Entre nós e as estrelas
Observava as estrelas com certo desafio nos olhos. Sentado na relva apenas por aquele instante de calmaria na cidade que nunca dorme, enquanto o cigarro ainda aceso respirava da mesma brisa gelada vinda do ártico. Águas calmas do lago refletia a luz da Lua e os sons vindos dos uivos longínquos dos coiotes que se cercavam de esperança aguardando o momento certo para avançar a caça. Era um momento único de plena divisão entre o surreal e o que estaria de fronte aos olhos. Nada daquilo caberia em uma única fotografia. Não adiantava nem mesmo tentar. Um trago a mais e a fumaça se confundia com o vapor que saia de suas narinas. Na melhor das hipóteses aquela imagem queimaria seu cérebro como o ácido. Todas as questões mundanas vindo a tona de uma vez só, não se tinha mais certeza o que era cigarro, relva, cervo ou coiote. Arma apontada para si mesmo em afronta contra sua própria vida, dali para a frente seria diferente, sabia que por mais que apertasse o gatilho saber o futuro er...