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Quibus Pythonicus

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Seres errantes, tão somente em seu ciclo enquanto elípticamente seguem a força gravitacional. São mundos que entre os mortos e os vivos, prosseguem-se em pleno curso. Uns mais fechados e outros mais abertos, caminham junto a cometas, meteoritos e poeira espacial, assim como outros errantes, mantém-se sozinhos observando seus iguais. Ainda que se diga que a vida permanece intacta em meio ao infinito, é possível que se escondam no lado escuro dos astros, um ser que em alguns aspectos se torna morto-vivo, onde a luz o incomoda e a escuridão lhe pertence, é frio, sombrio, fúnebre. O mundo pelo qual não se enxerga mais, é apenas mais uma pequena parcela do que se sente. Neste instante em que os olhares se cruzam, o caos se instaura, o medo corrói e não há mais saída. Viajando bem rapidamente com destino incerto, novamente baseado em cálculos e informações deturpadas, o fim é anunciado com pavor. Apenas os seres errantes continuam se movendo em seu curso natural. Não há igualdade na...

Urano ou como prefira chamá-lo

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Como todas as noites em um momento de sintonia com o cosmos, observava os rastros da Via-láctea, deitado sobre a grama sintética, percebia que nada daquilo era real, inclusive o céu, aliás, até mesmo o céu. Tornava as coisas mais amenas a vacina de prazer diária. Os escravos ainda viviam como num mesmo momento em que todos se rebelavam, o menor sinal de rebelião era absorvido com doses de inverdades e calúnias, se sentiam culpados por pedir bom senso e se calavam. Poderiam se deitar na grana para observar o céu algumas horas por dia. Neste ponto as horas eram divididas entre o simples e descomplicado capataz que de 15 em 15 minutos acordava os dorminhocos e os mandava trabalhar. Em sua razão, os mesmos avisavam que estavam em seu período de descanso, o caso é que aquilo se repetia varias e varias vezes, já que o capataz parecia ter amnésia, ou seja, durante todo o período de descanso, todos eram avisados de 15 em 15 minutos que o trabalho deveria ser feito, ficavam todos atôni...

Do outro lado

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Buscava alcançar o horizonte a sua frente, por isso caminhava incansavelmente. Procurou correr, chegar mais rápido. Viu que corria sempre em círculos e por onde andava permanecia em rotação apenas. Jamais chegaria ao horizonte daquela forma. Desolada, sentou-se na calçada a pensar como o mundo poderia ser tão cruel com os viventes em plena formação vigente. Aquilo não poderia existir de outra forma, pensou, não poderia exigir o fim, extinguir. Estava dentro de uma jaula, criada por uma atmosfera cinza, presa. O céu azul por vezes cheio de nuvens por vezes limpo causava claustrofobia. Seus cabelos ao vento fizeram a descoberta impossível, sua fuga deveria ser de forma retilínea. Enquanto a gravidade agisse sobre seu corpo, ela permaneceria caminhando em vão. Foi quando que em seu mundo, buscou um foguete e ascendeu aos céus, quebrou barreiras e negou seu arrependimento ao perfurar o muro azul. Encontrou-se em meio ao vácuo, desejou voltar ao planeta, mas, pensou que ali est...

Nebulosa

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Minha pele ainda está quente e meus cabelos levemente arrumados após aquele momento de fúria. Ascendi aos céus e morri no pleno mar de lava e fogo que é o inferno. Eu chamei seu nome, eu busquei seu sorriso e tudo o que tive foram apenas a vastidão de uma área inóspita. Me envolvi com o hábito de permanecer sempre em pé. De joelhos nunca mais eu viveria. Assumi os riscos e hoje um gosto amargo amarra minha boca, prende minha língua. Acabo por mim, por conta, anexando a solidão e a falta de ter para onde ir. É uma vida sobrevivida. Ontem senti seu cheiro, ouvi você me chamar, ontem eu estava esperando você me buscar, dizer que estava tudo bem e que o mundo seria nosso novamente. Ontem, eu vi você partindo, ontem eu assumi me tornar alguém melhor, ontem eu saquei que jamais seremos nós dois novamente. Ontem dormi sozinho, no relento, percebi como o sereno da madrugada é agradável aos cadáveres ao léu. De ontem em diante, os sonares pararam de responder. As memorias se mantém p...

Daniel na cova dos Leões

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Um bicho enjaulado dentro de um lugar que não era mais o mesmo. A mente ia longe, o corpo não mais.  Suas preces por misericórdia tentavam explicar o inevitável, não era medo de morrer ou coisa parecida.  Estava ali, sentada, como uma criança com medo do escuro assistindo o por do sol, sabíamos que a luz artificial não iria muito longe e durante um desastre nuclear, o céu se empanturrou de cinza e marrom. Raios em meio ao pó, chuva esparsa em meio ao clima árido no qual situava sua pele. Parecia medo da morte. Era o que parecia. Enquanto o mundo continuava seu percurso rumo ao entrelaço das galáxias, Andrômeda estaria a 2,3 Milhões de anos-luz. O que diria do ser vivente em solo terráqueo. Uma lágrima escorreu daqueles olhos ao ver que o mundo lhe castigava da pior forma possível, com o medo do tempo o tempo passou. Se entregar a escuridão não é de Deus ou do Diabo, a escuridão por si só é do ser humano, é digno dos seres viventes e pensantes, a dor, o ret...

Hara

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Passando os dias em uma conexão com energias tão seguras e tranquilizantes, já passaram por momentos que você se abstrai do mundo e se vê em uma espécie de bolha? Nestes dias passados me vi descascando um coco, mas ai você se pergunta, como se descasca um coco, com uma faca, ou algo parecido? Não, o modo rustico da coisa, com as mãos, e percebi que muitas coisas na vida se assemelham a descascar um coco sem ajuda de nenhuma ferramenta, a não ser as próprias mãos. Não se iluda que bater o mesmo no chão seria uma rotina, em nenhum momento se pode dar com os problemas assim, jogar no chão para ver se algo acontece. A incerteza tomava conta de minha cabeça quando me via sem uma pedra afiada ou algo do tipo, o método rudimentar nem sempre é o correto. Mas, bem, sem explicações e veremos as considerações finais. Ao verificar o fruto como um todo, percebi algumas imperfeições, e começa por aí, nada na vida é perfeito. Mas para se chegar ao final com alguma qualidade, é necessário que...

Colônia

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Diário de bordo, data solar, calendário gregoriano aos 16 de Outubro de 2075, Marte. Cá em Marte o ser humano ainda não convive com a atmosfera, não somos capazes de respirar lá fora, sobrevivemos em meio aos laboratórios de pesquisa e as cidades compostas unicamente de vida artificial. Ontem alguns corajosos tentaram respirar sem aparelhos e roupas próprias, não duraram muito tempo, os olhos pareciam saltar e eles sufocavam com o ar rarefeito. Alguns outros ainda pensam que é loucura manter uma colonia de povoamento no planeta vermelho. Por aqui já inventaram a mídia, possuímos inclusive alguns outros corajosos que militam contra o estado e pensam em deposição. Atentados a bomba não funcionam por aqui, nem aviões e nem terroristas, aqui, o mal é o ativismo. Após algumas décadas, entenderam que descobriram apenas metade do planeta e a outra metade, inabitada, está sucumbindo aos caprichos do planeta azul. Não há guerras por aqui, não há problemas maiores do que a própria a...