Crônica - Página 2B - Domingo
Era azul o mar por onde as caravelas deslizavam como a patinadora desliza no gelo. Com certa leveza e ao mesmo tempo técnica para realizar seus saltos e manobras que só são possíveis com muitas horas de treino. Assim como a madeira das caravelas que passaram por muito tempo crescendo como árvores, maturando como tábuas e envergando no martelo e marreta na confecção do casco. O mar por sua vez, desde o inicio era azul, naquele momento em uma analogia próxima, nem mesmo o gelo onde a patinadora desliza seria tão puro quanto os mares nunca dantes navegados. As gaivotas davam o sinal, a brisa com cheiro de terra molhada traria ao grumete a sensação mais nobre e aterrorizante de sua vida. Ele sabia que era um caminho sem volta, já que parte da tripulação sempre ficava em terra firme sofrendo as mazelas que todo descobridor sofria. O capitão ordenava a descida do barco com quatro homens, para reconhecimento de terreno enquanto o restante se preparava para uma invasão em caso de nativos...