Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2014

Notas de um observador - parte 36 e 1/45

Imagem
O sagrado se unia ao mal, todos meios de comunicação emudeciam para um evento que se tornaria sublime, pensavam nas garantias, pregões, redenção. Divisas, estampidos de grosso calibre quando se ouvia ao longe um grito desesperado de dor. Caia por terra o Deus que tanto diziam ser misericordioso. A cultura do medo fez com que as pessoas ficassem reclusas. Era a hora da contagem final, quando os mísseis cruzavam os oceanos, quando as embarcações aportavam e erguiam aviões e Tomahawks contra povos e civis em nome da paz. Os aviões tripulados por humanos ainda viam a destruição e faziam o reconhecimento dos corpos enquanto as ações despencavam até o momento em que a bolsa de valores desligava seus mostradores, computadores e telefones. Não era mais possível pular para fora do barco e nem parar o mundo. A indústria bélica acabara de caçar todos os seus acionistas e uma catástrofe mundial se iniciava. A barra de “loading” não chegaria mais ao ponto de “done”, de que seriam válidos ...

O Dragão e a Pena

Imagem
Certas vezes tão incertas a pena vinha pelo tempo De mais outras vezes o Dragão soprava sem se irritar Exclamava a pena pelo mesmo compasso a voar Na mesma altura em que o Dragão surgia com seu sopro de vento A pena que resistia a gravidade não tinha um mínimo de pudor Pobre Dragão que envergonhado fazia uma pose um tanto quanto bonitinha ao assoprar O Sol assistindo aquilo encoberto pelas nuvens da montanha comprovava todo o dissabor Que o Dragão sustentava ao bater suas asas para arriscar-se o mais alto patamar A pena que por si só era traiçoeira O Dragão que mesmo assim era um menino A pena se pôs ao chão quase na beira O Dragão ainda que relutasse mantinha-se exímio Travou-se a batalha mais incrível de todas as eras Um Dragão que se irritou com o movimento do vento Uma pena que subiu a montanha e alcançou os céus e as nuvens mais belas Num sopro quente entre floretes transformou sua amiga em poeira, unindo-a ...

Olhos negros

Imagem
Confesso que morri de amores pela vossa pessoa e que no quintal da nossa quase casa ainda existe um pedaço nosso daquela fogueira que nos conhecemos. Era São João e você ao pular entre as brasas quase se chocou com meu tio. Lembra Humberto? Era São João, quando com muita vergonha fiquei te esperando na viela que dava de cara naquele matagal. Você veio, passou por mim como um carro sem freio, olhou para os lados e voltou, eu sorri e acenei, olhando para os lados com medo de alguém aparecer e ver a gente sei lá, vergonha. A gente se olhou e você tirou seu chapéu ao ver que eu estava ali esperando. Seus olhos, Humberto, difícil esquecer seus olhos quando percebi que a luz lá, distante, brilhava em suas órbitas. Você foi chegando e eu não sabia o que fazer, eu estava com aquele vestido, lembra? Humberto, aquele vestido de São João. Dancei a quadrilha com aquele seu amigo e você com a menina mais bonita da festa. Eu não entendi o que você veio fazer comigo. Eu sei sim, você ia chegando...