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As quatro estações

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Como se já não fosse por vontade da natureza que os corpos de completassem naquela noite. A lua, que acima de suas cabeças, fazia um semblante parecido com uma vela acesa, luz, clara, prateada. Sob um manto vermelho, apenas sentiam que por dentro, um calor aquecia seus corações que palpitavam em pouca disritmia. Prometiam perante aquela união com juras e mais juras. Era infinito, numa atmosfera intensa, o ar mais rarefeito surgia em nuances e vertigens. Dançavam juntos como se fosse a ultima vez. Tocavam-se, olhavam-se (olhos nos olhos), a curiosidade pelo desconhecido era vencida. A pele arrepiava enquanto as mãos pouco mais ásperas passavam devagar pelas pernas lisas, subindo pela cintura chegando ao dorso e nuca, caindo pelos braços. Enfim, mãos nas mãos e dedos entrelaçados. Como se não houvesse barreiras e como em ondas, chegavam ao êxtase. Deitados ainda com o sol nascendo em meio as arvores, as mãos coladas, pernas juntas e num abraço foram despertand...

Trinqua

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Estática, não estatizada. Parada mas não sem mover seus pequenos dedos de menina, com quase meio ano. Sim, meio ano, ou, seis meses de vida. Peguei-me pensando em como alguém percebe que se passou metade de um ano, geralmente quando se chega a junho ou julho. E naqueles papos de senhorinha, de casaquinho marrom e tudo mais, inclusive com aquelas meias e “chinelas” de dias frios, quando uma diz (para puxar assunto) nossa, já se foi o ano todo e a outra emenda, mais metade e acabou. Ela já tem quase seis meses e ainda me lembro, quando escutei seu primeiro choro, quando fui barrado na porta da maternidade com um BigMac e um CheeseBurguer  na mochila para a Lelis não comer só 3 bolachinhas e um copo de chá sem açúcar. Vã tentativa que ainda tentei convencer o rapaz do drive-thru do McDonald’s a vender um TopSunday de chocolate num copo maior porque eu iria “muquifá-lo” também, talvez entre as fraldas. E sem contar que ainda tentei convencer também o guarda noturno a mandar o ...

Aos dez

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Conto hoje sobre uma senhora viúva que frequentava a casa de minha avó materna, a qual eu passei parte da minha infância, era raro algum dia que ela não aparecia e quando não aparecia, bem, saberão no decorrer da crônica. Continuo daqui, de onde simplesmente não me esqueço da vez que ela entrou por aquela porta da edícula que minha avó June morava, sim June Maria, pois acho que só June o padre não batizava. A senhorinha me olhava com um tom meio ameaçador e um sotaque antigo carregando os erres. Falava da vida de toda a vizinhança e tudo o mais. Ela sempre dizia que estava muito nerrrvosa por algo que aconteceu na TV, ou no noticiário da radio. Era complicado para uma criança de apenas 10 anos de idade, compreender a necessidade da velhota falar com o sotaque carregado e claro ser o Jornal ambulante do bairro. Mas como um jornal ambulante do bairro seria tão completo se não houvesse a sessão fúnebre, com as notícias de todas as funerárias, incluindo hora do velório e enterro...

Em caso de emergência, quebre o vidro.

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Entre as cores mais belas que se via, o por do sol se voltava contra os olhos, fechava-se as pálpebras e mesmo assim alguns vultos roxeados eram percebidos pela essência. Todas aquelas pessoas, indo e vindo. Uma escada, corrimões estranhos, tortos. Faixas avermelhadas no céu entre os cabelos negros por dentro do véu que cobria a santidade. Num voo rasante descobria que apenas manipulava o ar ao invés de flutuar, mais rarefeito. Bonito ver os pássaros mais de perto, juntamente a linha entre a terra e o céu havia meio astro, hélio. Num rabisco a mais tornava o satélite presente. Um sorriso denunciava a míngua, o quase fim. Anoitecia com diamantes num tapete crepuscular. Seria uma noite quente, por hora e por honra. A cerejeira tatuada, lembrar-se-ia de tons aquarelados, aqueles lábios roseados, olhos negros, respiração ofegante, vidros embaçados. Bons sonhos. E no fim, um Buda em posição da flor de lótus, tons lisérgicos no fundo. O astro rei a...

Resenha

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Questão de entendimento, nada a ver com “Understanding” já que a compreensão é algo que se faz durante o cotidiano. Sabe quando a gente dorme no sofá meio sem querer e acorda no meio da madrugada procurando? Respirava fundo e enquanto soltava o ar, a fumaça que preenchia seus pulmões se dissipavam no monóxido. A perspectiva que a sua frente fazia da vertigem sua melhor amiga e companheira, ela estava ali, deitada ao seu lado. Dizendo palavras de conforto e alívio, a expressão em seu rosto acusava o gosto amargo em sua boca, três ou quatro quarteirões à frente, enquanto a visão se fechava. Em meio à floresta enquanto soprava o vento frio e úmido, holofotes queimavam sua retina, estreitando as relações entre pupila (ou menina dos olhos) e as pálpebras. Parecendo muito com o final que passava com o Bardem em Biutiful. Deitado ao teu lado, ouvindo você respirar. A vida flui dentro de você.               Mudam os tempos e as pessoas permane...

Dead Poet

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(sonorize) Importe-se (sim). Tenha em mente algo útil (ou não). Busque saber (é importante, mas não essencial). Aprenda algo hoje (meio slogan pronto). Denomine (seja breve). Alcance (vá mais alto). Tatue algo na pele (algo que te faça abrir os olhos e não algo que as pessoas digam uau). Tatue algo no peito (pois um grande amor é necessário). Pense no dia de ontem e no que você pode mudar hoje (mas nada que tenha se arrependido, arrependimento mata aos poucos). Ore, reze, peça ou cale-se (independendo o seu credo). Cante uma canção de efeito (e outra que você goste). Seja. Haja o que houver, não deixe o dia escapar por entre os dedos (Seize the day, Carpe Dien...). E no fim, respire fundo. (deixe o dia sair pelas suas narinas, encoste a cabeça no travesseiro e durma tranquilo). Ah, e podem me chamar de Nuwanda.

O Tejo

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Madrugada, Descobre-me o rio que atravesso tanto para nada; E este encanto, prende por um fio, a testemunha do que eu sei dizer. E a cidade, chamam-lhe Lisboa mas é só um rio que é verdade, só um rio, é a casa de água, casa da cidade em que vim nascer. Tejo, meu doce Tejo, corres assim; corres há milênios sem te arrepender, és a casa de água onde há poucos anos eu escolhi nascer.