Papo de Elevador - nº 3
O som que se ouvia naquele andar, era hora forró, hora samba e pagodinho... O Silva que era apenas o faz-tudo da empresa (geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da sexta, a mortadela da terça e passa o cafezinho todo santo dia. Há, ele também ganha pouco), se libertou desta vez, fazia um churrasquinho no banheiro feminino, sim no feminino. E ainda gritava: - TEMOS BACALHAU ASSADO! A dona Clementina se revoltou ao ouvir bacalhau assado... E nem norueguês era o bicho. Talvez fosse somente algum peixe bem salgado, que o próprio Silva preparou em sua casa, naquela mesma bacia onde tomava banho. O Silva realmente estava maluco, não só perderia o emprego, como de quebra seria torturado, molestado, morto, decapitado, “decapitulado” (sim, ele seria morto por capítulos, para não dizer “versiculado”, utilizando de uma bíblia). Dona Clementina não poupou esforços, correu até a sala do manda chuva, no 5º andar e já entr...