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Mostrando postagens de janeiro, 2013

Delírio

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Normalmente extinta, a vida em meio ao vício, um golinho no café, um trago na bituca já apagada. As chamas esmaeciam. Enquanto isso, um furacão varria os arredores da periferia, barracos, tapumes, Eternit, zinco, barragens, caixas d’agua, e o próprio morro que vinha abaixo como uma avalanche. Um novo plano de busca era traçado enquanto o soldado em busca de piedade, atirava nos ditos zumbis, filhos do crack. Todos na mesma direção, sem destino ou futuro, sem passado e nem presente.  A cria criava-se na merda, a maioria das vezes nem mesmo chegava-se ao dito fim, a esmo. Um poder de se retirar as riquezas do solo, o cão que fuçava no lixo, viraria alvo fácil dos transeuntes que apenas observavam a imagem embaçada de um dia de sol, que castigava até mesmo os mais necessitados, para não dizer somente. Durante a noite, o gélido prazer de passear pelas ruas escuras, iluminada ao longe pelos postes em decomposição, traria o gosto amargo na boca. Mais um gole no cafezinho e dest...

Gabriel

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Gabriel trancou-se no banheiro, escolheu ficar ali enquanto o dia passou. Sua mãe escondida na cozinha entre os afazeres e seu pai desmanchando toda a casa, sobraria o banheiro. Com medo do que seria feito em seu quarto, Gabriel mantinha seus bichos preferidos junto de si enquanto o mundo lá fora acabava de chover. Ligou o chuveiro e tampou o ralo com uma esponja, aquela que nunca usara apesar de seu pai sempre dizer para esfregar bem os pés, aliás, ele esfregava os pés no tapete plástico antiderrapante que havia no chuveiro, esfregava tanto que machucava às vezes seu dedo mindinho, mas, a bucha ficava ali, intacta. Uma piscina surgia no Box, parecia mais um aquário, Gabriel trancou-se então naquele cubículo de vidro cheio d’agua, seus bichos molhavam-se, os de pelúcia afundavam pelo fato de pesarem mais com a água que tomava seus corpos e os de borracha flutuavam, engraçado e pontual era que seus bichos de borracha eram apenas para o banho, alguns sujos de terra lá do quintal, ou...

Oriente

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Fechar os olhos. A brisa que toca sua pele nem sempre é tão confortante quanto naquele dia, o cisma do oriente rachou de vez o mundo, Constantinopla, a então Istambul seria guardada assim como o mar Negro, ao norte da província a fortaleza era obscura e enigmática. A antiga civilização era derrubada pelo tempo. Como poderia aos olhos de Deus, uma das maiores impurezas do século. A temática era outra, o pseudônimo alterava os graus normais do metabolismo frente ao fundo monetário internacional, hora sim, hora nunca, ora, pois, a metrópole descansava em paz, em plena lua crescente despontando a estrela, referindo-se ao Islã, improvável, sensato, com seus costumes primitivos e mal vistos no ocidente, ainda assim, era o mais correto, apesar dos pesares. Crescia a demagogia que cresce até hoje, inventava-se o que não mais existia. No monte Olimpo Zeus observava seus descendentes que aclamavam aos céus, pedindo a Hélio uma trégua. O Sol queimava, ofuscava a visão de quem observ...