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Mostrando postagens de 2018

Expressionismo x Belchior

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Quando se fazia necessário, por vezes, buscar em seu leito de morte aquele relógio que era incapaz de marcar as horas e neste momento que olhava os ponteiros retornando às posições iniciais de 12:30:15. Estáticos, todos ao redor faziam parte de um lapso temporal como se o botão “Stop” tivesse sido pressionado. Nada mais ali funcionava, o tempo parou, dizia ele em sua mente, seus movimentos não eram capazes mais. Como num sonho ou paralisia noturna, o choque tomava conta de todo o sistema enquanto olhava para o relógio situado nos 12:30:15. Os aviões de guerra, rasgavam o céu com seu sistema inovador que permitia que o Tenente-Brigadeiro Josh Briggs pudesse atirar em seus alvos sem acertar a própria hélice. Naquela cadeira em que situava no 8º andar do prédio da inteligência Soviética, denominada pelos Britânicos de Crash . Todos os Nazistas que sobreviviam no front, possivelmente iam parar ali. Pavel Liannoff, o responsável pela vingança de cada baixa do exército aliado, já inic...

Tous les Jours - 02

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"Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade." Talvez em um passado muito (ou pouco) distante, já se tenha ouvido uma expressão tão comum quanto escovar os dentes antes de sair para o trabalho, claro que para tal você precisa de algumas coisas listadas a seguir: 1a parte: - Ouvidos; - Orelhas; - Não ser surdo; - Se deficiente auditivo, ter um aparelho que ajude a ouvir; 2a parte: - Escova dental; - Creme dental (ou sabonete, mas não faça isso); - Dentes (ou dentadura, mas aí rola também um Corega Tabs*) - Uma porta (ou algo que se sirva para sair de algum lugar) e; - Um trabalho (seja lá qual for). Mas, voltando a real ideia sobre a expressão, enfim, eis que já ouvimos falar “fulano é louco!”, “será que você não poderia ser mais normal?”, “sicrano é maluco! Um doido!” e etc. Chega-se à conclusão de que de certa forma as pessoas loucas são mais atraentes em todas as vias. Ninguém é seduzido por alguém passando com cara de merda na ...

Tous les jours - 01

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Certa noite, Chico ao passar por um bar que estava fechando observou que foram esquecidas três cadeiras para o lado de fora, ele estava um pouco embriagado, mas pensou bem, resolveu levar as cadeiras embora e na rapidez empilhou-as e levou até sua casa, uns quarteirões a frente. Na manhã seguinte, o bar abria enquanto Chico entrava pela porta com um ar de preocupação, queria falar com o dono do estabelecimento. - Olá, bom dia. – Disse chico. - Olá, como vai? – Disse o dono do botequim - Vou bem, obrigado. Gostaria de saber se não gostaria de comprar umas cadeiras, dessas de bar, tenho algumas em casa e, sabe como é, depois da mudança acabei precisando me desfazer delas. - Hum, elas são brancas? Com o símbolo da Antártica? - Sim são. Engraçado, são iguais as que você utiliza em seu estabelecimento. – Chico tinha um ar de conclusão, mas estava bem aflito. - Eu entendo senhor, mas, sabe como é? As coisas não vão bem aqui no bar, bem, serei direto – Neste momento,...

Le temps rugit comme un lion

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Todos os dias buscava encontrar-se em uma esquina qualquer, no meio de um bar, daqueles que tocam os famosos blues. Um furacão poderia ameaçar mais uma vez aquele dia com semblante cinza, poeirento, cru. Não havia mais uma pessoa sequer na rua, todos estavam escondidos com medo e ela ficou ali enquanto os ventos pareciam aumentar a intensidade e carregar consigo tudo o que poderia perante sua força. As pessoas dentro de suas casas, acessando o porão enquanto aquela moça de estatura média, cabelos cor de arco-íris sentava-se no meio da rua, entre os carros. Parecia admirar todo aquele espetáculo de coisas voando, casas sem telhados. As caixas de correio mesmo chumbadas no chão, ainda pareciam criar vida diante daquele momento, saltando entre a folga dos parafusos, algumas se soltavam e levavam consigo memórias, notícias, propagandas e afins. A inercia trazia um pouco mais de encanto ao compreender que a cidade se destruía aos poucos e nem sempre tudo era culpa dos ventos que zun...

