Oedipvs
Olhava por dentro do gargalo da garrafa, observava o fundo meio ressabiado, por hora ele via um castelo, hora um fundo do mar, hora via apenas o fundo da garrafa. Cético, o filósofo estava com os dias em falta. Faltava tempo para olhar pela janela, observar as estrelas em sua luneta. Restavam horas para que o sono chegasse. Deitado com a cabeça no travesseiro imaginava o mundo de ponta cabeça e quebrava qualquer tese que diriam seus maiorais, não se importava com ideias e nem ideais. Trancava-se em sua nave espacial e corria atrás dos que simplesmente “exatavam” o tempo como aquele que sempre corre e nunca tem parada. Desta vez ele sabia que o tempo parou, tinha certeza disso, sentiu-se como um pêndulo que partia da direita para a esquerda e simplesmente não voltou da esquerda para a direita. Contemplou mais uma vez aquele momento e nomeou-o de exímio. “Exímius” para dar um ar de latim. Deitado ali, naquele momento que o tempo estava parado, pensou qu...