Precisa, intensa e explosiva
Hoje em dia os amores líquidos levam a crer que as relações duradouras não existem mais, que as pessoas intensas são desesperadas e que nunca haverá um casamento como aquele dos nossos avós. Alguém aqui duvida que haverão pessoas que se casarão, no sagrado matrimônio ou não, e levarão a ferro e fogo um casamento de 50-60 anos? Deixando de lado esses milionários europeus de “sangue azul” que se casam cedo demais para manter a fortuna dentro da família como os antigos reinados.
Obviamente que algo nos faz pensar sobre as relações que
temos hoje em dia com as redes sociais, pessoas que se amam e nunca se viram,
pessoas que se veem todos os dias e se odeiam, fotos sempre sorrindo, fatos
contados em texto ou vídeos, telas e mais telas indicando o pior mundo de todos
os tempos para as relações humanas.
Entre um reels e outro, temos uma pequena propaganda que se
abre nos vendendo algo que pesquisamos a menos de 7 dias atrás, o tal do
algoritmo é o centro de todos os dados e, por que não, das relações.
Explico, minha tese diante de algumas notações em conversas
com minha inspiração diária, que a pauta máxima dentro das relações é a
capacidade de se ler o outro, não saber exatamente o que o outro pensa a todo
momento, mas entender emoções em um olhar, notar onde existem falhas de caráter,
compreender o humor do dia entre outras semelhanças que giram em torno do
comportamento humano.
Tudo o que vemos hoje são letras por vezes mal escritas e em
90% dos casos mal explicadas, não é ser cringe, meter o pau na molecada e
simplesmente dizer que é um problema da geração, é olhar para trás e entender
que quem criou isso tudo foi a minha geração, Facebook, Instagram, Messenger,
Whatsapp, Telegram... São todos filhos do MySpace, Flogão, Orkut e MSN, o caso
é que nós tínhamos (e temos) a capacidade de ainda pensar em uma vida cotidiana
com as pessoas e é neste ponto que eu gostaria de chegar.
Os amores líquidos vêm de uma geração que não tinha
absolutamente nada e todo e qualquer contato humano se resumia em um telefone e
uma campainha barulhenta. Mal sabíamos todos que este seria o início de um processo
tecnológico que mudaria a vida do ser humano de forma a não participar mais do
cotidiano do outro sem ser por uma tela. Até compreendermos que a necessidade
de se relacionar vai além dos textos e das 3 horas que duram uma saidinha de
casa para “socializar”, dos colegas de trabalho que a gente nunca mais viu
depois que tomamos caminhos diferentes... A vida cotidiana existe e ela clama
por participação.
Amar as pessoas por mensagens de texto e áudios em um
mensageiro é possível, mas relações duradouras pedem mais, pedem leitura, pedem
presença, pedem empatia real, pedem momentos bons e momentos ruins e pedem olho
no olho, assim como nossos avós fizeram, a 60 anos atrás.
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