Postagens

Mostrando postagens de 2019

A Imutabilidade do Tempo

Imagem
"Aqueles que escapam do inferno Nunca falam sobre isso E nada mais os incomoda(...) Quero dizer, coisas como Falta de uma refeição, ir para a cadeia bater seu carro ou mesmo morrer. Quando você perguntar-lhes "como as coisas estão indo?" Eles vão responder: "bem, muito bem. Uma vez que você foi para o inferno e voltou é o bastante. É a mais silenciosa celebração conhecida. Uma vez que você foi para o inferno e voltou Você não olha para trás quando o chão range. O sol está no alto a meia-noite E coisas como os olhos de ratos Ou um velho pneu em um terreno baldio Pode torná-lo feliz. (...) Uma vez que você foi para o inferno e voltou." _____Charles Bukowski

O coringa nunca existiu

Imagem
As vezes sobreviver em meio ao inferno é um pouco sacal. O fogo já ardeu o que tinha que arder e a pele por mais que carne viva seja não dói mais. Você, em algum momento, chega a conclusão que é blindado e que já sofreu demais, você olha para a frente e não vê nada mais do que pessoas simples passando nas ruas, você compreende cada passo e está sempre a um passo a frente dos outros, não por mediunidade ou clarividência mas, por simplesmente já ter experimentado talvez as sobras de um futuro desconhecido que hoje não te causa mais emoções. A ideia sobre evolução não é o fato de não ser mais passional ou se emocionar com coisas simples, a ideia sobre a evolução é saber lidar com todas as adversidades que a vida possa te oferecer. Você sorri aos hipócritas, você acena aos usurpadores, você cuida dos bons de coração que ainda precisam caminhar, você acredita nos iguais. É como um metal, entre o martelo e a bigorna onde metal é o nervo, a carne, o osso. O Martelo é a morte e a Bigorna...

O Beatnik e a esperança - Parte 1 - Um manifesto

Imagem
Um dia frio com Sol, um dia nublado no mormaço. As vezes a gente se sente como se não tivesse pertencimento ao lugar que estamos, como se apenas flutuássemos presos a um barbante tão frágil quanto uma linha de uma teia. A própria vida é algo frágil, assim dizia um grande amigo, isso que vestimos é apenas uma casca, algo passageiro, tão passageiro quanto qualquer nuvem que sobrevoa a nossa casa, o nosso terreno, o chão que pisamos. As vezes tenho a noção de que não se tem tanta certeza de que pisamos o chão ou se ele nos pisa, afinal, o que nos mantém no local onde nós situamos? A beira de uma estrada ou a beira da vida? É como se eu estivesse em um ponto onde não há passado e nem futuro, apenas um chão com um rumo incerto, voltar é uma incerteza tão grande quanto ir para além das faixas contínuas, é compreender o grande deserto que existe no meio fio da vida e da morte, é uma incerteza simples que beira a loucura de estar e não estar, é a grandeza de um sentimento que não...

Carta a Vom - n 05 - A discrepância

Imagem
Meu caro Vom, te escrevo mais esta carta enviando notícias deste planeta inóspito que vos chamam de Terra. Já soube das guerras que ocorreram e ocorrem pelo petróleo? É uma carnificina que banha os países do oriente médio de sangue, alguns dizem que precisam de mais combustível para suprir suas necessidades econômicas mas eu não acredito muito nisso, acho que o real problema é a sede de poder, quando se igualam as coisas os que tem muito não querem ter menos, logo acabam por simplesmente fazer qualquer coisa para se ter os objetivos alcançados e quando digo qualquer coisa pense nas piores atrocidades que conseguir dentro de sua vã filosófica pureza, é difícil para mim também. Ao longo do tempo receio estar ficando cada vez mais velho e ranzinza, Volga está aqui ao meu lado, miando e concordando. É estranho como esse gato compreende o que escrevo, não falo pelo fato da leitura em si, mas, meu cirílico não é dos melhores, ainda mais com as mãos trêmulas. Volga concordou de novo. Me...

