Autorretrato
Pés descalços... ...não sentiam o chão. Via pelas poças que o mesmo existia e que apenas aquilo faria crer que não levitava. Por pouco menos as gotas de chuva que se misturavam ao céu marrom acinzentado respingavam em seu rosto tanto quanto a neblina que ofuscava a visão a dez metros à frente. Parecia um sonho ruim ter apenas o vento frio por companheiro. Um cachorro latia ao longe para o longe, para o nada. Ao lado, portão aberto, convidativo para qualquer ato ilícito, enquanto deixava uns três quarteirões para trás, um carro parando embaixo de uma árvore, o cão ainda latia onde por entre eles havia ainda uma grade. Subindo a avenida chegando ao seu ponto final, uma farmácia com um atendente solitário, tétrico, a garoa ainda cairia lá fora o que tornava o clima mais ameno. A lua que naquela ocasião havia deixado o ser em descaso, as estrelas assumiam um papel tão apagado quanto a própria aura. Os gatos eram sim, felizes. Um estava apenas acomodado no meio fio entre as c...