Postagens

Mostrando postagens de junho, 2014

Nociva

Imagem
Contam uma história por aí de certa garotinha que perambulava pelos becos mais escuros das ruas mais escuras da cidade mais escura (complexo? Não né?). Ela tinha um brilho nos olhos que pareciam saltar de suas pálpebras. Enquanto ela caminhava, todos os acostumados à escuridão tinham uma luz para se guiar, sim, todos eles eram dotados de uma cegueira. Passavam o tempo todo tateando pela cidade e por todo o caminho, a qualquer momento aconteciam acidentes, tanto no trânsito quanto nas calçadas. O risco de infecções e complicações era muito alto, já que não havia limpeza das vias públicas e dia sim dia não alguém não voltava para casa. O tempo consumia e o odor de morte geralmente era confundido com o próprio cheiro pútrido da rua, da cidade e de todo o entorno. Os vizinhos dali não tinham coragem de adentrar ao caos. Diziam apenas que havia vermes do tamanho de caminhões (aquilo é claro que era mentira). Nos hospitais, por incrível que pareça, era o único lugar que tinha luz, um médico...

Indolor

Imagem
A trilha sonora do verão foi a voz de um piano quase cego e surdo, oco, sem pernas. Não perca seu tempo se nada é o bastante para se manter vivo. Ninguém quer saber se está assustado ou se está livre. Tudo o que você precisa saber está em suas mãos. A morte ainda é o grande mistério, e num ultimo sopro as coisas se fundem, o irreal se torna a intensa realidade e realização, até então, o mito se funde a vida e todos nós percebemos que somos feitos de pedra. O som do piano ainda reluta estridente e cansado. Ele explica, ele chora, ele sorri e parte. Diz que a dor é real e que tem coisas que o tempo não apaga. Ele apenas enxugou suas lágrimas quando elas caíram, ela esteve lá quando tudo parecia desabar e ainda assim nada foi relevado. Revela-se a dor contida, um assassinato ao corpo que não chegará ao entendimento da mente.  Ele não sabia como afastar. Fechou os olhos e sentiu como se sua alma fosse arrancada, estava apenas de coração partido.  ...