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Mostrando postagens de 2013

As quatro estações

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Como se já não fosse por vontade da natureza que os corpos de completassem naquela noite. A lua, que acima de suas cabeças, fazia um semblante parecido com uma vela acesa, luz, clara, prateada. Sob um manto vermelho, apenas sentiam que por dentro, um calor aquecia seus corações que palpitavam em pouca disritmia. Prometiam perante aquela união com juras e mais juras. Era infinito, numa atmosfera intensa, o ar mais rarefeito surgia em nuances e vertigens. Dançavam juntos como se fosse a ultima vez. Tocavam-se, olhavam-se (olhos nos olhos), a curiosidade pelo desconhecido era vencida. A pele arrepiava enquanto as mãos pouco mais ásperas passavam devagar pelas pernas lisas, subindo pela cintura chegando ao dorso e nuca, caindo pelos braços. Enfim, mãos nas mãos e dedos entrelaçados. Como se não houvesse barreiras e como em ondas, chegavam ao êxtase. Deitados ainda com o sol nascendo em meio as arvores, as mãos coladas, pernas juntas e num abraço foram despertand...

Trinqua

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Estática, não estatizada. Parada mas não sem mover seus pequenos dedos de menina, com quase meio ano. Sim, meio ano, ou, seis meses de vida. Peguei-me pensando em como alguém percebe que se passou metade de um ano, geralmente quando se chega a junho ou julho. E naqueles papos de senhorinha, de casaquinho marrom e tudo mais, inclusive com aquelas meias e “chinelas” de dias frios, quando uma diz (para puxar assunto) nossa, já se foi o ano todo e a outra emenda, mais metade e acabou. Ela já tem quase seis meses e ainda me lembro, quando escutei seu primeiro choro, quando fui barrado na porta da maternidade com um BigMac e um CheeseBurguer  na mochila para a Lelis não comer só 3 bolachinhas e um copo de chá sem açúcar. Vã tentativa que ainda tentei convencer o rapaz do drive-thru do McDonald’s a vender um TopSunday de chocolate num copo maior porque eu iria “muquifá-lo” também, talvez entre as fraldas. E sem contar que ainda tentei convencer também o guarda noturno a mandar o ...

Aos dez

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Conto hoje sobre uma senhora viúva que frequentava a casa de minha avó materna, a qual eu passei parte da minha infância, era raro algum dia que ela não aparecia e quando não aparecia, bem, saberão no decorrer da crônica. Continuo daqui, de onde simplesmente não me esqueço da vez que ela entrou por aquela porta da edícula que minha avó June morava, sim June Maria, pois acho que só June o padre não batizava. A senhorinha me olhava com um tom meio ameaçador e um sotaque antigo carregando os erres. Falava da vida de toda a vizinhança e tudo o mais. Ela sempre dizia que estava muito nerrrvosa por algo que aconteceu na TV, ou no noticiário da radio. Era complicado para uma criança de apenas 10 anos de idade, compreender a necessidade da velhota falar com o sotaque carregado e claro ser o Jornal ambulante do bairro. Mas como um jornal ambulante do bairro seria tão completo se não houvesse a sessão fúnebre, com as notícias de todas as funerárias, incluindo hora do velório e enterro...

Em caso de emergência, quebre o vidro.

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Entre as cores mais belas que se via, o por do sol se voltava contra os olhos, fechava-se as pálpebras e mesmo assim alguns vultos roxeados eram percebidos pela essência. Todas aquelas pessoas, indo e vindo. Uma escada, corrimões estranhos, tortos. Faixas avermelhadas no céu entre os cabelos negros por dentro do véu que cobria a santidade. Num voo rasante descobria que apenas manipulava o ar ao invés de flutuar, mais rarefeito. Bonito ver os pássaros mais de perto, juntamente a linha entre a terra e o céu havia meio astro, hélio. Num rabisco a mais tornava o satélite presente. Um sorriso denunciava a míngua, o quase fim. Anoitecia com diamantes num tapete crepuscular. Seria uma noite quente, por hora e por honra. A cerejeira tatuada, lembrar-se-ia de tons aquarelados, aqueles lábios roseados, olhos negros, respiração ofegante, vidros embaçados. Bons sonhos. E no fim, um Buda em posição da flor de lótus, tons lisérgicos no fundo. O astro rei a...

