio ao loiro quase branco, ela era bem vaidosa, mas regrada. Não tinha futilidades tinha sempre um livro na bolsa, pois sabia que seu maior companheiro nas horas vagas seria o conhecimento. Entrou em baixo, esperando conforto. A água estava no ponto certo, quente como era de costume, espuma escorria por seus cabelos, molhava sua face de anjo (sim, ela era linda), relaxava com aquele ba...

Tão Distante - Parte 5 - O Passado

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Duvidava ainda do que via, seria apenas um sonho ruim. Tudo aquilo não passava de um sonho ruim, cedo ou tarde eu acordaria em minha cama, ao lado de Lena. Iria até o quarto de Aliek, vigiar seu sono, verificar se está tudo bem com nossa casa. Sairia para caçar e cuidar para que nada de mau acontecesse para nós. Não estou negando a realidade, não é isso, mas chega de fantasia por hoje, por hoje e por toda esta noite. Esta aberração, apesar de me salvar também é fruto de minha imaginação, de um sonho ruim. - Vamos Yvel, reaja, preciso de sua ajuda. (dizia Ashkaril esperando que Yvel tomasse partido de algo) Eu estava amolecido, meu corpo tremia. Não sei porque, minhas mãos não respondiam aos meus comandos, nenhuma parte do meu corpo respondia, eu ouvi a aberração gritar meu nome foi só o que ouvi. Pude ver a fera metálica investindo em nós. Ashkaril desviava somente, talvez não pudesse atacá-la, não sei ao certo. Tudo estava confuso. Foi quando despenquei daquela altura, fomos at...

Tão Distante - Parte 4 - O Passado

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Despertar de mais um dia, pude ver que o sol apontava lá no horizonte, desígnio de renascimento. Duelo entre o bem e o mal, a noite se saia muito bem pois, mais uma vez não dormi, caminhava como um louco, minhas vestes estavam se rasgando a cada dia, o frio não rasgava minha pele, eu estava acostumado. Aliás, eu estava pouco me importando com o clima, apontava uma casinha ao longe, distante demais para minha visão identificar, porém, não havia mais ninguém morando ali, naquele fim de mundo.  Foi quando Ashkaril resolveu iniciar uma tese junto as minhas idéias, impossível não escutá-lo. Mesmo de boca fechada ele se comunicava comigo, era estranho, eu pensava em suas palavras e respondia, ele olhava pra mim, sabendo minha resposta e retrucando. - Yvel, isto se chama telepatia, é um artifício utilizado por nós, a comunicação é instantânea e de baixo custo. (Ashkaril não abria a boca enquanto sua voz ecoava na cabeça de Yvel) - Agora a aberração resolveu falar sem mexer a boca, eu es...

Repetimento inexato - Eva

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As sombras ao pé dos edifícios, causando um momento único durante a manhã daquele dia, entre os reflexos, as sombras, Eva se despedia de seu filho e sentia algo diferente naquela manhã. Alex sairia mais cedo que não era normal e ela sabia o porquê, sabia e não iria impedi-lo. Lutar por um país livre seria como se ela voltasse no tempo em que seu marido foi morto por militares, Raul, lutava igual seu filho, era bonito de ver a paixão com que ele discursava diante de seus companheiros. Porém mais tarde viria a ser um dos procurados pelas altas patentes do sistema. Encontrado, torturado e morto. Alex seria seu pai, mais jovem, com idéias mais modernas, porém com o mesmo espírito. Não seria a favor do sistema que aprisionava a população, censurava e retalhava a imprensa. Nada podia ser feito sem passar por rigorosos controles e censurados caso não fossem aceitos. Brigar com o sistema seria algo irreal, seria como mover uma montanha com a força dos braços. Eva se maravilhava cada dia m...