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Mostrando postagens de 2015

Nebulosa

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Minha pele ainda está quente e meus cabelos levemente arrumados após aquele momento de fúria. Ascendi aos céus e morri no pleno mar de lava e fogo que é o inferno. Eu chamei seu nome, eu busquei seu sorriso e tudo o que tive foram apenas a vastidão de uma área inóspita. Me envolvi com o hábito de permanecer sempre em pé. De joelhos nunca mais eu viveria. Assumi os riscos e hoje um gosto amargo amarra minha boca, prende minha língua. Acabo por mim, por conta, anexando a solidão e a falta de ter para onde ir. É uma vida sobrevivida. Ontem senti seu cheiro, ouvi você me chamar, ontem eu estava esperando você me buscar, dizer que estava tudo bem e que o mundo seria nosso novamente. Ontem, eu vi você partindo, ontem eu assumi me tornar alguém melhor, ontem eu saquei que jamais seremos nós dois novamente. Ontem dormi sozinho, no relento, percebi como o sereno da madrugada é agradável aos cadáveres ao léu. De ontem em diante, os sonares pararam de responder. As memorias se mantém p...

Daniel na cova dos Leões

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Um bicho enjaulado dentro de um lugar que não era mais o mesmo. A mente ia longe, o corpo não mais.  Suas preces por misericórdia tentavam explicar o inevitável, não era medo de morrer ou coisa parecida.  Estava ali, sentada, como uma criança com medo do escuro assistindo o por do sol, sabíamos que a luz artificial não iria muito longe e durante um desastre nuclear, o céu se empanturrou de cinza e marrom. Raios em meio ao pó, chuva esparsa em meio ao clima árido no qual situava sua pele. Parecia medo da morte. Era o que parecia. Enquanto o mundo continuava seu percurso rumo ao entrelaço das galáxias, Andrômeda estaria a 2,3 Milhões de anos-luz. O que diria do ser vivente em solo terráqueo. Uma lágrima escorreu daqueles olhos ao ver que o mundo lhe castigava da pior forma possível, com o medo do tempo o tempo passou. Se entregar a escuridão não é de Deus ou do Diabo, a escuridão por si só é do ser humano, é digno dos seres viventes e pensantes, a dor, o ret...

Hara

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Passando os dias em uma conexão com energias tão seguras e tranquilizantes, já passaram por momentos que você se abstrai do mundo e se vê em uma espécie de bolha? Nestes dias passados me vi descascando um coco, mas ai você se pergunta, como se descasca um coco, com uma faca, ou algo parecido? Não, o modo rustico da coisa, com as mãos, e percebi que muitas coisas na vida se assemelham a descascar um coco sem ajuda de nenhuma ferramenta, a não ser as próprias mãos. Não se iluda que bater o mesmo no chão seria uma rotina, em nenhum momento se pode dar com os problemas assim, jogar no chão para ver se algo acontece. A incerteza tomava conta de minha cabeça quando me via sem uma pedra afiada ou algo do tipo, o método rudimentar nem sempre é o correto. Mas, bem, sem explicações e veremos as considerações finais. Ao verificar o fruto como um todo, percebi algumas imperfeições, e começa por aí, nada na vida é perfeito. Mas para se chegar ao final com alguma qualidade, é necessário que...

Colônia

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Diário de bordo, data solar, calendário gregoriano aos 16 de Outubro de 2075, Marte. Cá em Marte o ser humano ainda não convive com a atmosfera, não somos capazes de respirar lá fora, sobrevivemos em meio aos laboratórios de pesquisa e as cidades compostas unicamente de vida artificial. Ontem alguns corajosos tentaram respirar sem aparelhos e roupas próprias, não duraram muito tempo, os olhos pareciam saltar e eles sufocavam com o ar rarefeito. Alguns outros ainda pensam que é loucura manter uma colonia de povoamento no planeta vermelho. Por aqui já inventaram a mídia, possuímos inclusive alguns outros corajosos que militam contra o estado e pensam em deposição. Atentados a bomba não funcionam por aqui, nem aviões e nem terroristas, aqui, o mal é o ativismo. Após algumas décadas, entenderam que descobriram apenas metade do planeta e a outra metade, inabitada, está sucumbindo aos caprichos do planeta azul. Não há guerras por aqui, não há problemas maiores do que a própria a...

