O Silêncio

Sentado no balcão de um bar, enquanto degustava um pingado para aquecer e esquecer, despertar e pensar na rotina, o barman servia os convidados. Ele girava em movimentos rápidos em sua órbita, cheguei a conclusão que ao mesmo tempo que o planeta gira em função centrifuga, nos afastamos de nosso foco. O mundo ainda segue e as noites insistem em manter o mistério, o escuro.

A Lua observava tudo aquilo acontecendo sem se posicionar sobre os assuntos mais macabros, em seu lado escuro, a relação triangular entre os iguais estava mais do que clara, a formação dos astros era algo sublime.
Não estou sendo mais do que fui e nem menos que que poderia ser, as memórias se misturam ao silêncio, quebrado pelas palavras do homem que se sentou ao meu lado, semblante parecido com o que a vida nunca disse a ninguém, perseguindo seus sonhos e mantendo sua posição, confortável, eu era único, o homem era alguém que não se mostrava e o Barman com sua face escondida, víamos suas costas, alguém que ele nunca sonhara. Notícias de Bremen, Osterholz-Scharmbeck...

Ao meu lado eu via alguém que chegou até ali com uma história, mãos nas mãos e o conto de fadas chegou ao fim, eu morreria como vim ao mundo, sozinho. Eramos 3 de inicio, mais as faces no espelho, eramos 6. O pingado se transformou em um trago entre um cigarro e outro, estávamos em decadência plena, era hora de partir, assumindo as órbitas e mantendo os contratos.

As engrenagens eram simples, o trabalho em seu start era o maior do problemas. A autorização a grosso modo seria um convite a transgressão, desde pequenos aprendemos a pedir e agradecer seja lá para quem fosse. “Por favor”, “muito obrigado”, “bom dia”, “boa tarde, “boa noite”, “tudo bem?”, “tudo indo”.

O céu azul de nuvens paralelamente correndo em direção ao céu azul de nuvens que corria em direção ao céu azul. Fechar os olhos e cair na contradição de que o mundo servia apenas como transporte, transitório, modesto, honesto... o que você planta, você colhe. Durma bem, meu anjo, não morra, não se vá, não transite entre os mesmos locais, escolha outros paradeiros e mantenha a sua órbita.

Nada além de ser o herói enquanto um abraço sincero de boas vindas recebia as almas no paraíso. As árvores sofriam com a força dos ventos, um cello ao fundo anunciava a hora de partir, despertadores, horários, regras, mapa-mundi, entre um Whisky e outro, chegávamos ao contato extremo entre o ser humano e os movimentos retilíneos que acusavam a forma robótica de controle. No fim do túnel, a resistência.

Somos únicos enquanto indivíduos, somos apenas mais um, enquanto máquina.


Olhei para o lado e vi um robô. No espelho atrás do mostruário, dois. O terceiro, este surgiu em outro lugar, atendia a outras demandas e histórias.

Pedi licença e me levantei, deixei uns trocados no balcão e o mundo escureceu novamente.


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