Aos dez
Conto hoje sobre uma senhora viúva que frequentava a casa de minha avó materna, a qual eu passei parte da minha infância, era raro algum dia que ela não aparecia e quando não aparecia, bem, saberão no decorrer da crônica. Continuo daqui, de onde simplesmente não me esqueço da vez que ela entrou por aquela porta da edícula que minha avó June morava, sim June Maria, pois acho que só June o padre não batizava. A senhorinha me olhava com um tom meio ameaçador e um sotaque antigo carregando os erres. Falava da vida de toda a vizinhança e tudo o mais. Ela sempre dizia que estava muito nerrrvosa por algo que aconteceu na TV, ou no noticiário da radio. Era complicado para uma criança de apenas 10 anos de idade, compreender a necessidade da velhota falar com o sotaque carregado e claro ser o Jornal ambulante do bairro. Mas como um jornal ambulante do bairro seria tão completo se não houvesse a sessão fúnebre, com as notícias de todas as funerárias, incluindo hora do velório e enterro...