Missão KGB - Kiev - Parte 1

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Quando estava pronto para retornar a sua casa sentiu uma vertigem que o fez deitar novamente naquele quarto de hotel, denominado “O Uivo”, tudo o que era feito ali ficava ali, e não seria diferente com o Rostkov, codinome de nosso personagem que não terá a identidade revelada. Ele fazia parte de um grande esquema de infiltração da polícia secreta em Kiev. A cúpula de altas patentes do Kremlin continuava ali no subsolo aguardando o sinal para deixarem o local. As forças da Zvezda, responsável pelo tráfico de narcóticos da região que se estendia da grande Kiev a Donetsk, pressionavam o cerco feito naquele bairro, mas nunca desconfiaram que “o Uivo” seria quase um QG das forças armadas da antiga KGB, a hoje FSB. É claro que eles nunca desconfiariam. O dono sempre foi muito confidente com todos e inclusive parecia que as vezes jogava para os dois lados, como se ali fosse uma espécie de área diplomática. Todos poderiam entrar e sair como quisessem, porém, era proibido a divulgação...

O vazio das estrelas - Ponto chave

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É um mundo preto, que no máximo se torna cinza. É a saudade de um lugar que você nunca esteve. É o choro sem sentido algum. É a vontade de passar o dia na cama e não haverá nada que mude a sua vontade. É aquela dor incessante, como uma mordida na unha onde a carne se mistura com a pele seca, com a lasca. É o cachorro que late de madrugada, a madrugada toda, toda e toda ela!!! Em meio a isso tudo a gente levanta da cama e tenta levar o dia, alimentar o corpo, pensar em boas lembranças, trazer de volta aquela esperança. Mas sabe quando você apenas de lembrar do monstro, ele surge de novo na sua cabeça? O problema é esse, é a mente tentando dizer que chegou ao limite. É uma forma de quebrar as barreiras do imaginário e por em prática o plano “Shutdown” e você entra em  um estado de hipnose. É um questionamento sem fim sobre o que realmente importa e a resposta nunca sai do zero. É um vazio impreenchível dentro de um corpo inerte. É um corp...

Crônica - Página 2B - Domingo

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Era azul o mar por onde as caravelas deslizavam como a patinadora desliza no gelo. Com certa leveza e ao mesmo tempo técnica para realizar seus saltos e manobras que só são possíveis com muitas horas de treino. Assim como a madeira das caravelas que passaram por muito tempo crescendo como árvores, maturando como tábuas e envergando no martelo e marreta na confecção do casco. O mar por sua vez, desde o inicio era azul, naquele momento em uma analogia próxima, nem mesmo o gelo onde a patinadora desliza seria tão puro quanto os mares nunca dantes navegados. As gaivotas davam o sinal, a brisa com cheiro de terra molhada traria ao grumete a sensação mais nobre e aterrorizante de sua vida. Ele sabia que era um caminho sem volta, já que parte da tripulação sempre ficava em terra firme sofrendo as mazelas que todo descobridor sofria. O capitão ordenava a descida do barco com quatro homens, para reconhecimento de terreno enquanto o restante se preparava para uma invasão em caso de nativos...

