Postagens

Mostrando postagens de março, 2013

Alívio

Imagem
Drivers e motherboards, espalhados pelo corpo, os circuitos corrompidos e trilhas desfeitas durante as rotas de desembarque, o BUS já não suportava mais os 5v que ultrapassava as barreiras. Entrava luz, pelo nervo ótico a percepção humana era capaz de criar imagens, já que, alguns artefatos surgiam no ultimo dia de sua meia vida. Seria substituído então por lentes olho de peixe e observando de perto o nervo foste substituído também por um cabo de fibra (um fio de vidro do calibre de um fio de cabelo, revestido por um vinil estéril). Tendões de Aquiles ou não, criados através de células mortas e cabos de aço, músculos, cortiça. Os sentidos criados na robótica, não convertiam a fé em lágrimas. Assim mesmo o ser humano vivente descendia dos seres dotados de erros e alguns acertos, sem óleo ou combustível. A criação, em ferro, aço e circuitos tinha algo que o tornava vivo, seu combustível fora criado e não mantinha a bateria acesa, muito, aliás, uma bateria que se auto carregava ...

Primavera nos Dentes

Imagem
Quem tem consciência pra se ter coragem Quem tem a força de saber que existe E no centro da própria engrenagem Inventa contra a mola que resiste. Quem não vacila mesmo derrotado Quem já perdido nunca desespera E envolto em tempestade, decepado Entre os dentes segura a primavera.

Sutil

Imagem
Um quarto. Mais ou menos a metade de um. Um leito. Os tiros, escutados a quinhentos metros de distância, seguidos dos pneus queimando o asfalto vinte minutos depois. Talvez tempo suficiente para chegar o socorro. As ambulâncias, donas das sirenes as quais ouviam naquele quarto, eram do hospital do subúrbio. Tão acostumados aos barulhos noturnos que nem se deram ao trabalho de correr contra o tempo para salvar uma vida. Tocava o telefone do posto policial do 9º distrito, procuravam alguém da científica, da homicídios. O quarto vazio, a meia luz dos postes entrava pela fresta das janelas fechadas pelos tapumes mal pregados. Era uma luz avermelhada, causava uma penumbra por entre os feixes, a arma, fora deixada ali ao lado do corpo. Quase nua, respirava pó, expirava pó, automático, agonizando, pela força do diafragma. Corpo surrado, meias arrancadas a força no meio das coxas, a calcinha nos joelhos, um corpete preto, couro, com detalhes em vermelho, corações, salto a...

Por quem os sinos dobram

Imagem
[leia sussurrando] Os talheres de ambos os lados do prato, eles se contorciam e de forma descendente de dentro pra fora seguiam a etiqueta. O céu se fechava para mais um temporal e na hora do relâmpago a luz se apagou [até aqui], retornando após alguns segundos. Deu pra ver o clarão que não deixou de formar aquelas sombras estranhas na parede em frente à janela. Os castiçais na mesa, não permitiram faltar a luz, as crianças corriam para o abrigo dos pais, deixando a brincadeira de lado, no fim, todos riram, pois não era sempre que a luz acabava. Sempre que as crianças brincavam no jardim, juntavam-se os mais velhos e os mais novos, brincadeiras de roda, pique esconde, pega-pega. Os maiores já brincavam de ser grandes, imitavam os trejeitos dos homens mais velhos, servindo-se de bebidas e gesticulavam como se degustassem de um delicioso cachimbo após a refeição. Gesticulavam também os gestos, durante um bate-papo mais descontraído, porém nunca saíam do trivial ou do dito tradicion...

Papo de elevador - nº 7

Imagem
Bom dia, dizia o rádio na sala da megera, para não dizer Dona Clementina. Com seu chapéu de plumas de pavão cinzento . Cinzento? Sim, os Pavões são meus, eu boto a cor que eu quiser! Era esta a desculpa para as penas cinza que a dona muambinha dava para qualquer questionamento sobre os tais dos pavões cinzentos. Enquanto seguiam as notícias, a velhota resolveu encrencar com alguém, encrencou logo com o Manda chuva, ou, Sr. Meinfuhrer: - Bom dia Sr. Gostaria de relatar seríssimos problemas quanto aos pombos que fazem ninho em toda a nossa estrutura. Além de doenças, parasitas e mau cheiro, estas aves são tão repugnantes, não acha Sr.? - Certo, e você quer que eu faça o que? Saia atirando nos pombos? Quer que eu faça um campo de concentração? - Você pode chamar o Silva para arrancar estas aves nojentas da minha sacada, PRINCIPALMENTE. - Tá, tá, vou chama-lo, agora com licença, vou reunir meus amiguinhos para uma partida de War. Você joga? - Claro que não. Não sou da...

Na sala, no divã

Imagem
Na sala, um projetor, alguém dizia algumas coisas sem o menor sentido. Falava de linguagem abstrata, falava de história, mas não se cansava de falar. Exemplos e suponhamos que algo aconteceu. A didática era horrível. Mas eu queria falar de outra coisa, acordei pensando num conto erótico, coisa que nunca escrevi por achar tão patético alguém descrever um ato sexual, uma situação a qual passou ou algo que fantasia, mas nunca viverá. É difícil crer, mas as pessoas possuem os desejos mais obscuros guardados em algum lugar, lá no fundo. Cocei minha cabeça, estava coçando, talvez seja pelo fato que ainda não tomei banho, mas acho que eu não devo falar sobre a minha manhã. Foi maravilhosa de inicio e fantasiosa de outra, hoje fantasiei minha cama, ela estava lá, aquela mulher de cabelos agora castanhos (eu adorava o tom de cinza que ficou após o azulado, mas, bem... ela não). Castanho estava lindo, aliás, o cabelo é algo que eu gosto de ver em uma mulher e, o da senhora minha esposa, é ...