Certa vez eu estava sentado em um banco de praça, lendo um jornal enquanto observava as pessoas passarem, cinzas, rotineiras e espaçadas. Parecia que o tempo não havia de ser tempo num calculo quântico sobre variáveis de um mundo moderno. Os carros rasgavam as ruas inóspitas a outros seres mundanos, dotados de imperfeições e escarrados ali no meio. Uns desejavam o fim, outros temiam o ser maior de acordo com sua crença. Eram cinzas as pessoas e os pombos que por hora atravessavam o meio fio de suas vidas, passo a passo, hora lentos buscando sustento entre as rachaduras infinitas do asfalto, hora levantando voo em ascensão as arvores que o vento tentava por sua vez derrubar, estas se contorciam cheias de anseios de uma vida inteira no mesmo lugar desde a semente até o fato de se romperem as fibras e ao chão se tornariam mais uma espécie de abrigo, porto seguro, ou, quem sabe, mais um ser vivo decadente em meio ao caos mundano. Me chamava a atenção a moça que vendia flores, tornand...