De Fyodor a Faber - Lembranças e notoriedades

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Faber, as vezes me encanto em saber que está por aí. As vezes eu me olho no espelho e vejo um tanto de você. Lembro dos dias que toda a família te chamava para observar os campos ainda verdes do início do outono e você raramente saia do porão. Enquanto Pyotr ainda ansiava por melhorar as apresentações na corte e toda aquela preparação da Ekaterina para o baile real. Lembra? Claro que não, eu sei. Você sempre esteve parado no tempo para esses valores mundanos. Eu sei, você está hoje onde sempre sonhou. Eu temo que não volte mais, mas, enfim, gostaria que soubesse que estamos todos bem, de certa forma. No oriente médio lançam bombas químicas, gases, como na primeira Guerra. De fato, receio termos que voltar a utilizar as máscaras da peste, mas, hoje sou apenas eu ainda neste espaço/tempo indefinido entre o firmamento e o que chamamos de limbo. Não reclamo, apenas vago pelas entranhas desta terra sem escrúpulos ou momentos prazerosos. Creio que Walt Whitman tinha receio de compreend...

BlastFêmea

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Antes de começar a seguem algumas notas para facilitar a compreensão: >A consciência fala em CAIXA ALTA; >Cuidado; Ligue o som, comece com um Jazz bem calmo... Ella Fitzgerald – Summertime. https://www.youtube.com/watch?v=XivELBdxVRM Boa leitura. Tudo começa aqui...  Então, os olhares se trocaram durante aquela música. Vocês sorriram um para o outro, um chegou, se trombaram e pá! Vocês dançaram a noite inteira e simplesmente se divertiram como não houvesse amanhã.  - Que incrível. - Uau!  Como num sonoro Jazz as coisas fluíam bem e tudo o que você poderia dizer era... - Uau! Flores chegaram em sua porta, em seu trabalho ou em seu habitat. - MAS VOCÊ ODEIA FLORES - Ele ainda no auge de todo um amor a primeira vista, mantinha a posição de enviar flores a todo o momento considerado especial. Você não queria “estragar” a coisa, mas confesse, já estava cheia daquelas rosas, hora brancas, hora azuis, hora vermelhas! - QUE CA...

Contos Maconheiros - 01

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Um casal de velhinhos sentados na varanda, a brisa batia leve, cada qual em sua cadeira, estavam quietos. Ele com um leve sintoma de Parkinson portanto era ela quem dichavava e bolava o baseado. Cigarro pronto, Tânia olhou para David com um semblante alegre, ela queria por fogo logo naquilo e David sempre calmo, pediu para que ela esperasse um pouco, ele ia ao banheiro. Passados uns 20 minutos, David voltou e Tânia estava ansiosa questionando: - Por que demorou tanto? - Acha que é fácil limpar a bunda com as mãos tremendo? - Grosso, era só ter dado um peguinha, estaria tranquilo. - Eu sei, mas você fumaria tudo antes de eu voltar. - Eu seria incapaz disso. - Sei, cachorrona. Acende ai essa birosca. - Falou a minha língua, seu bocó. Tânia acendeu, como de costume, quem bola sempre acende.  Deu 1, deu 2… olhou para David, que já aguardava sua vez. Esticou a mão com o baseado, tentando passar, mas as mãos tremulas dele não permitiam que ele de fato agarr...

Volcano

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Caminhando sobre os desertos de uma mente já disposta a se desligar. Tudo aquilo era tão inóspito quanto Fukushima após o desastre nuclear. Mas como mencionar Fukushima sem adentrar nas memórias, quando o mundo era vazio. Acreditava-se tanto que cristo era o salvador que no final das contas o mataram. Enquanto isso, os seres humanos se projetam para fora do planeta buscando novos locais e novas colheitas. Num piscar de olhos estamos caminhando em campos verdes, carvalhos refletidos no lago. De certa forma fechar os olhos novamente nos devolve ao deserto intelectual. Tudo se derrete como em uma composição de cera exposta ao fogo. As cordas e correntes ainda nos prendem neste espaço vazio e cheio de oxigênio, mas, até onde, até quando? Enquanto piso nos lagos incandescentes sem sentir meus pés. Vulcões me reduzem ao simples humano, mas o pleno voo me eleva ao ser supremo, conhecer o chão que pisa por vezes não se vale de nada se a vontade de o pisar não existe. Ascendia ao pont...