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Contos Maconheiros - 01

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Um casal de velhinhos sentados na varanda, a brisa batia leve, cada qual em sua cadeira, estavam quietos. Ele com um leve sintoma de Parkinson portanto era ela quem dichavava e bolava o baseado. Cigarro pronto, Tânia olhou para David com um semblante alegre, ela queria por fogo logo naquilo e David sempre calmo, pediu para que ela esperasse um pouco, ele ia ao banheiro. Passados uns 20 minutos, David voltou e Tânia estava ansiosa questionando: - Por que demorou tanto? - Acha que é fácil limpar a bunda com as mãos tremendo? - Grosso, era só ter dado um peguinha, estaria tranquilo. - Eu sei, mas você fumaria tudo antes de eu voltar. - Eu seria incapaz disso. - Sei, cachorrona. Acende ai essa birosca. - Falou a minha língua, seu bocó. Tânia acendeu, como de costume, quem bola sempre acende.  Deu 1, deu 2… olhou para David, que já aguardava sua vez. Esticou a mão com o baseado, tentando passar, mas as mãos tremulas dele não permitiam que ele de fato agarr...

Volcano

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Caminhando sobre os desertos de uma mente já disposta a se desligar. Tudo aquilo era tão inóspito quanto Fukushima após o desastre nuclear. Mas como mencionar Fukushima sem adentrar nas memórias, quando o mundo era vazio. Acreditava-se tanto que cristo era o salvador que no final das contas o mataram. Enquanto isso, os seres humanos se projetam para fora do planeta buscando novos locais e novas colheitas. Num piscar de olhos estamos caminhando em campos verdes, carvalhos refletidos no lago. De certa forma fechar os olhos novamente nos devolve ao deserto intelectual. Tudo se derrete como em uma composição de cera exposta ao fogo. As cordas e correntes ainda nos prendem neste espaço vazio e cheio de oxigênio, mas, até onde, até quando? Enquanto piso nos lagos incandescentes sem sentir meus pés. Vulcões me reduzem ao simples humano, mas o pleno voo me eleva ao ser supremo, conhecer o chão que pisa por vezes não se vale de nada se a vontade de o pisar não existe. Ascendia ao pont...

Meu caro Fyodor - Prelúdio

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Te chamo de Fyodor, mas, meu amigo, como é mesmo aquela velha história de que nunca mudaríamos? Como é mesmo aquela velha frase, “os dois que se tornam um”, ou, quem sabe, três? O mundo deu as voltas que ele sempre dá. Assumimos nossos atos e lados, corremos em direção contrária por várias vezes e cá estamos, frente a frente. O espaço entre os nossos corações sempre foi mínimo, e eu não falo, obviamente, de carne, esta não é uma confissão ou palavras de amor. Está é uma carta em resposta aos teus atos, meu caro Fyodor. Por muito tempo adquiri certas artimanhas vindas da nobre terra, o tal planeta azul que tanto falam. Cá do espaço, vejo o Sol nascer por detrás de todas as mentiras que ouvi e ainda vejo o quanto os seres humanos são tão mais humanos. Sua crença não os faz melhores, as caravelas que vocês construíram se tornaram navios de guerra (não que as caravelas não os fossem), hoje eu vejo que dá mesma forma que construíram pontes, vocês destruíram as relações e cada d...

Carta de VoM a Faber, agradecimentos a Fyodor - Parte 1

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“Após pensar por um instante sobre a questão astrológica, cheguei em um ponto abstrato demais para deixa-lo em minha mente apenas. Levando em consideração que as constelações do zodíaco são conjuntos de estrelas que formam “desenhos” no céu e cada uma delas foi nomeada de acordo com a imagem que formava. Qual seria a relação que criamos entre a questão astro/física ao mencionarmos a ciência da astrologia.   No momento em que mencionamos Vênus em Câncer, ou, quem sabe, Sol em Capricórnio, Júpiter em Virgem (só coisa boa). Sabemos que tudo é regido pelo Sol, no centro do universo (o nosso universo) e quando um planeta está entre o sol e a constelação, diz-se então que sofremos diretamente sua influência desta energia que se desprende de alguma forma ao momento em que o Sol se alinha com um planeta e então com uma constelação. Já parou para pensar na relativização que temos ao compreender que o alinhamento é crucial, assim como o ponto de visão, é claro, que cria este segment...

Entre nós e as estrelas

Observava as estrelas com certo desafio nos olhos. Sentado na relva apenas por aquele instante de calmaria na cidade que nunca dorme, enquanto o cigarro ainda aceso respirava da mesma brisa gelada vinda do ártico. Águas calmas do lago refletia a luz da Lua e os sons vindos dos uivos longínquos dos coiotes que se cercavam de esperança aguardando o momento certo para avançar a caça. Era um momento único de plena divisão entre o surreal e o que estaria de fronte aos olhos. Nada daquilo caberia em uma única fotografia. Não adiantava nem mesmo tentar. Um trago a mais e a fumaça se confundia com o vapor que saia de suas narinas. Na melhor das hipóteses aquela imagem queimaria seu cérebro como o ácido. Todas as questões mundanas vindo a tona de uma vez só, não se tinha mais certeza o que era cigarro, relva, cervo ou coiote. Arma apontada para si mesmo em afronta contra sua própria vida, dali para a frente seria diferente, sabia que por mais que apertasse o gatilho saber o futuro er...