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Documentário Lisboa

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O amanha surgiu como na mais bela poesia de Camões, Lisboa já não era mais a mesma. Ao som dos bandolins, caminhávamos rumo ao porto. Navios cargueiros com suas rotas alteradas avançavam sobre a praia. Fora daquele momento, minha mente se partia em duas. Não sei se os navios de cristal que roubavam a cena. Três jovens brincavam no cais durante um espetáculo teatral que ocorria. Aproximei-me e já ganhei o chapéu desembolsando dois euros de minha carteira, vi o ator sorrir de modo que pedisse que eu sentasse por ali mesmo. Elas pairavam no ar com suas cantigas e beleza inocente de crianças. Seus vestidos coloniais, roupa de gente simples, mas na capital portuguesa havia espaço para isso? Talvez alguma festa folclórica. Aquele ator viu que não prestava atenção em sua cena (realmente não prestava), ele se colocou em minha frente, estendendo a mão, pedindo para que eu fosse até o palco improvisado participar da atuação. Ele estava vestido de arqueiro entregando-me uma maçã. Entendi logo a ...

Adormecer

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Definindo ainda as partes do corpo que se moviam no modo automático, tudo era tão mecânico quanto um motor sem partida elétrica, desde a respiração que acompanhava o movimento do peitoral, até mesmo o diafragma que impulsionava o processo. Os músculos sentiram aquela dor, cada pedaço cada fibra. O estomago gelava e não sabia por que. Estava pesado se remoendo, contorcendo, barulhos estranhos e sem significado exato. Aquele gosto amargo na boca não era sua culpa, o fígado que cheirava à ressaca, a dor era interna. Um turbilhão de sentidos, diziam os termos científicos, existirem apenas cinco, ah... Tão pouco, para tudo aquilo. Uma leve brisa acalmava o que se sentia. Mais em cima, havia um ser que batia compassadamente, mas no descompasso é que embriagou a maquina maior. Surgiram vertigens, tonturas e uma série fatores que normalmente são feitos de silêncio e sombra. Os batimentos acelerados indicavam uma substância que faria com que a maquina explodisse em movimentos rápidos, mas sem...

Mais uma de Super-Herói... primeira parte

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Resolvendo por um fim à própria vida, uma garota no auge dos seus 13 anos, ao ver seu pai morto com três tiros na cabeça, desferidos por um policial. Seu pai era um advogado bom, mas como definir um advogado bom? “Advogado bom” é aquele que trabalha com a lei e não com suas brechas a fim de criar escapatórias para uma eventual punição. Porém, infelizmente, a lei não é cumprida por todos. Dr. Glover era seu nome, típico homem da casa, batalhava, sim, para um mundo melhor. Não abraçava causas que não cumprissem os bons costumes (como ele mesmo dizia). Não defendia bandidos nem se colocava em esquemas de corrupção, um homem íntegro. Naquele dia beijou sua mulher, Sra. Glover como era chamada (tinham este costume, o nome era dito somente aos íntimos, o que ainda não é o caso), chamou Sarah, sua filha, nunca se atrasava para o início das aulas e nem Dr. Glover para abrir o escritório ou para alguma audiência. Encontrou alguns amigos durante a audiência daquela manhã, a causa estava ganha,...

Papo de Elevador - nº 3

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O som que se ouvia naquele andar, era hora forró, hora samba e pagodinho... O Silva que era apenas o faz-tudo da empresa (geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da sexta, a mortadela da terça e passa o cafezinho todo santo dia. Há, ele também ganha pouco), se libertou desta vez, fazia um churrasquinho no banheiro feminino, sim no feminino. E ainda gritava:  - TEMOS BACALHAU ASSADO! A dona Clementina se revoltou ao ouvir bacalhau assado...  E nem norueguês era o bicho. Talvez fosse somente algum peixe bem salgado, que o próprio Silva preparou em sua casa, naquela mesma bacia onde tomava banho. O Silva realmente estava maluco, não só perderia o emprego, como de quebra seria torturado, molestado, morto, decapitado, “decapitulado” (sim, ele seria morto por capítulos, para não dizer “versiculado”, utilizando de uma bíblia). Dona Clementina não poupou esforços, correu até a sala do manda chuva, no 5º andar e já entr...

"SocioPolitizado"

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Matinal. O sol nascente. A lua com sua noite se desfazia. As estrelas tão longe, não sabiam ao certo como não conseguiam se desfazer. Talvez tão pequenas ou talvez tão brilhantes. O som das correntes que aprisionava o mar em volta daquela ilha de imensidão. O sofrimento daquele povo acordava todos os que estariam em volta. O mar chegou, infindável com suas caravelas. O índio, despido, sofreu com a nudez. Enquanto o descobridor ao lançar suas teses e idéias em sua língua nativa. De nativo, só os índios que sofriam com aquele descaso. Matavam cavalos, pensando ser o europeu uma espécie de monstro com duas cabeças. As caravelas atracadas no mar aberto assistiam aquela cena de horror. O mar, coberto de sangue. O nativo morto na areia. O descobridor lanchava na sombra e água fresca. As índias não foram descobertas. As mulheres estupradas. A verdade deturpada. O Sol queimou de raiva. Naquele dia que a lua se escondeu de vergonha.

Santuário

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As luzes refletidas na parede da igreja em que estavam mãe e filha, poderiam observar com clareza alguns desenhos que se formavam a partir daqueles vitrais, as cores fortes se misturavam as gravuras existentes na parede e no ápice onde o astro rei ascendia aos céus, via-se no centro daquele altar um objeto de desejo de muitos, aquela cena profana que mantinha   acesa a chama das velas. A mãe em respeito a filha, apenas tampou seus olhos com uma das mãos. Não permitindo que aquela criança obtivesse aquela visão impura. Nada adiantou, foi tomada por algo ruim, ela sorria com um sarcasmo digno dos demônios que viviam do lado de fora daquele solo sagrado. Entrando pelo feixe de luz, as cores fortes desenhavam um cenário surreal, seria o único momento em que o solo poderia ser tocado pelos impuros, a hora do confessionário. O padre com uma túnica vermelha e detalhes em preto, proferia suas palavras de desgosto aos pecadores e de arremate pingava-se água benta nos olhos dos ditos-cujos...

VerdeCinza

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Acordar de mais um dia, percebia que não havia nada que manteria seu corpo adormecido naquela cama. Levantou, lavou seu rosto apenas e aquela casa se via distante após iniciar uma caminhada matinal, um tanto quanto incomum, pois caminhar não seria lá seu esporte preferido ainda mais numa manhã tão cedo. Um propósito tomava conta daquele corpo, algo no fim daquele caminho, faria com que a dor nos pés descalços causada pelo frio que fazia naquela manhã fosse suportável, a dor vinha também do mato cerrado e seco que os pés pisavam. Uma dor aguda que os fazia fraquejar no passo. Chegar ao destino não houve espanto, saberia o que o esperava ali, uma paisagem negra, o mato foi exterminado pelas chamas que ainda ardiam, alguns galhos retorcidos pelo fogo e outros estavam em chamas ainda. Aquela visão mórbida fazia mal aos olhos e embrulhava o estomago. Os pés cercados pelas cinzas se aqueciam no fogo que ainda existia naquele tronco derrubado na noite anterior. Peso na consciência por aque...