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Mostrando postagens de fevereiro, 2016

Veleiro

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Por mais que as vitórias venham, o sentimento de derrota insiste em amargar a boca. Ficamos nós, seres datados do século passado, de duas ou três gerações para trás o mundo tem se tornado mesquinho. Guerras se vão, ataques e contra-ataques, o mundo tem se tornado mesquinho. Experimenta-se o inferno enquanto navega em mares caóticos, passamos por provações e vivemos tentando remediar o irremediável. Pensar a frente quer dizer encerrar os conflitos e manter a paz que se é de direito do ser humano. Deixar de criar problemas e pensar na manutenção da espécie. Desta forma ascendemos aos céus e num rasante temos um momento tão próximo às nuvens, compreendendo as alturas. Vemos que todos são apenas pontos, distantes, na paisagem urbana. Naquele mesmo momento que um pássaro sobrevoa o oceano e a ave mantem-se em pleno acordo entre firmamento e mar.  E então, das alturas dos prédios, entendemos que a nossa engenharia tão complexa, é criada para destruir ao mesmo tempo qu...

Quibus Pythonicus

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Seres errantes, tão somente em seu ciclo enquanto elípticamente seguem a força gravitacional. São mundos que entre os mortos e os vivos, prosseguem-se em pleno curso. Uns mais fechados e outros mais abertos, caminham junto a cometas, meteoritos e poeira espacial, assim como outros errantes, mantém-se sozinhos observando seus iguais. Ainda que se diga que a vida permanece intacta em meio ao infinito, é possível que se escondam no lado escuro dos astros, um ser que em alguns aspectos se torna morto-vivo, onde a luz o incomoda e a escuridão lhe pertence, é frio, sombrio, fúnebre. O mundo pelo qual não se enxerga mais, é apenas mais uma pequena parcela do que se sente. Neste instante em que os olhares se cruzam, o caos se instaura, o medo corrói e não há mais saída. Viajando bem rapidamente com destino incerto, novamente baseado em cálculos e informações deturpadas, o fim é anunciado com pavor. Apenas os seres errantes continuam se movendo em seu curso natural. Não há igualdade na...

Urano ou como prefira chamá-lo

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Como todas as noites em um momento de sintonia com o cosmos, observava os rastros da Via-láctea, deitado sobre a grama sintética, percebia que nada daquilo era real, inclusive o céu, aliás, até mesmo o céu. Tornava as coisas mais amenas a vacina de prazer diária. Os escravos ainda viviam como num mesmo momento em que todos se rebelavam, o menor sinal de rebelião era absorvido com doses de inverdades e calúnias, se sentiam culpados por pedir bom senso e se calavam. Poderiam se deitar na grana para observar o céu algumas horas por dia. Neste ponto as horas eram divididas entre o simples e descomplicado capataz que de 15 em 15 minutos acordava os dorminhocos e os mandava trabalhar. Em sua razão, os mesmos avisavam que estavam em seu período de descanso, o caso é que aquilo se repetia varias e varias vezes, já que o capataz parecia ter amnésia, ou seja, durante todo o período de descanso, todos eram avisados de 15 em 15 minutos que o trabalho deveria ser feito, ficavam todos atôni...