Postagens

Dona eis Requiém - 1.1

Imagem
O mundo parecia do avesso e com certo pesar, os demônios internos ainda perseveravam em arriscar romper a pele grossa para alcançar o mundo externo. Arrebentar o peito e escapar com louvores e os sons dos anjos caídos, de certa forma, naquela sala, em frente a lareira era algo a se pensar, mas concluir era outra história. Após 394 anos em vida, transportando animais inocentes e exterminando a raça humana para sua sobrevivência, de fato o fogo não mais aquecia e não mais clareava a casa como antes. Estávamos percebendo que o dia durava menos e a noite era mais escura. Era necessário um novo pacto. Já nos encontrávamos em uma espécie de ritual xamânico, no Quênia, estava deitado, fruto da caça, boca aberta, como se estivesse gritando, em sinal de medo e dor. Cordas amarravam os membros superiores e inferiores para que não houvesse locomoção. O carrasco viria mais tarde, com a ponta de uma lança, ferindo a jugular e o baixo ventre de seu sacrifício, a luz do mundo se acendeu, o f...

Minha azul Moscou

Imagem
Eu não acreditei quando você se foi, cá deste lado do Mar Negro, os pés gelam enquanto pisam a neve. Cá deste lado do Mar Negro, procuro compreender por vezes incertas o quanto significaria para mim sua partida. Enquanto estive em Moscou, percebi que os Russos tem uma peculiaridade estranha em suas palavras, assim como todas aquelas vezes em que eu não sabia muito como te dizer, mas, talvez, aquela moça que passava pelo nosso lado enquanto tomávamos um drinque no Dorogaya, não estivesse apenas de cara fechada por estar de mal com a vida, os russos tem uma peculiaridade em suas vidas, desde o nascimento até a morte. Percebemos isso ao ler Dostoiévski, o grande imortal. Há muita paz no território gelado denominado Russia. Apenas não há felicidade. O povo russo é festeiro, se embriaga com frequência e se mantém em uma tristeza profunda. Antes disso, lembra? Nos conhecemos nas ruas de Manhattan, você jogava pipoca aos pombos, estava quente, era primavera e naquele ponto, algu...

A Menina e a Fumacinha

Imagem
Observava a tal com muito esmero, a fumacinha branca, branda, calma, leve, quieta. Barulhento o motor, que vive dentro da cabeça dela, este fazia vruuuum... Cabeça pensante da menina que observava a fumacinha com esmero. Ela viajava aos mais estranhos mundos, esfumaçados, até o mais profundo oceano. Navegava pelo Tejo, caindo no Mindelo passando pela Morávia, sim, rasgada pelo Moldava. O que moldava mesmo, era a fumacinha, moldando os pensamentos sozinhos da menina que a observava atenta. Nos mais singelos movimentos, a fumacinha fazia-se presente e sumia, se esvanecia no ar, aparecia, como quem não quer nada, sumia como quem não dizia nada. Quem dizia era a menina, contracenando com aquela que hora surgia e hora ia. Começava um jogo, um jogo só, após um dia pesado, arrastado, quase caricato, no fúnebre quarto, faziam companhia uma a outra, de um lado o peso do dia, do outro a branca e calma que apenas aparecia, enriquecia o ar com sua leveza e ia. Ao manter-se em pleno e sono...

Teu perfume

Imagem
As montanhas se achegavam, cheias de histórias De certa forma enquanto eu acessava minhas memórias. Teus olhos, verdes acastanhados tão iguais aos meus, castanho esverdeados. Uma cidade tão linda em seus encantos Uns dias divididos em seus momentos. Caía a tarde feito um viaduto... Um bêbado trajando luto. Enquanto um beijo acontecia Em Outono a cidade entardecia Entre constelações e o sistema solar Existe muito mais de nós, que nós podemos acreditar. Naquele instante em que as estrelas eram testemunhas Uma cadente surgia e sumia no meio das penumbras Na estrada o tempo corria depressa demais Lembrando que eu estaria de volta ao cais. Saudade da manhã preguiçosa, das noites mal dormidas Dos olhos que me olhavam pela manhã Da cidade que iniciou nossas vidas, De ter a mente sã.

Boas novas do Leste - Por Hoederer

Imagem
Por meio das bases justificáveis venho por meio deste concluir a necessidade do capitalismo dentre os países do mundo atual. Tendendo as bases já aplicadas e as bases aplicáveis dentre um sistema onde todas as formas visam o lucro o capitalismo não fez a menor diferença entre o povo, as tecnologias e todo um processo democrático onde podemos crer que a pesquisa tecnológica existe mesmo onde não há a visão de lucro e sim um progresso que seja confortável aos que utilizam do sistema publico, este sim deve conter apenas o necessário para que haja a máxima dignidade aos que o sustentam, sendo assim, o estado prove tudo o que o povo necessita assim como o povo prove tudo o que o estado necessita, a troca de serviços entre comerciantes e pessoas comuns, turistas e/ou representantes do próprio órgão regulamentador e preservador de todo o contexto natural. No final das contas, os valores apresentados por um país ex-participante dos blocos socialistas da ex-URSS, apenas convivem com o que ...

Seres errantes, par amour!

Imagem
Ela apareceu. Linda! Seus olhos azuis. Por dentro! Quanto conteúdo. Conversaram por alguns dias. Rolou um beijo. Eles conversaram muito mais. Era de manhã quando ele a deixou em casa. Ele gostou muito dela. Ela tinha outro alguém. Saíram outras vezes (mas que fique claro, nada aconteceu). Até que essas histórias mal contadas os distanciaram e eles nunca mais se viram. Em tempos modernos, a vida segue. Afeição significa desespero. Os desesperados que se lixem e o afeto que se foda. De amores imperfeitos vive um poeta que s e inspira a criação   Enquanto do ser se faz  o dramático em seu declínio, em paz no apogeu e queda de uma paixão. ..

Dona eis requiem - 1.0

Imagem
O vento frio passava pelas frestas da porta de madeira. Tinha um aspecto de casa arrumada, rústica, de amarração estreita. Era aconchegante de qualquer forma. Nevava lá fora, os vidros das janelas por dentro aquecidos pelo fogo da lareira, hora estavam embaçados e hora derretiam a neve que caia sobre o meio fio da armação quadrada. Um homem entra em cena, vestindo poucas roupas para o frio que fazia lá fora, não parecia se importar com a temperatura e trazia junto de si em seus braços uma corsa abatida pela nevasca, quase já sem vida. Deitando o animal frente a lareira, esticava as pernas na poltrona enquanto se alimentava e aguardava pela recuperação do seu novo amigo. Num lapso, o animal convulsionava para seu fim até que o homem levantando-se esticando suas mãos por cima do ser sem vida enquanto recitava alguns versos criados por uma voz oculta, ela parecia recitá-los em seu ouvido enquanto ele apenas repetia. Sentia-se um calor fora do normal durante o processo, uma en...