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Mostrando postagens de setembro, 2011

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Ela sentava-se na areia admirando o sol. As ondas ainda se quebravam nas pedras tornando um cenário digno de um amanhecer. O mar parecia calmo com as marolas que mal chegavam à praia, enquanto um avião riscava o céu azul com algumas nuvens se desmanchando com os ventos matinais. Era uma cena bonita, como aqueles cabelos negros que repousavam por suas costas bem definidas. Um olhar para o lado a fez perder um momento do sol que subia sem trégua, o vento levou aqueles cabelos a favor de seu rosto, balançou a cabeça a fim de retirar os fios que atrapalhavam seus olhos e o objeto que desviara sua atenção. Ela observava os carros passando pelas ruas que faziam fronteira com a praia, a divisão entre o urbano e o irreal, aquela praia não fazia parte da cidade assim como a cidade não fazia parte da praia, assim como ela não pertencia a nenhum mundo. Dificilmente saberia explicar qual o mundo que ela pertencia, talvez não fosse cidadã da vida mundana, talvez fosse a ultima sobrevi...

Carta

"Este é um texto pessoal, uma carta para alguém que está longe e que hoje resolvi sentir falta, me peguei com os olhos mareados numa conversa que tive com um amigo." Araraquara, 29 de Setembro de 2011. Elderzinho (era como eu te chamava né?), bom dia. Sabe quando você não vê alguém por muito tempo e de repente você se dá conta que realmente faz tempo mesmo? E essa pessoa sumiu da sua vida e a única lembrança que você tem, muitas vezes está ligada a objetos? E no ultimo contato que tiveram foi simplesmente aquela coisa mais próxima, um ultimo abraço que você nem sentiu direito? Alguma coisa foi dita, algo como um volta logo. E não voltou logo, fez seis anos faz algum tempo, não sei se fizeram mesmo, talvez até sete já, levo em conta nossas idades para designar o tempo que está longe. Este mês se foi e você ainda não voltou. Eu sei, está tudo bem aí do outro lado e que um dia pretende sim voltar, rever nossos velhos, talvez tirar umas férias com e...

Conto de Fadas

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A princesa rejeitava o pobre príncipe, ele declarava seu amor por ela de várias formas e foi no dia em que ele comprou flores para ela que o bicho pegou: Trago-lhe flores, minha princesa mais bela... Flores? Nunca recebi flores, elas cheiram a culpa! Não são de culpa. São de quê? São de amor. Amor? Que amor? Você disse que eu sou a mais bela, isso quer dizer que você tem outras menos belas. E você deve ser fiel a mim e somente a mim. Que amor é esse? Calma, foi só modo de dizer o quanto você é bela, não quis dizer que tenho outras. Se não quis dizer, é porque tem. NÃO, NÃO TENHO! Não grite comigo, seu grosso. (ela chorava) Desculpe, é que você me tirou do sério dizendo esse tipo de coisa. Não desculpo. Ai Jesus... Jesus? Quem é Jesus? - (boquiaberta) - Você é gay? Foi somente uma expressão. Calma, não sou gay. E se fosse? Qual o problema? Você tem preconceito? Claro que não. Tenho amigos gays, o Romeu era gay, morreu de amor pelo pai da Julie...

Esperança

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Aquelas cores que se formavam no azul do céu daquela cidade extremamente poluída, tornava o céu um tom de marrom meio vermelho. Na junção entre o firmamento e o horizonte revestido pelos prédios. Aquelas ruas extensas, onde as luzes vermelhas dos veículos reluziam o crepúsculo. Caminhar por entre as ruas, pontes e passarelas daquele sol que já se punha antes mesmo da hora do rush, era como enfrentar a vida e a morte num só momento. Voltar para casa era não só um caminho, mas uma missão. Indecisos se permaneciam na faixa 2, para seguir em frente ou então talvez a faixa 3 para sair da marginal, faixa 1 de segurança. Os motores exalavam aquele cheiro característico do catalisador e o perfume das rosas plantadas no canteiro daquela corporação multinacional mal era provado pelos que passavam por ali trancados e vedados em seus veículos com ar condicionado. O sol como dito, já estava posto, enjaulado, o frio já tomava conta dos corações e das saudades, os bares começavam a se enche...

