Menininha
Era com lagrimas nos olhos que se desfazia de sua boneca, pequena garotinha não podia mais carregá-la para o mundo, a voz ingrata de seu pai dizendo cresça, a voz angelical de sua mãe que dizia como uma soprano, por favor, é só uma criança. No auge da idade pela qual não se podia mais andar descalça, não se podia mais colocar aquele vestidinho que não lhe servia, não podia mais dormir entre o papai e a mamãe. O abandono era real, sacos de lixo, jornais velhos e caixas de papelão. O cenário visto por aquela criança ia além de um quarto aconchegante com uma cama imensa, brinquedos arrumados em ordem de preferência, ursinhos de pelúcia ordenados pelo tamanho ao qual iam dos menores (na frente) pros maiores (atrás, obviamente). Tomavam a cama toda, sem contar os edredons, mantas e lençóis. Medo definia perfeitamente seu sentimento, jamais fora rejeitada a uma boa noite de sono, tudo bem que os “xixis” durante a noite foram se intensificando e o papai já estava cansado de acordar molhado...