O Silêncio

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Sentado no balcão de um bar, enquanto degustava um pingado para aquecer e esquecer, despertar e pensar na rotina, o barman servia os convidados. Ele girava em movimentos rápidos em sua órbita, cheguei a conclusão que ao mesmo tempo que o planeta gira em função centrifuga, nos afastamos de nosso foco. O mundo ainda segue e as noites insistem em manter o mistério, o escuro. A Lua observava tudo aquilo acontecendo sem se posicionar sobre os assuntos mais macabros, em seu lado escuro, a relação triangular entre os iguais estava mais do que clara, a formação dos astros era algo sublime. Não estou sendo mais do que fui e nem menos que que poderia ser, as memórias se misturam ao silêncio, quebrado pelas palavras do homem que se sentou ao meu lado, semblante parecido com o que a vida nunca disse a ninguém, perseguindo seus sonhos e mantendo sua posição, confortável, eu era único, o homem era alguém que não se mostrava e o Barman com sua face escondida, víamos suas costas, alguém que ele...

Hvarf heim

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Enquanto o vento frio batia em sua face e ligeiramente empurrava-o de volta para o mundo, a vista do alto daquele precipício parecia tão forjada a ferro, concreto, fumaça e asfalto. Os carros passando logo abaixo de seus pés criava um clima de tensão e ao mesmo tempo de alívio, ao fundo um piano dissonante anunciava o triste fim de tantas almas ao largo, distante dos olhos mas ainda assim no horizonte, os arvoredos, chafarizes, pessoas em momentos de descanso e descaso. Entre jornais e revistas, o jornaleiro apontava para as notícias enquanto discutiam politica, entre acusações e defesas não se chegava a lugar nenhum. Felizes dos ignorantes e dos praticantes de Tai-Chi que pareciam vencer a gravidade com seus movimentos lentos e precisos, tinham uma perfeita leitura do funeral que viviam naquele insensato momento, entre uma defesa e um posicionamento arremessavam suas energias e retomavam seus lugares, concentravam, retraíam e reagiam. Um vendedor ambulante passava por ali, bu...

Hallelujah

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Em algumas vezes me pego pensando em um epitáfio... ...sobre o túmulo, construímos um império, mantemos uma vida inteira. Sob o ponto de vista cético das coisas, ergue-se um momento único no mundo: O nascimento de um novo ser. Cada um de nós compõe um pedaço de uma história, a nossa história, cada um finda a mesma como quer ou como pode, as circunstâncias geralmente são trazidas por terceiros, seja pela mãe, pelo pai, pela mulher, filhos, chefe, cliente, animais de estimação, pessoas em necessidade, problemas e mais problemas que a vida nos faz questionar o mundo como um todo. De fato, no fim, você se sente massacrado pelo meio em que vive e tem dois caminhos: Desistir ou continuar, de fato é uma escolha, difícil pelo simples fato de que a vida não lhe agrada mais ou pelos fatos externos que o mundo escolheu para realizar em sua vida. No mais íntimo dos momentos, a única palavra que nos vem a cabeça é o perdão: - Perdoo a todos que me fizeram mal de alguma forma. - Perdoo a ...

Abençoado seja

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Você que me dizia para ter coragem, olhava em meus olhos meu amigo, olhava com aquela voracidade de um leão. Falava das flores, falava da primavera, sentava-se ao meu lado enquanto eu chorava as dores mais sinceras e me abraçava. Você meu amigo, dirigia-se a mim como se eu fosse seu irmão, falava-me sobre tudo e me contava sobre suas viagens pelo mundo. Parecia um pirata, uma mulher em cada cais, uma briga em cada taberna, um tesouro em cada território, seus dias foram contados assim, com toda a experiência de um velho lobo dos mares. Sua bravura compensou todos os anos que fiquei distante. Cara você se foi e eu fiquei, fiquei com aquela má impressão de um mundo incompleto. Fiquei com a bola que jogávamos, com aquela telha que incomodava todo mundo em casa. Fiquei com os jogos de futebol e com o radinho de musica caipira que você escutava. Fiquei com as pescarias e com o papos que faltaram entre a gente, esses papos de homem pra homem, eu ainda era um garoto quando você se...

