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Ela sentava-se na areia admirando o sol. As ondas ainda se quebravam nas pedras tornando um cenário digno de um amanhecer. O mar parecia calmo com as marolas que mal chegavam à praia, enquanto um avião riscava o céu azul com algumas nuvens se desmanchando com os ventos matinais. Era uma cena bonita, como aqueles cabelos negros que repousavam por suas costas bem definidas. Um olhar para o lado a fez perder um momento do sol que subia sem trégua, o vento levou aqueles cabelos a favor de seu rosto, balançou a cabeça a fim de retirar os fios que atrapalhavam seus olhos e o objeto que desviara sua atenção. Ela observava os carros passando pelas ruas que faziam fronteira com a praia, a divisão entre o urbano e o irreal, aquela praia não fazia parte da cidade assim como a cidade não fazia parte da praia, assim como ela não pertencia a nenhum mundo. Dificilmente saberia explicar qual o mundo que ela pertencia, talvez não fosse cidadã da vida mundana, talvez fosse a ultima sobrevi...