Resenha

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Questão de entendimento, nada a ver com “Understanding” já que a compreensão é algo que se faz durante o cotidiano. Sabe quando a gente dorme no sofá meio sem querer e acorda no meio da madrugada procurando? Respirava fundo e enquanto soltava o ar, a fumaça que preenchia seus pulmões se dissipavam no monóxido. A perspectiva que a sua frente fazia da vertigem sua melhor amiga e companheira, ela estava ali, deitada ao seu lado. Dizendo palavras de conforto e alívio, a expressão em seu rosto acusava o gosto amargo em sua boca, três ou quatro quarteirões à frente, enquanto a visão se fechava. Em meio à floresta enquanto soprava o vento frio e úmido, holofotes queimavam sua retina, estreitando as relações entre pupila (ou menina dos olhos) e as pálpebras. Parecendo muito com o final que passava com o Bardem em Biutiful. Deitado ao teu lado, ouvindo você respirar. A vida flui dentro de você.               Mudam os tempos e as pessoas permane...

Dead Poet

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(sonorize) Importe-se (sim). Tenha em mente algo útil (ou não). Busque saber (é importante, mas não essencial). Aprenda algo hoje (meio slogan pronto). Denomine (seja breve). Alcance (vá mais alto). Tatue algo na pele (algo que te faça abrir os olhos e não algo que as pessoas digam uau). Tatue algo no peito (pois um grande amor é necessário). Pense no dia de ontem e no que você pode mudar hoje (mas nada que tenha se arrependido, arrependimento mata aos poucos). Ore, reze, peça ou cale-se (independendo o seu credo). Cante uma canção de efeito (e outra que você goste). Seja. Haja o que houver, não deixe o dia escapar por entre os dedos (Seize the day, Carpe Dien...). E no fim, respire fundo. (deixe o dia sair pelas suas narinas, encoste a cabeça no travesseiro e durma tranquilo). Ah, e podem me chamar de Nuwanda.

O Tejo

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Madrugada, Descobre-me o rio que atravesso tanto para nada; E este encanto, prende por um fio, a testemunha do que eu sei dizer. E a cidade, chamam-lhe Lisboa mas é só um rio que é verdade, só um rio, é a casa de água, casa da cidade em que vim nascer. Tejo, meu doce Tejo, corres assim; corres há milênios sem te arrepender, és a casa de água onde há poucos anos eu escolhi nascer.

Liber

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Vermelho. O self estava mais aguçado, era quente em partes e frio no maior período espaço/tempo. Respiração ofegante, o ar parecia não preencher totalmente seus pulmões. Olhou para as costelas, já esmagadas pelo esforço desnecessário que o externo fazia, ouvia um som abafado meio desencontrado, mas entendia apenas a palavra “ferragens”. Medo de alguma coisa ter se chocado com a matriz, medo do mau tempo. Ninguém sabia, mas quando olhou por entre os tecidos, os raios se quebrando no céu e arrebentando a terra, estremecia por todo o arredor. Não era culpa sua, apenas um dado que fora lançado. Girando e girando, no olho do furacão, parou e acompanhou os ventos passo a passo. Devagar foi se livrando da clausura, como se suas correntes se partissem. A pele já dilacerada, agora tinha um aspecto de necrose, viu como num piscar de olhos tudo aquilo sumir. Estava num oásis. Sentiu a luz se aproximando. Abrir os olhos, entender o cenário, o relógio parado na hora zero. Piaz...

Alívio

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Drivers e motherboards, espalhados pelo corpo, os circuitos corrompidos e trilhas desfeitas durante as rotas de desembarque, o BUS já não suportava mais os 5v que ultrapassava as barreiras. Entrava luz, pelo nervo ótico a percepção humana era capaz de criar imagens, já que, alguns artefatos surgiam no ultimo dia de sua meia vida. Seria substituído então por lentes olho de peixe e observando de perto o nervo foste substituído também por um cabo de fibra (um fio de vidro do calibre de um fio de cabelo, revestido por um vinil estéril). Tendões de Aquiles ou não, criados através de células mortas e cabos de aço, músculos, cortiça. Os sentidos criados na robótica, não convertiam a fé em lágrimas. Assim mesmo o ser humano vivente descendia dos seres dotados de erros e alguns acertos, sem óleo ou combustível. A criação, em ferro, aço e circuitos tinha algo que o tornava vivo, seu combustível fora criado e não mantinha a bateria acesa, muito, aliás, uma bateria que se auto carregava ...

