Gabriel
Gabriel trancou-se no banheiro, escolheu ficar ali enquanto o dia passou. Sua mãe escondida na cozinha entre os afazeres e seu pai desmanchando toda a casa, sobraria o banheiro. Com medo do que seria feito em seu quarto, Gabriel mantinha seus bichos preferidos junto de si enquanto o mundo lá fora acabava de chover. Ligou o chuveiro e tampou o ralo com uma esponja, aquela que nunca usara apesar de seu pai sempre dizer para esfregar bem os pés, aliás, ele esfregava os pés no tapete plástico antiderrapante que havia no chuveiro, esfregava tanto que machucava às vezes seu dedo mindinho, mas, a bucha ficava ali, intacta. Uma piscina surgia no Box, parecia mais um aquário, Gabriel trancou-se então naquele cubículo de vidro cheio d’agua, seus bichos molhavam-se, os de pelúcia afundavam pelo fato de pesarem mais com a água que tomava seus corpos e os de borracha flutuavam, engraçado e pontual era que seus bichos de borracha eram apenas para o banho, alguns sujos de terra lá do quintal, ou...