Ninguém

Imagem
Com um fino trato. Nos velhos trapos. Se contradiz a glória. Persistente na memória. Graça ao caminhar. Triste observar. Leve como planar. Um trago para acalmar. O vento sopra. A poeira se arrasta. A chuva se afasta. A água no rosto como copra. Ninguém expôs o mundo indócil. Ninguém avisou que machucaria. Ninguém explicou como seria. Ninguém disse que seria fácil. Ninguém. ...E eu ainda estou vivo.

Crônicas - Parte 1 - Destino

Imagem
Certa vez eu estava sentado em um banco de praça, lendo um jornal enquanto observava as pessoas passarem, cinzas, rotineiras e espaçadas. Parecia que o tempo não havia de ser tempo num calculo quântico sobre variáveis de um mundo moderno. Os carros rasgavam as ruas inóspitas a outros seres mundanos, dotados de imperfeições e escarrados ali no meio. Uns desejavam o fim, outros temiam o ser maior de acordo com sua crença. Eram cinzas as pessoas e os pombos que por hora atravessavam o meio fio de suas vidas, passo a passo, hora lentos buscando sustento entre as rachaduras infinitas do asfalto, hora levantando voo em ascensão as arvores que o vento tentava por sua vez derrubar, estas se contorciam cheias de anseios de uma vida inteira no mesmo lugar desde a semente até o fato de se romperem as fibras e ao chão se tornariam mais uma espécie de abrigo, porto seguro, ou, quem sabe, mais um ser vivo decadente em meio ao caos mundano. Me chamava a atenção a moça que vendia flores, tornand...

Meu caro Fyodor - Pocckocmoc - O diagrama - 01

Fyodor meu amigo, estou com esta carga e preciso escrevê-lo. Mande abraços a todos, tenho saudades da azul Moscou e dos amigos de São Petersburgo e Volgogrado. Cuide de Ivanovna ou então peça ao Volga que faça isso. De certa forma as questões mundanas rondam sempre entre alguns vértices sejam sociais, capitais, comportamentais, psicológicos... A vida nem sempre nos traz boas lembranças e a partir de um certo ponto em nosso cotidiano começamos a entender que não crescemos mas, somos forjados. Somos seres habitantes de corpos errantes que se moldam por aí. Para compreender o quão inóspito é o lugar em que vivemos precisamos primeiramente compreender o que move a nossa natureza. Pensar em uma função pedagógica de acordo com o horário local da ISS lado B, ou o que chamamos de Dark Side na agência espacial (Pocckocmoc), é uma tarefa bem complicada já que estou neste momento em minha cama (chamamos de cama mas, é um aparelho que simula a gravidade e estimula o corpo a produzir as qu...

O Estado de Sítio de Albert Camus x A Expectativa do Espectador

Imagem
Como exercício de reflexão, me ponho a experimentar o lado amargo e efêmero das relações contemporâneas de acordo com a visão social (marginal e padrão) em um momento em que a não possuímos mais ídolos a não ser os advindos das religiões por hora, também contemporâneas. Não vos falo sobre religiões “Neo”, mas acuso as idolatrias que ocorrem nos ditos templos nos quais ainda se utilizam de vias arcaicas para a manobras das massas. Quando falamos sobre Estado de Sítio, de Camus, notoriamente é uma peça política onde se representam as forças e perdas da segunda grande guerra.   “Uma epidemia qualquer aflige os habitantes de Cádiz, imprevisível e forte. A imprevisão decorre da ausência de um raciocínio político a longo prazo e tem por consequências tanto o despreparo diante do novo quanto o aumento do autoritarismo. O despreparo leva a encobrir o problema: esconde-se o irresolúvel. Elevar o grau do autoritarismo é a velha prática do ataque como melhor defesa. O povo deve esqu...

Pular ou não pular, fragmento.

