Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2011

Radioativo

Imagem
Erguiam-se as mãos para um ultimo suspiro, desejando a morte rápida e indolor. Incolor como o pior veneno, todos procuravam manterem-se os mesmos e assim tornavam-se inevitavelmente intocáveis. Havia uma fenda naquele muro. Do outro lado era claro, mas ninguém se atrevia a atravessar a linha de fogo.   Como explicar aquela fuga de massas, o êxodo era impossível, o ar irrespirável. Calma, ferro e fogo. Explodiam os tambores de combustível. O cenário fumê dos incêndios nos campos de concentração. Campos onde a neve clara se confundia com os rostos daqueles que não abriam os olhos. Jamais os utilizaram, não os possuíam. Em sobra, na sombra, pela escuridão. Assemelhavam-se aos animais, sem pelos, sem olhos, com dentes afiados, amarelados. O vermelho que enchia de pavor. Cheiro de sangue, ferroso e doce como tal. Experimentava pela primeira vez a luz, a mesma que abria a mente daqueles que permaneciam trancados dentro da radioatividade do reator abandonado. Eram seres...

Night Sky

Imagem
Olhando na janela daquele quarto escuro, David não sabia se as estrelas apenas brilhavam tão distantes ou se eram pequeninas, confundia as mesmas com os aviões que passavam no céu com suas luzes vermelhas e brancas. O menino de apenas 5 anos chamava seu pai para perguntar o porquê daquelas estrelas se moverem tão rapidamente e ao mesmo tempo piscarem com aquele barulho todo.  Ascendia aos céus o Sol daquela manhã de Domingo, David estava debruçado na janela observando o os pássaros que passavam por ali em vôos cada vez mais perto do telhado. Aquela pipa que estava fazia dias na antena do vizinho, ninguém deu conta que a mesma não se soltaria, a linha formava um varal por entre as casas. Seu pai, que não vieram naquela noite, não viria. David era filho de mãe solteira, largada, o pequeno menino nem ao menos conhecera seu pai. Mas ainda convivia com a idéia paterna que sua mãe exercia sobre tudo. Viviam juntos, como poderiam ser.  O tempo passava e aquele menino nã...

Golden Gate

Imagem
Alcançar o céu já não era o bastante. Queria o infinito, buscava o encontro entre os deuses. Suas asas negras lembravam as de um corvo, voaria cada vez mais alto até que a pressão não mais fosse leve. Sentia a fumaça sair de sua pele, o horizonte cabia em seus olhos e uma lagrima escorria. Assimilando ao dia em que partiu daquele lugar rarefeito. Ainda sujava o céu, seria apenas um ponto negro enquanto caia. Não suportando a atmosfera, explodindo como um cometa sua cauda reluzia o fogo que saia de sua boca. O sopro do dragão inflamava seu corpo. Ainda em chamas arriscando um pouso forçado, rompendo as barreiras do som, criavam-se as nuvens juntamente aos estrondos. A água ainda imóvel recebia seu corpo em formato de pedra, rígida, inflexível... Seus membros deslocados, as asas destruídas pelo fogo apagado pela água. Não sabiam ao certo o porquê daquele fim, o sofrimento contido a fim de libertar-se, sem motivos a ser analisados, sem questões a levantar. Daquele mome...

Código de Barras

Imagem
A fortaleza caiu a meus pés, ao ver aquelas pessoas caminhando no mesmo rumo senti um leve tormento. Minha cabeça pensava, passava do ponto, às vezes, o sol batia no chão refletindo um milhão de cores entre as flores de plástico e coroas. O solo arenoso e venoso se mantinha até o muro que findava aquele terreno.  As pessoas eram identificadas por silhuetas e feixes de luz. Naquele dia o sol ainda se punha e as pessoas me olhavam com um ar de tragédia, cerrava os olhos a fim de escurecer a imagem, nada ali ainda era visível, ofuscado pelos últimos raios me escondi por trás de meus óculos escuros. Sono profundo, ainda escuta aquela cantiga de ninar e não dorme, com medo de que ela pare. Para fechar os olhos somente quando o peso das pálpebras não se faz mais por onde se agarrar, uma lagrima que caía durante o percurso que se criava naquele rosto pálido. Faltava algo, faltava alguém. Aquela musica começava a fazer sentido, escutando algumas crianças cantando em cor...

Papo de Elevador - nº 4

Imagem
Naquela telinha do lado de fora (aquela telinha digital onde se sinalizam os andares) no térreo, podia-se ver os andares quatro, cinco e seis se revezando, quarto andar... Quinto andar... Sexto andar e descia para o quarto novamente, subindo ao quinto e para o sexto outra vez. Dona Clementina olhava para aquilo e batia o pé no chão, esperando que o elevador viesse ao térreo ou que o mesmo caísse no fosso com o autor daquela proeza. A velhota não agüentou mais, memorizou os andares, subiu pelas escadas e parou no 4º andar, tinham uns cinco metros que a separavam da porta do elevador e logicamente do mal-feitor daquela brincadeira. As portas se abrindo, ela pôde ver o braço do Silva  (o faz-tudo da empresa, geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da sexta, a mortadela da terça e passa o cafezinho todo santo dia. Há, ele também ganha pouco) , correu mais que podia com suas pernas já desgastadas pelo tempo de percu...