Identidade Preservada

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Era passional seu modo de enxergar o mundo, seu desgosto pela vida tomava proporções catastróficas, todo aquele amor com que via um animal brincando com sua bola ou admirava as flores desabrochando no canteiro entre as ruas que iam e vinham. Não aceitava nenhum tipo de maus tratos tanto com a natureza ou com os seres que dela vinham. Aquele ser indígena caçava para viver, tirava seu sustento e somente seu sustento da terra. Matava sim os animais, para se alimentar. Cuidava da mata com sua própria vida. Protegia-se com sua mascara feita com tinta natural retirada do urucum. Mantinha seus olhos abertos contra qualquer ameaça à tribo. Cuidava para que nenhum predador se aproximasse. Caminhando pela rua entre os prédios de concreto, se sentia enclausurado, era o modo como via aquelas pessoas ao seu redor, uns vestindo seus melhores ternos, outras tinham roupas rasgadas, ele não tinha idéia do que se passava ali, uns atiravam moedas para alguns que estavam sentados no chão, estes ...

Adormecido

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Janelas abertas para que as estrelas observassem o sono perpétuo daquele que nunca adormecia, e que desta vez adormeceu. Aquele pedaço que existia, de alguém que não estava ali fez lembrar-se de uma manhã na qual foi dormir observando o sol, a claridade que batia na janela era algo bonito, tinha um desenho meio irreal, sorriu discretamente com uma lágrima que escorria de seus olhos. Sentiu o peso de uma saudade no peito. Observando sua imagem refletida no espelho entrou em declínio. Um turbilhão de sensações tomava conta de seu corpo, que até então não tinha idéia do que era capaz de sentir. Entrou em parafuso... Convulsões, epilepsia e AVE (Acidente Vascular Encefálico). A madrugada fria não tocava seu corpo, acostumou-se ao clima por querer. Era assim que aquele quarto vazio o esperava toda noite antes do sono não vir. Viria dias depois, acompanhado de uma leve dor de cabeça, uma dor que o paralisou. Mas não doía mais, não fechou os olhos aguardando o arremate, assistiu a cena abert...

Documentário Lisboa

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O amanha surgiu como na mais bela poesia de Camões, Lisboa já não era mais a mesma. Ao som dos bandolins, caminhávamos rumo ao porto. Navios cargueiros com suas rotas alteradas avançavam sobre a praia. Fora daquele momento, minha mente se partia em duas. Não sei se os navios de cristal que roubavam a cena. Três jovens brincavam no cais durante um espetáculo teatral que ocorria. Aproximei-me e já ganhei o chapéu desembolsando dois euros de minha carteira, vi o ator sorrir de modo que pedisse que eu sentasse por ali mesmo. Elas pairavam no ar com suas cantigas e beleza inocente de crianças. Seus vestidos coloniais, roupa de gente simples, mas na capital portuguesa havia espaço para isso? Talvez alguma festa folclórica. Aquele ator viu que não prestava atenção em sua cena (realmente não prestava), ele se colocou em minha frente, estendendo a mão, pedindo para que eu fosse até o palco improvisado participar da atuação. Ele estava vestido de arqueiro entregando-me uma maçã. Entendi logo a ...

Adormecer

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Definindo ainda as partes do corpo que se moviam no modo automático, tudo era tão mecânico quanto um motor sem partida elétrica, desde a respiração que acompanhava o movimento do peitoral, até mesmo o diafragma que impulsionava o processo. Os músculos sentiram aquela dor, cada pedaço cada fibra. O estomago gelava e não sabia por que. Estava pesado se remoendo, contorcendo, barulhos estranhos e sem significado exato. Aquele gosto amargo na boca não era sua culpa, o fígado que cheirava à ressaca, a dor era interna. Um turbilhão de sentidos, diziam os termos científicos, existirem apenas cinco, ah... Tão pouco, para tudo aquilo. Uma leve brisa acalmava o que se sentia. Mais em cima, havia um ser que batia compassadamente, mas no descompasso é que embriagou a maquina maior. Surgiram vertigens, tonturas e uma série fatores que normalmente são feitos de silêncio e sombra. Os batimentos acelerados indicavam uma substância que faria com que a maquina explodisse em movimentos rápidos, mas sem...

