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Hallelujah

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Em algumas vezes me pego pensando em um epitáfio... ...sobre o túmulo, construímos um império, mantemos uma vida inteira. Sob o ponto de vista cético das coisas, ergue-se um momento único no mundo: O nascimento de um novo ser. Cada um de nós compõe um pedaço de uma história, a nossa história, cada um finda a mesma como quer ou como pode, as circunstâncias geralmente são trazidas por terceiros, seja pela mãe, pelo pai, pela mulher, filhos, chefe, cliente, animais de estimação, pessoas em necessidade, problemas e mais problemas que a vida nos faz questionar o mundo como um todo. De fato, no fim, você se sente massacrado pelo meio em que vive e tem dois caminhos: Desistir ou continuar, de fato é uma escolha, difícil pelo simples fato de que a vida não lhe agrada mais ou pelos fatos externos que o mundo escolheu para realizar em sua vida. No mais íntimo dos momentos, a única palavra que nos vem a cabeça é o perdão: - Perdoo a todos que me fizeram mal de alguma forma. - Perdoo a ...

Abençoado seja

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Você que me dizia para ter coragem, olhava em meus olhos meu amigo, olhava com aquela voracidade de um leão. Falava das flores, falava da primavera, sentava-se ao meu lado enquanto eu chorava as dores mais sinceras e me abraçava. Você meu amigo, dirigia-se a mim como se eu fosse seu irmão, falava-me sobre tudo e me contava sobre suas viagens pelo mundo. Parecia um pirata, uma mulher em cada cais, uma briga em cada taberna, um tesouro em cada território, seus dias foram contados assim, com toda a experiência de um velho lobo dos mares. Sua bravura compensou todos os anos que fiquei distante. Cara você se foi e eu fiquei, fiquei com aquela má impressão de um mundo incompleto. Fiquei com a bola que jogávamos, com aquela telha que incomodava todo mundo em casa. Fiquei com os jogos de futebol e com o radinho de musica caipira que você escutava. Fiquei com as pescarias e com o papos que faltaram entre a gente, esses papos de homem pra homem, eu ainda era um garoto quando você se...

Entre a mosca e o infinito

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Criamos este universo entre o escuro e o claro. O Sol nascente anuncia um novo dia, começamos a vida antes mesmo de descobrir que algumas outras coisas estão ali a mais tempo que pensamos. Antes mesmo de interligarmos pensamentos o mundo já era mundo, nos resumimos a tantas coisas e descobertas, livros e falhas, somos humanos. Nos protegemos inclusive da luz que em abundância torra a nossa terra, nossas casas, nossas vestes e tudo o que ela toca, uma imensidão nos aguarda do outro lado da atmosfera, calculamos buracos negros e anunciamos nossa grandiosidade, o ocioso é mal visto e a merda nos remete ao lixo. Quantas vezes viajamos no tempo quando nos vimos velhos, usados, maltrapilhos e convalescentes. Ao olhar uma foto de alguns anos atrás, temos saudade de um tempo que não voltará, em escalas humanas, partimos de um lado ao outro do mundo, nos atrapalhamos com os fusos horários e alcançamos o Karma. Enfim nosso tempo de vida se vai, num estalar de dedos. Ditadores caem, ...

Estás errado!

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Dias frios são como pedras, te olham mas nunca saem do lugar. Você sente que elas não se movem e não deixam de olhar para você. Certa vez, olhando o mar batendo nas pedras senti como se a praia fosse diminuindo a cada onda. As pedras estavam ali, estáticas. Me envergonhei de tanta reparo que botavam em mim, pareciam velhas, aquelas que sentam-se na calçada e notam as diferenças... Devem ficar ali por muito tempo para saber o quanto cresci, o quanto algo importa ou o quanto simplesmente a minha moral é duvidosa ao sentar para ver o mar. Duvidosa eram as pedras que incansavelmente comentavam sobre tudo, inclusive sobre as gaivotas que pareciam ficar por alguns segundos paradas no ar quando a brisa batia, elas vinham em direção a praia e retornavam ao mar quando a brisa era mais forte que suas asas batendo em ritmo acelerado e em um mergulho, voltavam ao mar. O Sol forte de verão, as ondas, hora calmas hora inseguras, o semblante dos pescadores que...

Vento

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Céu encoberto por um certo desespero, a chuva insistia em não cair. O Ipê florido, as árvores recostavam como crianças na hora da naninha. Nada ali tinha vida, não tanto quanto aqueles dias azuis de maio, enquanto céu, enquanto vento, por enquanto mantinha-se na espreita, estreito, entreaberto, como uma porta, inerte. O vil, convivia com aquele peso, que no muito mais onde avistava a colina a subir, pisoteava a terra e se sentia como se fosse a própria, levada pelo vendaval no qual situava. Acreditava na justiça dos seres, em plena era tecnológica onde tinha plena certeza donde o mundo era todo criado, não pelo criador mas por uma lógica de programação. Desigual nos termos vigentes pela matriz, casas, pessoas, seres sobrevoando e aterrizando. Aterrorizado com o modus operandi que levava ao findável momento. Numa caixa, encontrou as respostas de um passado distante. Via luz, via de fato, ascendeu ao firmamento no tempo em que as sobras eram o sustento. Rebuscavam o ant...

Num mesmo instante...

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Consultavam os ancestrais Perdiam-se no medo Alcançavam suas preces mais profundas Degustavam uma solidão mórbida Do mesmo apreço Surgiam os puros Nos quais abriam caminhos Para insurgir diante do inverno Pés descalços na neve fria A neblina cobria o acaso Inebriante retorno No qual era triste por simples vontade Os pássaros não mais cantavam Nas esguias arvores retorcidas Buscavam alguma coisa que não sabiam Ascendiam aos céus em sinal de desapego No maior dos riscos Saltavam em direção ao precipício Presunçosos humanos Duvidaram da força deste O amor veio Cortou Matou E deixou saudade...

Lá vem a cidade, adaptação para texto, por Lenine.

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Eu vim plantar meu castelo n aquela serra de lá, o nde daqui a cem anos v ai ser uma beira-mar... Vi a cidade passando, r ugindo, através de mim...  Cada vida  uma batida d um imenso tamborim.  Eu era o lugar, ela era a viagem.  C ada um era real, cada outro era miragem. Eu era transparente, era gigante.  Eu era a cruza entre o sempre e o instante.  Letras misturadas com metal e  a cidade crescia como um animal, e m estruturas postiças, s obre areias movediças, s obre ossadas e carniças, s obre o pântano que cobre o sambaqui... Sobre o país ancestral, s obre a folha do jornal, s obre a cama de casal onde eu venci. A cidade p assou me lavrando todo...  A cidade c hegou me passou no rodo...  Passou como um caminhão p assa através de um segundo q uando desce a ladeira na banguela...  Veio com luzes e sons.  Com sonhos maus, sonhos bons.  Falava como um camões, g emia feito pantera.  Ela era...  Bela... fera. ...