60 segundos
O vazio toma conta e o corpo age por impulso, ele pulsa, ele vive, já a cabeça não faz nada além de pensar o tempo todo em acabar com a dor, mas, que dor é essa? De onde vem e para onde vai? Daqui do alto deste prédio de onde escrevo talvez minhas últimas palavras dá pra ver um mundo acontecendo como um grande formigueiro, olha ali, acabou de passar a mãe com o filho no colo, os carros transitam de forma tão pouco sincronizada que me arranca um riso amarelo que talvez poucos entendessem a graça disso tudo. O telefone toca insistentemente, vibra, como se eu fosse a última esperança de alguém e eu sei que não sou, eu sei que as pessoas se apegam às outras e que com um passe de mágica elas deixam de existir, está no grito, está no não se importar, está na empatia que não parece ser utilizada dentro de casa. As velas daquele apartamento, daqui de cima da pra ver o casal que janta junto em um clima tão belo, dá pra sentir que a comida é simples, mas, ali o que importa é a companhia...