Mais uma de Super-Herói... primeira parte

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Resolvendo por um fim à própria vida, uma garota no auge dos seus 13 anos, ao ver seu pai morto com três tiros na cabeça, desferidos por um policial. Seu pai era um advogado bom, mas como definir um advogado bom? “Advogado bom” é aquele que trabalha com a lei e não com suas brechas a fim de criar escapatórias para uma eventual punição. Porém, infelizmente, a lei não é cumprida por todos. Dr. Glover era seu nome, típico homem da casa, batalhava, sim, para um mundo melhor. Não abraçava causas que não cumprissem os bons costumes (como ele mesmo dizia). Não defendia bandidos nem se colocava em esquemas de corrupção, um homem íntegro. Naquele dia beijou sua mulher, Sra. Glover como era chamada (tinham este costume, o nome era dito somente aos íntimos, o que ainda não é o caso), chamou Sarah, sua filha, nunca se atrasava para o início das aulas e nem Dr. Glover para abrir o escritório ou para alguma audiência. Encontrou alguns amigos durante a audiência daquela manhã, a causa estava ganha,...

Papo de Elevador - nº 3

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O som que se ouvia naquele andar, era hora forró, hora samba e pagodinho... O Silva que era apenas o faz-tudo da empresa (geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da sexta, a mortadela da terça e passa o cafezinho todo santo dia. Há, ele também ganha pouco), se libertou desta vez, fazia um churrasquinho no banheiro feminino, sim no feminino. E ainda gritava:  - TEMOS BACALHAU ASSADO! A dona Clementina se revoltou ao ouvir bacalhau assado...  E nem norueguês era o bicho. Talvez fosse somente algum peixe bem salgado, que o próprio Silva preparou em sua casa, naquela mesma bacia onde tomava banho. O Silva realmente estava maluco, não só perderia o emprego, como de quebra seria torturado, molestado, morto, decapitado, “decapitulado” (sim, ele seria morto por capítulos, para não dizer “versiculado”, utilizando de uma bíblia). Dona Clementina não poupou esforços, correu até a sala do manda chuva, no 5º andar e já entr...

"SocioPolitizado"

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Matinal. O sol nascente. A lua com sua noite se desfazia. As estrelas tão longe, não sabiam ao certo como não conseguiam se desfazer. Talvez tão pequenas ou talvez tão brilhantes. O som das correntes que aprisionava o mar em volta daquela ilha de imensidão. O sofrimento daquele povo acordava todos os que estariam em volta. O mar chegou, infindável com suas caravelas. O índio, despido, sofreu com a nudez. Enquanto o descobridor ao lançar suas teses e idéias em sua língua nativa. De nativo, só os índios que sofriam com aquele descaso. Matavam cavalos, pensando ser o europeu uma espécie de monstro com duas cabeças. As caravelas atracadas no mar aberto assistiam aquela cena de horror. O mar, coberto de sangue. O nativo morto na areia. O descobridor lanchava na sombra e água fresca. As índias não foram descobertas. As mulheres estupradas. A verdade deturpada. O Sol queimou de raiva. Naquele dia que a lua se escondeu de vergonha.

Santuário

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As luzes refletidas na parede da igreja em que estavam mãe e filha, poderiam observar com clareza alguns desenhos que se formavam a partir daqueles vitrais, as cores fortes se misturavam as gravuras existentes na parede e no ápice onde o astro rei ascendia aos céus, via-se no centro daquele altar um objeto de desejo de muitos, aquela cena profana que mantinha   acesa a chama das velas. A mãe em respeito a filha, apenas tampou seus olhos com uma das mãos. Não permitindo que aquela criança obtivesse aquela visão impura. Nada adiantou, foi tomada por algo ruim, ela sorria com um sarcasmo digno dos demônios que viviam do lado de fora daquele solo sagrado. Entrando pelo feixe de luz, as cores fortes desenhavam um cenário surreal, seria o único momento em que o solo poderia ser tocado pelos impuros, a hora do confessionário. O padre com uma túnica vermelha e detalhes em preto, proferia suas palavras de desgosto aos pecadores e de arremate pingava-se água benta nos olhos dos ditos-cujos...

