Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2015

Noturno

Imagem
Corria o mais rápido que podia, parava, olhava para trás, respirava. Hora tranquilo, hora desconfiado. O rodo praticamente veio do nada, num impulso sistemático acabava por fazer pular na primeira rota que coube. Assolava um dos membros machucado e mancava de certa forma a se moldar as passos estranhamente aflitos. O céu, escuro, era noite, as estrelas e a lua pareciam distantes a olho nu, olhos de gato. Garras que ainda mantinham a destreza. O negro cruzando a rua ainda longe de qualquer suspeita, perecível. Num gemido de dor ainda que provisório, buscava abrigo do sereno, rosto inchado. Arriscou um embalado momento, derradeiro, defectivo... estava usando de seus dons para prever o fim. Mais um objeto atirado onde fez com que fosse arremessado ao relento. Não sabia mais se seria aquele o último suspiro. Malditos caçadores extremamente audaciosos. Diziam capturar a preza sem lamentos enquanto os golpes deferidos se referiam ao coração, pulsos... Respiração resultante num furo ...

Laços do Passado - Capítulo 1 - Introdução

Imagem
Consuelo caminhava pelas ruas da cidade de Monterey, a 15 anos procurava sua filha que fora tirada de seus braços na maternidade “Santa Maria de Guadalupe”, quando em uma das portas enquanto saiam os familiares da família Castillo e Castro. Murilo Adolfo, o herdeiro da família riquíssima e tradicional de Monterey, saia com seu carro esportivo pelas ruas da cidade. Em um cruzamento não avistou Consuelo, mas evitou o pior com uma manobra arriscadíssima, freando bruscamente. Trocaram olhares enquanto Murilo saia do carro às pressas para verificar se ocorrera algo grave. Antes que pudesses trocar qualquer palavra, ela desmaiava em seus braços. As crianças eram deixadas no internato após o fim de semana pelo chofer Cristaldo, filho de uma das empregadas da família, a Adelaide. Outra das empregadas, Francisca, era irmã de Adelaide, mais velha e estava a mais tempo com a família, cuidava exclusivamente dos interesses da Avó, Blanca. Entre as crianças, Otávio o mais novo, Carl...

A leveza das coisas comuns

Imagem
Cada vez que olhava para o lado tinha uma nova perspectiva. Seres dotados de gigantescas formas, como em “confortabily Numb”, do Floyd. Criava-se um modo no qual nada houvesse sentido a não ser o próprio ego que gritava dentro de si. Alter ego tornava-se um estranho e sentia-se mal com os poderes que assumia num curto período de tempo, a casa dos espelhos, em ruínas tão bem fundamentadas que o único meio de transmissão eram as pontes sinápticas. A queda. Num estranho senso de direção que apontava o norte erroneamente e tornava o mundo parecido com um modelo diferente do que se via. Cores voltadas ao escuro, trevas. Num tom violeta esquivava-se dos vermelhos, como um temporal viu-se em descrença quando cada gota d’agua mantinha seu curso durante o declínio. Espatifadas no chão transformando tudo em centenas e centenas de milímetros. O rio seguia seu desígnio tortuoso e complacente. Quando as bombas caíram, já não restava mais nada ali, lentes  de visão noturna apenas co...

The Ghouls

Imagem
Corpos em movimento, enquanto despencavam do barranco de seus iguais, a mente já era mais fraca que o contexto desta história, o verdadeiro momento no qual tudo se encaixava apenas no mundo irreal. Se fez claro quando um helicóptero não tripulado surgiu no céu, arremessando algumas coisas, caixas.  Literalmente, os bichos saltavam junto ao estrondo que fazia a desova, era claro também, num sentido metafórico que todos saiam correndo enquanto as caixas eram arremessadas do céu, visto que em suas ultimas vezes o pão que surgia do céu esmagava um ser vivente, na terra. Uma noite, enquanto o terror instaurado desfazia-se em trevas, ouviu-se ao longe uma simples voz, aguda, calma, calmante e bonita. Era uma vez ou outra estridente mas no fim, todos dormiram em paz. Era chamada de fada madrinha. O meio da noite era o mais intrigante, pois chegavam os ditos malvados carniçais, matavam os que não dormiam, em suma, crianças. Cortavam seus pescoços sem muita cerimônia. No recint...