Imagem
"Este é um fragmento da peça escrita por Dea Loher, Inocência, na qual ela descreve um monologo no alto do prédio dos suicidas." - Dormir. Para sempre. Para sempre dormir. Meio sinistro. É isso. Está clareando, que é isso! Além disso, você não sabe nada.  Mas poderia. Mas você não sabe. Ninguém sabe. Mas poderia. Alguém deve imaginar. Sonho eterno ou o quê? Mas é chato. Não, ninguém está lá para isso. Como que não. Finalmente descanso. Você sempre quer. Já. Mas. Mas não permanente. Mas não para a eternidade, isso ninguém nem pode imaginar. Você não. Alguém deve agora... Eternamente não é tempo nenhum. A primeira vez que você entra se você está na eternidade não percebe isso. Então você já não sabe mais o que é o tempo. Então você já não pensa mais em dias e horas. Então se vem alguém e te pergunta que horas são você só olha e diz é...  Já está clareando. Já está clareando. Já não tem que ter medo do amanhã por exemplo porque já não tem mais amanhã. A semana que ...

Faber e a memória

Imagem
Fyodor meu amigo, mais uma vez prevejo complicações vindas do espaço. As esferas globais ainda não entenderam que o maior problema do ser humano talvez sejam suas memórias, e, por falar em memórias, como anda Volga? Este gato me deixou demasiadamente chateado quando parti, ele sequer se despediu e em um movimento circular ele apenas se jogou para baixo da cama enquanto aqueles homens da POCKOCMOC vieram me buscar, não tive escolha, meu caro amigo, a não ser segui-los com destino a este lugar pequeno, escuro e artificial. A vida aqui está complicada e ontem soube que o oxigênio do mês que vem não virá, estamos em racionamento e a parte americana da ISS está escura, eles devem ter entrado em estado de hibernação. Todos eles estão em sono profundo, ou, se minhas mais mórbidas suspeitas estiverem certas, eles foram embora. Ontem junto com a notícia da não renovação dos cilindros também ouvi um barulho estranho enquanto as escotilhas se fechavam travando a passagem no centro, os lados...

Fiori

Imagem
As voltas que o mundo dá dentre os astros e átrios numa cúspide estranha recheada de entroncamentos e devaneios numa viagem possivelmente só de ida acusam os temores, teores, teorias (a priori) de forma a se modificar conforme as cítaras se fundem ao som do piano de cauda. Os motivos pelos quais a vida se arremessa a frente de um processo de evolução, dentre tantos outros processos, a democracia mundana nunca foi a democracia vista na forma crua, grega. O poder se instaura cada vez mais vilipendioso à sociedade que sustenta a metrópole em campos de papel onde soldados marcham em círculos enquanto o Sol detém do brilho excessivo em relação às ruas desertas, sem água, sem motivos e sem sinalizações. A muito custo adentramos num mar de possibilidades esperando na janela de um quarto escuro e voltar atrás não é uma escolha, nunca foi. O passo a frente é inevitável e a discussão de todo o contexto social é mais que necessária nos dias sombrios vividos e abstratismos à deriva são a...

Tous les jours - 04

Imagem
Ao passar por aquela ponte, parou no ponto mais alto e, em um lapso pôde sentir o vento em seu rosto e todo o entorno das pessoas que se compadeciam com mais um corpo que se chocava ao solo de forma brusca. Tudo se reconstruía em sua mente e o céu visto era apenas mais um céu coberto de incertezas e tristezas, aqui jaz mais uma mente insana que não suportava o mundo. Para alguns era covarde, para outros era realista, para estes era um sinal de que aos poucos a sociedade matava seus ídolos e idolatrava outros os quais não tinham nada a doar. De certa forma o mundo era aquele mesmo e tudo o que ele poderia fazer era se juntar ao limbo ou arriscar um salto ao infinito desconhecido. Abrir os olhos com um dos pés apoiado na grade pronto para subir mais um degrau fritou os miolos do sujeito que só estava ali a passeio. As pessoas em volta só observavam sem dizer uma palavra. O clima agradável da noite densa apenas ressaltava a luz dos carros que cruzavam o mesmo caminho. Dali em diante...

