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Mostrando postagens de outubro, 2012

O Épico

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Cansado de ouvir a mesma coisa sempre, resolveu por si só mudar, escondido em uma trincheira aguardando a hora certa para subir ao monte Olimpo, um rádio de uma padaria em ruínas, bombardeada pela guerra, Piaf. Era como descrever a cena de horror ao ver sua tropa atingida por um franco atirador da artilharia inimiga. Ver sua única bala estilhaçando o vidro da torre da capela, atingindo o alvo, foi um alívio para os sobreviventes. Já era difícil saber se o inferno estava ali, onde o soldado alvejado por uma bala calibre 7.62 deitava seu corpo já sem vida. De que adiantaria correr, olhar para os lados percebendo que não havia para onde ir. Piaf e “La vie en Rose”, descompassado por tiros de fuzil. O rádio parecia trocar de musica ao sentir a terra tremer com os bombardeiros que rasgavam os céus vermelhos de outono. Era tarde, o Sol dava sua trégua entre o pó e a fumaça. Um cigarro, aceso no chão do botequim, cheiro de sangue embrulhava o estômago. O credo cercava a tropa, algun...

Dream Eater

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Sentado num banco de praça observando as pessoas passarem. Assemelhavam-se aos carros que apenas passavam também. Tomava seu café ainda quente percebia seus pés ainda frios. Massacrava sua mente e não sabia se era vivo ou inerte, poderia apenas ascender aos céus e perceber que era apenas um sonho ruim. Ali eu observava o jardim, crianças brincando, asas reluzentes. Sangue, o tom avermelhado do por do sol tornavam as palavras, certezas. Sabia que partiria dali para outra dimensão. Seres em desenvolvimento, sem cabelo, sem roupas, sem vida. Ainda restariam os fios que seguravam os mesmos cadáveres que mesmo assim, permaneceriam em pleno movimento retilíneo. Foram apenas noites ruins, apenas preces não atendidas. Como poderiam crer num Deus Surdo, cego e mudo. Como ceder a fúria de uma natureza já em decomposição. Seria impossível a religião manter-se com suas estruturas, o inferno estava ali e o céu, paraíso, ou como pretendem os que buscam a salvação. De joelhos, observei pessoas ...

No Fim - Pt. 1

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O céu em movimentos espiralados de nuvens negras. Haveriam sinais no chão e luzes no alto dos montes, até os bichos previram a catástrofe e se esconderam com suas crias em qualquer lugar mais distante e ou profundo. Supondo que não olharia mais para a vida de outra maneira e sabia que o corpo quando em cheque torna-se tão bicho quanto é e a racionalidade se vai.  La tour Eiffel est restée sur le terrain. Entoando junto ao segundo Sol que ascendia na mais alta velocidade fazendo com que todo o esforço de uma humanidade por gerações e gerações criando o próprio inferno a seus pés e não sabiam mais como se proteger, ao descobrirem que a estátua da liberdade estava afundando de cabeça para baixo em um vórtice aberto sem sequer obter ordens superiores. Ainda lembravam do onze de setembro com certa cautela pois não se sabia se vinham do oriente ou se vinham do espaço porém apenas poderiam dizer que surgiam no céu estrelas cadentes que se moviam em curvas e velocidades distintas...