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Documentário Hiroshima

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Hiroshima, 6 de Agosto de 1945. Alto valor industrial, quartéis da Quinta divisão e o Segundo Quartel-General do Exército de Shunroku Hata, Marechal que comandara a defesa de todo o Sul do Japão durante a segunda grande guerra. Hiroshima estava exatamente como no inicio dos conflitos, considerada uma base menor e de pouca importância aos olhos dos aliados, não seria suficiente para armazenar e transportar suprimentos para as tropas japonesas. A cidade então, com o desenrolar da historia que marcaria a humanidade tornou-se um centro das comunicações. Os edifícios de concreto armado contrastavam com as casas de madeira, a cidade poderia facilmente sucumbir ao fogo, uma população de mais de 350.000 habitantes, estava reduzida a pouco mais de 250.000 (baseado nos registros do governo Japonês), devido à evacuação sistemática da população. Avançava pelo céu Enola Gay (B-29) trazendo consigo Little Boy. Em Tóquio, perdia-se contato com a estação de radio de Hiroshima, seriam os primeiros ...

Tangente

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Quando entrou por aquela porta, sabia que seria o fim dos tempos. No olho do furacão amanhecia em estrelas, entrelinhas de um caso proposital de fato imune ao mesmo instante/sentimento. Seu coração batia e apenas batia, aflita não conseguiu digerir as respostas, não sabia responder as propostas. O amanhã chegara, terremotos atingiam o mundo e sua mente ainda não tinha por onde correr, as paredes de seu interior se rachavam, o chão tremia. Teimosa, mal sabia que eram suas pernas que tremulavam insípidas. Um gosto amargo na boca. Aquele sentido insosso, frio na barriga, estômago travado. Dissera adeus, com flores na mão e espinhos nos olhos. Não tinha mais por onde mais causar dor, talvez sofrer seria mesmo a saída, cicatrizes e hemorragias quebravam o limite de tempo que alguém pudesse suportar.  O céu se fechava, via-se uma explosão cósmica ao lado dos prédios que a cercavam, enclausurando seu momento fúnebre. O sol abrira um buraco negro e se desfez em chuva. A mesma molhava ...

Causa mortis

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7:30 AM - Acordo pensativo, o que este mundo me oferece? 7:31 AM - Ainda na cama, estou atrasado para o trabalho mas permaneço aqui sem perspectivas. 7:35 AM - Estou sentado escrevendo alguma coisa, talvez um testamento mas, não acho que tenha muita coisa neste apartamento pequeno além de um quarto/sala, cozinha, banheiro e varanda. 8:00 AM - Resolvi não ir trabalhar hoje e nem dar satisfação do caso, minha ex-mulher ligou, dizendo que eu deveria buscar o Felipe na escola, sim eu tenho um filho, ele tem 15 anos e manda muito bem nas matérias, principalmente nas exatas. 8:20 AM - Já me perguntei antes o que este mundo me oferece? 8:25 AM - Vou dar uma caminhada no parque, talvez encontre alguma resposta em meio as musicas do MP3 ou então nas imagens que se formam quando os pássaros voam em bando ou até mesmo nas arvores que se estrebucham com o vento. 8:40 AM - Recebo uma ligação no caminho entre a porta do AP e o carro que fica no estacionamento subterrâneo, creio que estava entr...

Papo de Elevador - nº 2

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Lembram-se do Silva? Pois é, desta vez nosso herói estava só, no elevador ele e o ascensorista (que era figura fácil  e inerte dentro daquele meio de locomoção vertical, inerte no sentido de... é... não morto, mas, há entenderam... comum... essas coisas). Silva estava havia 2 horas dentro daquele elevador limpando o teto, enquanto o ascensorista pra cima e pra baixo, os colaboradores apertavam o botão para que o elevador “aterrissasse” no andar requerido. E a cada vez que parava, as portas abriam davam de cara com uma placa de MANUTENÇÃO/PISO MOLHADO/SILVA TRABALHANDO (esta ultima foi o próprio Silva que confeccionou. Já levou pito da gerencia por isso, mas quem se importa?). Silva dizia ao ascensorista que não permitisse a entrada de ninguém, o outro apenas balançava a cabeça sinalizando positivamente, mas quem se importava com o Silva ele era apenas o faz-tudo da empresa (geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da s...

Menininha

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Era com lagrimas nos olhos que se desfazia de sua boneca, pequena garotinha não podia mais carregá-la para o mundo, a voz ingrata de seu pai dizendo cresça, a voz angelical de sua mãe que dizia como uma soprano, por favor, é só uma criança. No auge da idade pela qual não se podia mais andar descalça, não se podia mais colocar aquele vestidinho que não lhe servia, não podia mais dormir entre o papai e a mamãe. O abandono era real, sacos de lixo, jornais velhos e caixas de papelão. O cenário visto por aquela criança ia além de um quarto aconchegante com uma cama imensa, brinquedos arrumados em ordem de preferência, ursinhos de pelúcia ordenados pelo tamanho ao qual iam dos menores (na frente) pros maiores (atrás, obviamente). Tomavam a cama toda, sem contar os edredons, mantas e lençóis. Medo definia perfeitamente seu sentimento, jamais fora rejeitada a uma boa noite de sono, tudo bem que os “xixis” durante a noite foram se intensificando e o papai já estava cansado de acordar molhado...

Interior

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Sentiu na pele um arrepio, algo estava em sua frente, mas não podia ver. Arriscou uma piscadela para limpar os olhos, esfregou suas mãos nas pálpebras esperando recuperar a visão passada. Não seria possível viver naquele instante que aterrorizava e destruía sua mente. Não seria possível dividir aquelas vidas. Ele observou o outro lado da janela e o que viu foram pássaros no telhado do vizinho saltitando e sobrevoando os arredores, enquanto escrevia algumas coisas, riscava outras e rabiscava no canto do caderno. Não fazia sentido estar ali naquele momento. Sentiu novamente aquele arrepio, se viu do avesso, seu coração batia de forma inconstante, seu olhar não mais observava a janela. A cena fechava como seus olhos. Seu corpo foi se acostumando àquela sensação, porém ao mesmo tempo foi sentindo uma fraqueza. Uma força que tomava conta de tudo. Um zunido surgiu nos ouvidos. Num enlace, não sabia se vivia ou se estava morto. Surgiam figuras em sua frente, um delírio. A febre aumentava gr...

Yin / Yang

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Vitima de um delírio, a vertigem que se tornava real parecia com a imagem que sonhara, o verde do mato que crescia por entre as frestas de concreto nas calçadas, gritando nunca vou desistir, apenas serviam de molde para uma vida de luta por algo inatingível, parafraseava um poeta famoso enquanto aguardava a chegada do furacão. Asas negras... Via-se ao longe em comunhão com um céu que não se sabia se a fumaça dos motores se juntava ao ser alado que rompia o firmamento ao mesmo tempo em que todos admiravam a beleza do astro rei, coberto pela poluição que cheirava a enxofre. Aquela mente estranha, vaga, escura como o céu de brigadeiro que se via lá no horizonte. Não se obtinha mais beleza nas aves que buscavam nas pedras o alimento, não havia mais prazer em olhar pela janela do barraco lá de cima do morro, quantas vezes estivemos cara a cara com a pior metade e então desfazemos de todo o mal arriscando a vida num tom de bondade e moralismo. Poeira subia aos céus, no momento em que se ...