Entre a mosca e o infinito

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Criamos este universo entre o escuro e o claro. O Sol nascente anuncia um novo dia, começamos a vida antes mesmo de descobrir que algumas outras coisas estão ali a mais tempo que pensamos. Antes mesmo de interligarmos pensamentos o mundo já era mundo, nos resumimos a tantas coisas e descobertas, livros e falhas, somos humanos. Nos protegemos inclusive da luz que em abundância torra a nossa terra, nossas casas, nossas vestes e tudo o que ela toca, uma imensidão nos aguarda do outro lado da atmosfera, calculamos buracos negros e anunciamos nossa grandiosidade, o ocioso é mal visto e a merda nos remete ao lixo. Quantas vezes viajamos no tempo quando nos vimos velhos, usados, maltrapilhos e convalescentes. Ao olhar uma foto de alguns anos atrás, temos saudade de um tempo que não voltará, em escalas humanas, partimos de um lado ao outro do mundo, nos atrapalhamos com os fusos horários e alcançamos o Karma. Enfim nosso tempo de vida se vai, num estalar de dedos. Ditadores caem, ...

Estás errado!

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Dias frios são como pedras, te olham mas nunca saem do lugar. Você sente que elas não se movem e não deixam de olhar para você. Certa vez, olhando o mar batendo nas pedras senti como se a praia fosse diminuindo a cada onda. As pedras estavam ali, estáticas. Me envergonhei de tanta reparo que botavam em mim, pareciam velhas, aquelas que sentam-se na calçada e notam as diferenças... Devem ficar ali por muito tempo para saber o quanto cresci, o quanto algo importa ou o quanto simplesmente a minha moral é duvidosa ao sentar para ver o mar. Duvidosa eram as pedras que incansavelmente comentavam sobre tudo, inclusive sobre as gaivotas que pareciam ficar por alguns segundos paradas no ar quando a brisa batia, elas vinham em direção a praia e retornavam ao mar quando a brisa era mais forte que suas asas batendo em ritmo acelerado e em um mergulho, voltavam ao mar. O Sol forte de verão, as ondas, hora calmas hora inseguras, o semblante dos pescadores que...

Vento

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Céu encoberto por um certo desespero, a chuva insistia em não cair. O Ipê florido, as árvores recostavam como crianças na hora da naninha. Nada ali tinha vida, não tanto quanto aqueles dias azuis de maio, enquanto céu, enquanto vento, por enquanto mantinha-se na espreita, estreito, entreaberto, como uma porta, inerte. O vil, convivia com aquele peso, que no muito mais onde avistava a colina a subir, pisoteava a terra e se sentia como se fosse a própria, levada pelo vendaval no qual situava. Acreditava na justiça dos seres, em plena era tecnológica onde tinha plena certeza donde o mundo era todo criado, não pelo criador mas por uma lógica de programação. Desigual nos termos vigentes pela matriz, casas, pessoas, seres sobrevoando e aterrizando. Aterrorizado com o modus operandi que levava ao findável momento. Numa caixa, encontrou as respostas de um passado distante. Via luz, via de fato, ascendeu ao firmamento no tempo em que as sobras eram o sustento. Rebuscavam o ant...

Num mesmo instante...

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Consultavam os ancestrais Perdiam-se no medo Alcançavam suas preces mais profundas Degustavam uma solidão mórbida Do mesmo apreço Surgiam os puros Nos quais abriam caminhos Para insurgir diante do inverno Pés descalços na neve fria A neblina cobria o acaso Inebriante retorno No qual era triste por simples vontade Os pássaros não mais cantavam Nas esguias arvores retorcidas Buscavam alguma coisa que não sabiam Ascendiam aos céus em sinal de desapego No maior dos riscos Saltavam em direção ao precipício Presunçosos humanos Duvidaram da força deste O amor veio Cortou Matou E deixou saudade...

Lá vem a cidade, adaptação para texto, por Lenine.

