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Mostrando postagens de janeiro, 2019

Devaneios

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É sabido que quanto mais conhecemos da história, mais deprimidos ficamos após confrontar os ignorantes repetindo o mesmo ciclo. A história serve não apenas para nos deleitarmos sob as pinturas, esculturas e restos mortais, ela serve como uma questão evolutiva para que tenhamos um norte ao criar, olhar e agir, assim como entender as variadas formas de chegar a algum lugar e também de como não proceder em outros casos. O que vivemos hoje é nada mais do que uma mescla entre a necessidade de evolução e a incapacidade de compreender os ecos do passado. Entramos é claro em várias outras vertentes como o descaso de governos perante as nações que realmente necessitam de ajuda. A ideia parece absurda, mas ao mesmo tempo não podemos deixar de compreender as perspectivas entre os continentes e ainda chegando ao consenso de que as nações se tornam insulares quando se é falado algo sobre doação. Empresas multinacionais pedindo a ajuda da população para levar água potável para África e Sud...

Tous les jours - 03

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Certo dia Antunes e Léo conversavam como quem não quer nada, aqueles papos de bar em que se programam viagens, falam sobre sagas épicas passadas na vida, futebol, mulheres e etc. Bem naquele momento que o Antunes falava sobre uma transa que teve com sua esposa quando ainda nem namoravam. Antunes lembrava bem daquele dia como o dia em que eles “fizeram amor” ao luar chapados de cogumelo, aquela devia ser uma lembrança e tanto, concluía Léo com aquele ar de deslumbre. Já o Léo tadinho, não tinha muito jeito com as mulheres, ninguém sabia explicar, ele travava, mas gostava muito de flertar, conversar, era um cara legal que encontraria algum dia alguém pra ele. Isso era o que Antunes sempre dizia, não que o Léo quisesse namorar, se casar, ter filhos... ele mesmo, nunca foi enfático neste assunto, era mais fácil encontrar Léo debruçado no balcão do boteco do que em uma baladinha “playba”. Juca estava ali também, mas estava quieto, e ambos notaram. Ao mesmo tempo ele estava olhando...

Simplório da Silva

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Aos 48 do segundo tempo, nascia um homem tão calmo quanto o espelho d’água dos palácios dos contos de fadas. Simplório, nascia de parto normal em um parto que todos estavam bem calmos, a mãe quase não fez força ou sofreu, o pai estava ali ao lado, bebia um gole da cachaça de engenho que ele mesmo produzia em seu alambique quase que pessoal. Era um pequeno bebezinho, tinha a face humilde, nascera sorrindo e assim que nasceu os pais olharam para ele e disseram juntos, humildade, mas, quando notaram que se tratava de um menino, tornou-se Simplório, Simplório da Silva. Durante toda sua infância Simplório dava a entender que talvez tivesse algum problema cognitivo ou de dicção, era sempre feito de bobo pelas crianças ditas mais espertinhas. Eles riam de seu nome “esquisito”, praticavam o tal bullying comendo sua comida, enfim, as famosas “brincadeiras” que as crianças se sujeitam a fazer com os amiguinhos. Simplório era de fato muito calmo, a ponto de não esboçar reação a não ser ...

Les Gens Disparaissent Tout le Temps

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Como numa reprodução, o pintor abusava de tons escuros e tons amarronzados, tanto que naquele momento que o tripé bambeou e a tela foi ao chão, a tinta rabiscou toda para o lado da pancada. Aquela mistura de tons amarronzados e escuros por incrível que pareça se misturaram em alguns pontos e por trás daqueles rostos antes pintados com certas feições mais alegres estavam monstruosos e na tentativa de modificar aquilo tudo, acabou encontrando saídas não muito convencionais fazendo com que todas as faces desta vez se tornassem sarcásticas. Em um riso macabro que viria mais tarde de seus pulmões, boca e feições, havia um espectro ao fundo da tela como se fosse saltar dali para fora que o fez pensar duas vezes antes de dar o toque final ou então dar um trago no whisky. Querendo ou não, abandonar aquilo tudo não era mais possível, ele estava preso entre as ferragens e anseios, entre os nobres e famintos, ele estava ali, preso no meio dos dentes do monstro que pintou. Não tinha mais...