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Mostrando postagens de setembro, 2012

I hope so

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Sentado, estático. Teclas e letras deturpavam o conhecimento e a maior parte de sua alegria. Ouvia gritos de dor, mas era algo mais profundo. Nos fios de cabelo, grudados por todo seu corpo fazia com que o sétimo céu baixasse ao nível dos pés. Musica no rádio perturbava com um ritmo alegre e não entendia o porquê.  Apenas vivia. Fechar os olhos era algo que não poderia mais, aliviava a tensão, sentia como se o corpo se modificasse. Ao redor de seu casulo conseguia olhar para os transeuntes como se fossem peças de um sistema, engrenagens prontas para a substituição. Quer queira quer não, sabia apenas que vivera dentro daquela bolha e sumira num momento inexplicável. As partículas retornavam com certa atração, como o mercúrio. Ainda estava ali, observando o mundo e poderia crer que também era apenas mais uma peça do sistema. Ele seria a engrenagem mor, a única capaz de pensar antes de consumir.  Mas consumiu, pela ultima vez, c aminhava com certez...

Diário de Bordeaux

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Querido diário, estamos mais uma vez, subindo na audiência e caindo pelas tabelas. O Escracho está mais um dia de folga e deu lugar a um poeta meio machado meio martelo, se bate corta ou espana, atarraxa, mas não prega. Falando em pregar, o pastor analisava o dízimo enquanto exorcizava do rádio de um taxi, “em nome de Jesus”, era só um garoto epilético. Nas notícias mais comentadas, sabemos que a boçalidade resolveu tomar Red Bull e criar asas. Maluco beleza, uma carta de vinhos com o Lambrusco a 25 mangos, frisante, rose. Uma charge, uma vinheta. Olhar para os lados e sobrar pouco do dia para passar com quem se gosta, com quem se divide uma vida. Infeliz vida talvez, mas se sobra pouco tempo, talvez é o tempo que deveria ser. Podendo ser o tempo que não existiria. O fato de não existir, também é algo que se extingue durante as horas que se vão. Já chegou a imaginar que nada do que vemos é real? É como se as coisas que existem ao nosso redor fossem limites. Feitos de átom...

Da série: Quedas

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A industrialização de todo um país facilitava a entrada de capital com a exploração do petróleo, indústrias siderúrgicas e estradas de ferro. Concentrados nos grandes centros urbanos (São Petersburgo, Odessa, Kiev e Moscou), formando uma classe operária de 3 milhões. Submetidos a jornadas de trabalho maiores que 12 horas, sem alimentação e condições de trabalho. Enquanto que no palácio, no manifesto de Outubro, o Czar prometeu reformas no país. Criaria um governo constitucional, dando fim ao absolutismo e as eleições gerais para o parlamento onde elaborariam uma constituição para a Rússia. Com o fim da guerra com o Japão, por ordem de Nicolau II, os as tropas especiais ou Cossacos, interviriam nas manifestações dos trabalhadores, prendendo líderes e desmantelando o Soviete de Petrogrado (São Petersburgo). Com o controle nas mãos novamente, o Czar não cumpre suas promessas, deixando apenas a Duma (parlamento) funcionando com limitações e sob os olhares do poderio militar. Chamada ...

Für Elise

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Sentado num banco de praça pela manhã deparou-se com dois seres distintos em faces e trejeitos, porém eram iguais na forma em que se encontravam. O primeiro, deitado de bruços, parecia uma ode ao sofrimento, olhar para aquela cena digna de uma manhã de segunda-feira, era o mesmo que pedir para não ter acordado. Ao lado, havia outro, ou não mais havia. A situação de rua marginalizava o ser vivente (ou vigente) em pleno século 21, em pensar que passou a noite ali, o sol já tocava seu rosto há algum tempo. Moscas ao redor, papelão ensanguentado, restos e dejetos. O amoníaco ainda arderia as narinas e a imagem ainda travava a garganta, um alarme tocando sabe Deus desde que horas, enquanto uma viatura somente passava por ali para fazer presença, ninguém desceu, ninguém ouviu. O mundo seguia em frente como de costume. Pessoas, almas, passando por maus bocados e infelizmente ninguém ali para resolver a manhã, ou pelo menos alguns problemas. O sol agora paira no céu, sem trégua e nem lam...