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Mostrando postagens de maio, 2017

Minha azul Moscou

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Eu não acreditei quando você se foi, cá deste lado do Mar Negro, os pés gelam enquanto pisam a neve. Cá deste lado do Mar Negro, procuro compreender por vezes incertas o quanto significaria para mim sua partida. Enquanto estive em Moscou, percebi que os Russos tem uma peculiaridade estranha em suas palavras, assim como todas aquelas vezes em que eu não sabia muito como te dizer, mas, talvez, aquela moça que passava pelo nosso lado enquanto tomávamos um drinque no Dorogaya, não estivesse apenas de cara fechada por estar de mal com a vida, os russos tem uma peculiaridade em suas vidas, desde o nascimento até a morte. Percebemos isso ao ler Dostoiévski, o grande imortal. Há muita paz no território gelado denominado Russia. Apenas não há felicidade. O povo russo é festeiro, se embriaga com frequência e se mantém em uma tristeza profunda. Antes disso, lembra? Nos conhecemos nas ruas de Manhattan, você jogava pipoca aos pombos, estava quente, era primavera e naquele ponto, algu...

A Menina e a Fumacinha

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Observava a tal com muito esmero, a fumacinha branca, branda, calma, leve, quieta. Barulhento o motor, que vive dentro da cabeça dela, este fazia vruuuum... Cabeça pensante da menina que observava a fumacinha com esmero. Ela viajava aos mais estranhos mundos, esfumaçados, até o mais profundo oceano. Navegava pelo Tejo, caindo no Mindelo passando pela Morávia, sim, rasgada pelo Moldava. O que moldava mesmo, era a fumacinha, moldando os pensamentos sozinhos da menina que a observava atenta. Nos mais singelos movimentos, a fumacinha fazia-se presente e sumia, se esvanecia no ar, aparecia, como quem não quer nada, sumia como quem não dizia nada. Quem dizia era a menina, contracenando com aquela que hora surgia e hora ia. Começava um jogo, um jogo só, após um dia pesado, arrastado, quase caricato, no fúnebre quarto, faziam companhia uma a outra, de um lado o peso do dia, do outro a branca e calma que apenas aparecia, enriquecia o ar com sua leveza e ia. Ao manter-se em pleno e sono...