Um planalto vazio
Com os joelhos no chão, braços para cima em sinal de suplica, olhos fechados, o sol batia em seu corpo e denunciava ao mesmo tempo o horário das 14 horas em um relógio solar fotografado naquela cena. A composição abstrato-sertaneja indicava as casinhas ao fundo, feitas de barro, com portas sem trinco, rústicas, que mais pareciam gotas daquele orvalho sujo das plantas que vivem perto dos canaviais após uma noite no inferno que queimaria, calmaria, sobreviveria, humildemente, solenemente, capital... Suplicava pela vida assim como os animais daquele sistema, com todo o cuidado do mundo o fogo queimava a palha, esquentava o lombo, definhava a terra, entornava a guerra, matava o sertão. O planalto sobrevivia assim enquanto a chuva não vinha, e ali naquelas casinhas em que os matagais insistiam em nascer para ser mais tarde arrancados pelo caprino que anseia pelo alimento fuçando na intuição que remexe por toda a psique do ser que ali persevera e perpetua um quadro revisitado por pouco...