VerdeCinza

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Acordar de mais um dia, percebia que não havia nada que manteria seu corpo adormecido naquela cama. Levantou, lavou seu rosto apenas e aquela casa se via distante após iniciar uma caminhada matinal, um tanto quanto incomum, pois caminhar não seria lá seu esporte preferido ainda mais numa manhã tão cedo. Um propósito tomava conta daquele corpo, algo no fim daquele caminho, faria com que a dor nos pés descalços causada pelo frio que fazia naquela manhã fosse suportável, a dor vinha também do mato cerrado e seco que os pés pisavam. Uma dor aguda que os fazia fraquejar no passo. Chegar ao destino não houve espanto, saberia o que o esperava ali, uma paisagem negra, o mato foi exterminado pelas chamas que ainda ardiam, alguns galhos retorcidos pelo fogo e outros estavam em chamas ainda. Aquela visão mórbida fazia mal aos olhos e embrulhava o estomago. Os pés cercados pelas cinzas se aqueciam no fogo que ainda existia naquele tronco derrubado na noite anterior. Peso na consciência por aque...

Sublime

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De certa forma ao tocar os céus, aquele avião se partia em dois. O fogo transformava em poucos segundos tudo aquilo em cinzas, consumindo cada ser vivo dentro daquele que se chamava de fornalha.  Um para-quedas aberto deslizava das alturas em direção ao solo. O herói em sua forma mais fantástica, o alter-ego deixou de ser para se transformar em ego. Enquanto a queda era a unica certeza, ele veria que o horizonte jamais poderia mudar sua posição e que por mais relativo que fosse o método a se observar, a observação seria a mesma. Ele viu o mundo que ninguém podia ver, ele viu lá de cima após ter o corpo incendiado, reduzido a carbono, após ver todo o sofrimento das pessoas ao redor, o desespero de todos aqueles entes queridos que por mais desesperados que estivessem, nada poderiam fazer. O acidente aéreo consumando-se, não houvera sobreviventes. Aquele para-quedas era somente ilusão, um fato proposto pela mente da garota que aguardava pelo herói ...

Excêntrico

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Hoje eu acordei para o sonho. Adormeci para o mundo. O sonho me foi chamativo, as luzes que surgiam como lanternas eram apenas estrelas que vinham dos olhos mais lindos. Aqueles dois olhos negros, que refletiam a luz que a lua emitia. Aqueles cabelos explodiam em multicores, revelando então a chamada aurora, carregada de um ser extraordinário usufruindo do deus maior, me causava arrepios aquele toque leve e suave nas costas. Pedia-se misericórdia diante do purgatório perante o altar, o sacrifício poderia ser se caso não fosse. E assim a roda girou, o mundo se tornou mundo e o sonho ainda permaneceu intacto. Causando-me efeitos, dominando o que poderia chamar de realidade. O real, me fez crer no irreal, o sofrimento me fez buscar a única saída, o alívio, o sono, o sonho.

Documentário Hiroshima

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Hiroshima, 6 de Agosto de 1945. Alto valor industrial, quartéis da Quinta divisão e o Segundo Quartel-General do Exército de Shunroku Hata, Marechal que comandara a defesa de todo o Sul do Japão durante a segunda grande guerra. Hiroshima estava exatamente como no inicio dos conflitos, considerada uma base menor e de pouca importância aos olhos dos aliados, não seria suficiente para armazenar e transportar suprimentos para as tropas japonesas. A cidade então, com o desenrolar da historia que marcaria a humanidade tornou-se um centro das comunicações. Os edifícios de concreto armado contrastavam com as casas de madeira, a cidade poderia facilmente sucumbir ao fogo, uma população de mais de 350.000 habitantes, estava reduzida a pouco mais de 250.000 (baseado nos registros do governo Japonês), devido à evacuação sistemática da população. Avançava pelo céu Enola Gay (B-29) trazendo consigo Little Boy. Em Tóquio, perdia-se contato com a estação de radio de Hiroshima, seriam os primeiros ...