Primavera nos Dentes

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Quem tem consciência pra se ter coragem Quem tem a força de saber que existe E no centro da própria engrenagem Inventa contra a mola que resiste. Quem não vacila mesmo derrotado Quem já perdido nunca desespera E envolto em tempestade, decepado Entre os dentes segura a primavera.

Sutil

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Um quarto. Mais ou menos a metade de um. Um leito. Os tiros, escutados a quinhentos metros de distância, seguidos dos pneus queimando o asfalto vinte minutos depois. Talvez tempo suficiente para chegar o socorro. As ambulâncias, donas das sirenes as quais ouviam naquele quarto, eram do hospital do subúrbio. Tão acostumados aos barulhos noturnos que nem se deram ao trabalho de correr contra o tempo para salvar uma vida. Tocava o telefone do posto policial do 9º distrito, procuravam alguém da científica, da homicídios. O quarto vazio, a meia luz dos postes entrava pela fresta das janelas fechadas pelos tapumes mal pregados. Era uma luz avermelhada, causava uma penumbra por entre os feixes, a arma, fora deixada ali ao lado do corpo. Quase nua, respirava pó, expirava pó, automático, agonizando, pela força do diafragma. Corpo surrado, meias arrancadas a força no meio das coxas, a calcinha nos joelhos, um corpete preto, couro, com detalhes em vermelho, corações, salto a...

Por quem os sinos dobram

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[leia sussurrando] Os talheres de ambos os lados do prato, eles se contorciam e de forma descendente de dentro pra fora seguiam a etiqueta. O céu se fechava para mais um temporal e na hora do relâmpago a luz se apagou [até aqui], retornando após alguns segundos. Deu pra ver o clarão que não deixou de formar aquelas sombras estranhas na parede em frente à janela. Os castiçais na mesa, não permitiram faltar a luz, as crianças corriam para o abrigo dos pais, deixando a brincadeira de lado, no fim, todos riram, pois não era sempre que a luz acabava. Sempre que as crianças brincavam no jardim, juntavam-se os mais velhos e os mais novos, brincadeiras de roda, pique esconde, pega-pega. Os maiores já brincavam de ser grandes, imitavam os trejeitos dos homens mais velhos, servindo-se de bebidas e gesticulavam como se degustassem de um delicioso cachimbo após a refeição. Gesticulavam também os gestos, durante um bate-papo mais descontraído, porém nunca saíam do trivial ou do dito tradicion...

Papo de elevador - nº 7

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Bom dia, dizia o rádio na sala da megera, para não dizer Dona Clementina. Com seu chapéu de plumas de pavão cinzento . Cinzento? Sim, os Pavões são meus, eu boto a cor que eu quiser! Era esta a desculpa para as penas cinza que a dona muambinha dava para qualquer questionamento sobre os tais dos pavões cinzentos. Enquanto seguiam as notícias, a velhota resolveu encrencar com alguém, encrencou logo com o Manda chuva, ou, Sr. Meinfuhrer: - Bom dia Sr. Gostaria de relatar seríssimos problemas quanto aos pombos que fazem ninho em toda a nossa estrutura. Além de doenças, parasitas e mau cheiro, estas aves são tão repugnantes, não acha Sr.? - Certo, e você quer que eu faça o que? Saia atirando nos pombos? Quer que eu faça um campo de concentração? - Você pode chamar o Silva para arrancar estas aves nojentas da minha sacada, PRINCIPALMENTE. - Tá, tá, vou chama-lo, agora com licença, vou reunir meus amiguinhos para uma partida de War. Você joga? - Claro que não. Não sou da...

Na sala, no divã

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Na sala, um projetor, alguém dizia algumas coisas sem o menor sentido. Falava de linguagem abstrata, falava de história, mas não se cansava de falar. Exemplos e suponhamos que algo aconteceu. A didática era horrível. Mas eu queria falar de outra coisa, acordei pensando num conto erótico, coisa que nunca escrevi por achar tão patético alguém descrever um ato sexual, uma situação a qual passou ou algo que fantasia, mas nunca viverá. É difícil crer, mas as pessoas possuem os desejos mais obscuros guardados em algum lugar, lá no fundo. Cocei minha cabeça, estava coçando, talvez seja pelo fato que ainda não tomei banho, mas acho que eu não devo falar sobre a minha manhã. Foi maravilhosa de inicio e fantasiosa de outra, hoje fantasiei minha cama, ela estava lá, aquela mulher de cabelos agora castanhos (eu adorava o tom de cinza que ficou após o azulado, mas, bem... ela não). Castanho estava lindo, aliás, o cabelo é algo que eu gosto de ver em uma mulher e, o da senhora minha esposa, é ...

