Nociva
Contam uma história por aí de certa garotinha que perambulava pelos becos mais escuros das ruas mais escuras da cidade mais escura (complexo? Não né?). Ela tinha um brilho nos olhos que pareciam saltar de suas pálpebras. Enquanto ela caminhava, todos os acostumados à escuridão tinham uma luz para se guiar, sim, todos eles eram dotados de uma cegueira. Passavam o tempo todo tateando pela cidade e por todo o caminho, a qualquer momento aconteciam acidentes, tanto no trânsito quanto nas calçadas. O risco de infecções e complicações era muito alto, já que não havia limpeza das vias públicas e dia sim dia não alguém não voltava para casa. O tempo consumia e o odor de morte geralmente era confundido com o próprio cheiro pútrido da rua, da cidade e de todo o entorno. Os vizinhos dali não tinham coragem de adentrar ao caos. Diziam apenas que havia vermes do tamanho de caminhões (aquilo é claro que era mentira). Nos hospitais, por incrível que pareça, era o único lugar que tinha luz, um médico...