Um planalto vazio

Imagem
Com os joelhos no chão, braços para cima em sinal de suplica, olhos fechados, o sol batia em seu corpo e denunciava ao mesmo tempo o horário das 14 horas em um relógio solar fotografado naquela cena. A composição abstrato-sertaneja indicava as casinhas ao fundo, feitas de barro, com portas sem trinco, rústicas, que mais pareciam gotas daquele orvalho sujo das plantas que vivem perto dos canaviais após uma noite no inferno que queimaria, calmaria, sobreviveria, humildemente, solenemente, capital... Suplicava pela vida assim como os animais daquele sistema, com todo o cuidado do mundo o fogo queimava a palha, esquentava o lombo, definhava a terra, entornava a guerra, matava o sertão. O planalto sobrevivia assim enquanto a chuva não vinha, e ali naquelas casinhas em que os matagais insistiam em nascer para ser mais tarde arrancados pelo caprino que anseia pelo alimento fuçando na intuição que remexe por toda a psique do ser que ali persevera e perpetua um quadro revisitado por pouco...

Mulheres Selvagens

Imagem
"Como em um instante em que as estrelas se assimilavam aos teus olhos brilhantes e como era bom o toque das suas mãos em minha cabeça quando você acariciava brutalmente meus cabelos. Você olhava para mim com um semblante tão puro que dava gosto de tentar compreender todo o universo que girava em torno de sua mente, você era sagaz, esperta, sabe? Teu sorriso ornava com os seus caninos, eu diria, democraticamente saltados, parecia uma eterna junção entre o egocentrismo de Nietzsche e a crueldade de Machiavelli, era assim que eu gostaria de descrever a sua beleza entre todas aquelas estrelas que eu via em teus olhos, Olga." Este seria um fragmento de uma carta deixada por Fernando horas antes de partir. Fernando era um rapaz adorável, bom filho, aquele que sempre tirava notas altas na escola e se formou com louvores pelos professores em Harvard. Ele era um cara que adorava física e tinha como plano de vida um dia ser como Albert Einstein. Era um garoto brilhante com inúmer...

Devaneios

Imagem
É sabido que quanto mais conhecemos da história, mais deprimidos ficamos após confrontar os ignorantes repetindo o mesmo ciclo. A história serve não apenas para nos deleitarmos sob as pinturas, esculturas e restos mortais, ela serve como uma questão evolutiva para que tenhamos um norte ao criar, olhar e agir, assim como entender as variadas formas de chegar a algum lugar e também de como não proceder em outros casos. O que vivemos hoje é nada mais do que uma mescla entre a necessidade de evolução e a incapacidade de compreender os ecos do passado. Entramos é claro em várias outras vertentes como o descaso de governos perante as nações que realmente necessitam de ajuda. A ideia parece absurda, mas ao mesmo tempo não podemos deixar de compreender as perspectivas entre os continentes e ainda chegando ao consenso de que as nações se tornam insulares quando se é falado algo sobre doação. Empresas multinacionais pedindo a ajuda da população para levar água potável para África e Sud...

Tous les jours - 03

Imagem
Certo dia Antunes e Léo conversavam como quem não quer nada, aqueles papos de bar em que se programam viagens, falam sobre sagas épicas passadas na vida, futebol, mulheres e etc. Bem naquele momento que o Antunes falava sobre uma transa que teve com sua esposa quando ainda nem namoravam. Antunes lembrava bem daquele dia como o dia em que eles “fizeram amor” ao luar chapados de cogumelo, aquela devia ser uma lembrança e tanto, concluía Léo com aquele ar de deslumbre. Já o Léo tadinho, não tinha muito jeito com as mulheres, ninguém sabia explicar, ele travava, mas gostava muito de flertar, conversar, era um cara legal que encontraria algum dia alguém pra ele. Isso era o que Antunes sempre dizia, não que o Léo quisesse namorar, se casar, ter filhos... ele mesmo, nunca foi enfático neste assunto, era mais fácil encontrar Léo debruçado no balcão do boteco do que em uma baladinha “playba”. Juca estava ali também, mas estava quieto, e ambos notaram. Ao mesmo tempo ele estava olhando...