hUMmanos

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Humanos, circulam, prendem-se a prazeres. Chucros, omissos, promíscuos... Na palavra, no ser, não se escreve o descrente. Pelo mal ou pela forma mais sublime. O anjo caído virou-se contra o pai. O inferno a seus pés, pelo prazer de ver o fogo. Cai, a chuva, que junto ao pranto, de raiva, sem posse, sem esmero. Dá-se a importância ao que não se tem. E se não se tem, quem se importa. Era seu aquilo que sempre amou, e perdeu aquilo que nunca se teve. Credos. Fechou os olhos para o digno, apostou no jogo em que se perderia. Sem duvidas, sem motivos. O prazer e a rebeldia de se manter em pleno voo noturno, se enxerga pouco e tem ideia do que acontece no simples erro. Pontos no céu. Perde-se o grande prêmio. Já que o céu está no alto, a terra é seu porto seguro, adiantaria olhar para cima e ver que afunda? O dia está escuro, a noite insiste em existir para o findado e derradeiro momento. Aterrissa, percebe, estás sozinho. Olhou, egoísmo, fechou-s...

Delírio

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Normalmente extinta, a vida em meio ao vício, um golinho no café, um trago na bituca já apagada. As chamas esmaeciam. Enquanto isso, um furacão varria os arredores da periferia, barracos, tapumes, Eternit, zinco, barragens, caixas d’agua, e o próprio morro que vinha abaixo como uma avalanche. Um novo plano de busca era traçado enquanto o soldado em busca de piedade, atirava nos ditos zumbis, filhos do crack. Todos na mesma direção, sem destino ou futuro, sem passado e nem presente.  A cria criava-se na merda, a maioria das vezes nem mesmo chegava-se ao dito fim, a esmo. Um poder de se retirar as riquezas do solo, o cão que fuçava no lixo, viraria alvo fácil dos transeuntes que apenas observavam a imagem embaçada de um dia de sol, que castigava até mesmo os mais necessitados, para não dizer somente. Durante a noite, o gélido prazer de passear pelas ruas escuras, iluminada ao longe pelos postes em decomposição, traria o gosto amargo na boca. Mais um gole no cafezinho e dest...

Gabriel

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Gabriel trancou-se no banheiro, escolheu ficar ali enquanto o dia passou. Sua mãe escondida na cozinha entre os afazeres e seu pai desmanchando toda a casa, sobraria o banheiro. Com medo do que seria feito em seu quarto, Gabriel mantinha seus bichos preferidos junto de si enquanto o mundo lá fora acabava de chover. Ligou o chuveiro e tampou o ralo com uma esponja, aquela que nunca usara apesar de seu pai sempre dizer para esfregar bem os pés, aliás, ele esfregava os pés no tapete plástico antiderrapante que havia no chuveiro, esfregava tanto que machucava às vezes seu dedo mindinho, mas, a bucha ficava ali, intacta. Uma piscina surgia no Box, parecia mais um aquário, Gabriel trancou-se então naquele cubículo de vidro cheio d’agua, seus bichos molhavam-se, os de pelúcia afundavam pelo fato de pesarem mais com a água que tomava seus corpos e os de borracha flutuavam, engraçado e pontual era que seus bichos de borracha eram apenas para o banho, alguns sujos de terra lá do quintal, ou...

Oriente

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Fechar os olhos. A brisa que toca sua pele nem sempre é tão confortante quanto naquele dia, o cisma do oriente rachou de vez o mundo, Constantinopla, a então Istambul seria guardada assim como o mar Negro, ao norte da província a fortaleza era obscura e enigmática. A antiga civilização era derrubada pelo tempo. Como poderia aos olhos de Deus, uma das maiores impurezas do século. A temática era outra, o pseudônimo alterava os graus normais do metabolismo frente ao fundo monetário internacional, hora sim, hora nunca, ora, pois, a metrópole descansava em paz, em plena lua crescente despontando a estrela, referindo-se ao Islã, improvável, sensato, com seus costumes primitivos e mal vistos no ocidente, ainda assim, era o mais correto, apesar dos pesares. Crescia a demagogia que cresce até hoje, inventava-se o que não mais existia. No monte Olimpo Zeus observava seus descendentes que aclamavam aos céus, pedindo a Hélio uma trégua. O Sol queimava, ofuscava a visão de quem observ...