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Eu vim plantar meu castelo n aquela serra de lá, o nde daqui a cem anos v ai ser uma beira-mar... Vi a cidade passando, r ugindo, através de mim...  Cada vida  uma batida d um imenso tamborim.  Eu era o lugar, ela era a viagem.  C ada um era real, cada outro era miragem. Eu era transparente, era gigante.  Eu era a cruza entre o sempre e o instante.  Letras misturadas com metal e  a cidade crescia como um animal, e m estruturas postiças, s obre areias movediças, s obre ossadas e carniças, s obre o pântano que cobre o sambaqui... Sobre o país ancestral, s obre a folha do jornal, s obre a cama de casal onde eu venci. A cidade p assou me lavrando todo...  A cidade c hegou me passou no rodo...  Passou como um caminhão p assa através de um segundo q uando desce a ladeira na banguela...  Veio com luzes e sons.  Com sonhos maus, sonhos bons.  Falava como um camões, g emia feito pantera.  Ela era...  Bela... fera. ...

Noturno

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Corria o mais rápido que podia, parava, olhava para trás, respirava. Hora tranquilo, hora desconfiado. O rodo praticamente veio do nada, num impulso sistemático acabava por fazer pular na primeira rota que coube. Assolava um dos membros machucado e mancava de certa forma a se moldar as passos estranhamente aflitos. O céu, escuro, era noite, as estrelas e a lua pareciam distantes a olho nu, olhos de gato. Garras que ainda mantinham a destreza. O negro cruzando a rua ainda longe de qualquer suspeita, perecível. Num gemido de dor ainda que provisório, buscava abrigo do sereno, rosto inchado. Arriscou um embalado momento, derradeiro, defectivo... estava usando de seus dons para prever o fim. Mais um objeto atirado onde fez com que fosse arremessado ao relento. Não sabia mais se seria aquele o último suspiro. Malditos caçadores extremamente audaciosos. Diziam capturar a preza sem lamentos enquanto os golpes deferidos se referiam ao coração, pulsos... Respiração resultante num furo ...

Laços do Passado - Capítulo 1 - Introdução

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Consuelo caminhava pelas ruas da cidade de Monterey, a 15 anos procurava sua filha que fora tirada de seus braços na maternidade “Santa Maria de Guadalupe”, quando em uma das portas enquanto saiam os familiares da família Castillo e Castro. Murilo Adolfo, o herdeiro da família riquíssima e tradicional de Monterey, saia com seu carro esportivo pelas ruas da cidade. Em um cruzamento não avistou Consuelo, mas evitou o pior com uma manobra arriscadíssima, freando bruscamente. Trocaram olhares enquanto Murilo saia do carro às pressas para verificar se ocorrera algo grave. Antes que pudesses trocar qualquer palavra, ela desmaiava em seus braços. As crianças eram deixadas no internato após o fim de semana pelo chofer Cristaldo, filho de uma das empregadas da família, a Adelaide. Outra das empregadas, Francisca, era irmã de Adelaide, mais velha e estava a mais tempo com a família, cuidava exclusivamente dos interesses da Avó, Blanca. Entre as crianças, Otávio o mais novo, Carl...

A leveza das coisas comuns

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Cada vez que olhava para o lado tinha uma nova perspectiva. Seres dotados de gigantescas formas, como em “confortabily Numb”, do Floyd. Criava-se um modo no qual nada houvesse sentido a não ser o próprio ego que gritava dentro de si. Alter ego tornava-se um estranho e sentia-se mal com os poderes que assumia num curto período de tempo, a casa dos espelhos, em ruínas tão bem fundamentadas que o único meio de transmissão eram as pontes sinápticas. A queda. Num estranho senso de direção que apontava o norte erroneamente e tornava o mundo parecido com um modelo diferente do que se via. Cores voltadas ao escuro, trevas. Num tom violeta esquivava-se dos vermelhos, como um temporal viu-se em descrença quando cada gota d’agua mantinha seu curso durante o declínio. Espatifadas no chão transformando tudo em centenas e centenas de milímetros. O rio seguia seu desígnio tortuoso e complacente. Quando as bombas caíram, já não restava mais nada ali, lentes  de visão noturna apenas co...