Esperança


Aquelas cores que se formavam no azul do céu daquela cidade extremamente poluída, tornava o céu um tom de marrom meio vermelho. Na junção entre o firmamento e o horizonte revestido pelos prédios. Aquelas ruas extensas, onde as luzes vermelhas dos veículos reluziam o crepúsculo. Caminhar por entre as ruas, pontes e passarelas daquele sol que já se punha antes mesmo da hora do rush, era como enfrentar a vida e a morte num só momento. Voltar para casa era não só um caminho, mas uma missão.

Indecisos se permaneciam na faixa 2, para seguir em frente ou então talvez a faixa 3 para sair da marginal, faixa 1 de segurança. Os motores exalavam aquele cheiro característico do catalisador e o perfume das rosas plantadas no canteiro daquela corporação multinacional mal era provado pelos que passavam por ali trancados e vedados em seus veículos com ar condicionado.

O sol como dito, já estava posto, enjaulado, o frio já tomava conta dos corações e das saudades, os bares começavam a se encher, uns procuravam calor nos destilados e outros nos amores, se queixavam da vida com o garçom amigo que sempre os servia com o mesmo carinho de um pai, isso mesmo, o “garção” amigo, também sabia a hora de cada um para a saideira, para retomar o caminho de casa e claro ligar para um taxi caso o tão amigo cliente estivesse dirigindo.

As memórias que a metrópole guardava, viviam em algum lugar pequeno, pedaços de coisas que surgiram em suas vidas. Vivem com elas e com aquela sensibilidade que elas trariam de alguém ou alguma coisa. Momentos bonitos, tristes e até mesmo os mais simples. Em um lugar do cérebro residem as pessoas que surgem e se vão, alguns ficam para fazer desta memória, uma historia e a indecisão do ser de que uma memória deve ser apagada nunca é simplesmente aceita. Memórias, ao mesmo tempo em que existem e proporcionam momentos bons de eterno carinho, também machucam e fazem sucumbir a um passado distante e irreversível, cabe a eles, guardar os bons momentos.

Tão aconchegante e tão perversa, a cidade grande costumava ter seus altos e baixos e foi do alto daquele morro que as estrelas se achegaram para brilhar mais perto daquele contemplado, brilhos nos olhos, da sacada podia-se ver o espaço todo, a cidade toda. Estava em seu lar, estava simplesmente a salvo, ele e as estrelas.





Comentários

marcus disse…
Muito bom!

Postagens mais visitadas deste blog

Orgânico

“Não responda esta mensagem”

Bariloche (ou manual de procedimentos técnicos de segurança administrativa aos finais de semana pares, PARES, não Paris)