sexta-feira, 15 de abril de 2022

O trago

 Ao mesmo tempo

A brasa sustenta

Regida pelo vento

Naquele que se ausenta

 

O cais de américa se finda

A fragata se adentra

Um oceano se centra

Num destino que em sua vinda

 

Trás-os-Montes da Lusitânia

Agrava os perigos dos mouros

Em harmonia

Aos tolos

 

Pobres dos que carregam

Um destino incerto

D’onde se entregam

No exceto

  

Inocentes morrem

O cigarro se apaga

O frio se torna ad valorem

Nos pulmões de quem traga

 

Para tal derrota

É preciso astúcia

Ao som da rôta

Ao passo da renuncia

 

“As gaivotas pairam no céu tocando o oceano em seu desígnio de perpetuação. O Sol se põe ao longe enquanto as embarcações parecem sumir no horizonte. Estou num cais, como quem parte. Olhando o mar, como quem fica.”

Vom Krystie McDonnadan




terça-feira, 12 de abril de 2022

Mallevs Maleficarvm

Ali parado, observando o buraco negro a uma distância segura, observei que a anomalia ocorria no deserto de eventos. Alcançar o centro, para nós humanos, era de fato algo irreal, feria a nossa consciência, dignidade e moral. Seria um lançamento no desconhecido com a consciência de que o retorno jamais existiria. Arremessar-se contra aquele que era visto, porém desconhecido, foi apenas uma ideia impulsiva, que foi cumprida com sucesso.

O mundo é sufocante dentro do vórtice, do vácuo, os sons estridentes dentro de sua cabeça podem parecer cada vez mais altos e quando se percebe são seus neurônios que estão em plena combustão. Seus ouvidos não sangraram pois não havia pressão suficiente para que o sangue escorresse para fora. A cabeça parece querer sucumbir ao abismo enquanto os novos espectros são capturados pela gravidade, as ondas de rádio vieram de muito longe e percorreram o espaço através dos ecos que perduraram por bilhões e bilhões de anos entre idas e vindas do tecido escuro. A existência fora do planeta Terra já era de fato obsoleta, não se acreditaria mais em uma espécie de condição divina para que a vida perdurasse em ambientes tão hostis, o próprio planeta Terra era de fato hostil, porém contudo, ainda preservava as matérias primordiais para o avanço de seres dotados de inteligência a ponto de destruírem a si mesmos, em resumo, Deus estava morto.

A dilatação temporal é ainda um mistério para os seres humanos que nunca saíram do planeta azul, todos nós sabemos que até mesmo na estação espacial os cosmonautas tem 7 dias dias em 1, logo, imaginando que a teoria da relatividade de Einstein nos revela que os objetos massivos distorcem o tempo de acordo com sua gravidade, a dimensão conhecida como espaço tempo se desmembra em duas para nos explicar a que horas e onde estaremos, mas, se tratando de horas, já entendemos que os nossos sentidos estão aplicados a uma invenção tão inescrupulosa e impotente quanto esta capsula que foi feita para a minha proteção. Aqui dentro deste que não denomino espaço, universo ou algo do tipo, objetificarei apenas como, novamente, o deserto de possibilidades. É inerte, é vazio, é estranho, obviamente inóspito e inalcançável aos olhos humanos.

Hoje o tempo parou, ontem talvez o tempo estivesse parado, talvez eu esteja aqui a muito tempo, talvez eu esteja aqui por um piscar de olhos, o mundo cá deste lado de dentro do vórtice, tudo parece não ter lado, é um sufocante e confortável vazio, sentido de todos lados e formas, o próprio corpo convertido em luz se desfaz e se refaz, os olhos propriamente ditos, fisicamente, se rebelam e em uma distração observam o todo e o nada ao mesmo tempo. No meio do caminho existe também a consciência que não se desprende do corpo, porém o corpo se converte em luz e a luz de uma forma contínua se refaz dos mais variados formatos dentro deste deserto de possibilidades, ela continua sofrendo os ataques da gravidade extrema e dos pensamentos hora arrependidos, hora alegres pelas novas experiências e descobertas que se convergem em um ambiente ainda mais hostil, a solidão.

Faber Krystie McDonnadan