Postagens

Tous les Jours - 02

Imagem
"Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade." Talvez em um passado muito (ou pouco) distante, já se tenha ouvido uma expressão tão comum quanto escovar os dentes antes de sair para o trabalho, claro que para tal você precisa de algumas coisas listadas a seguir: 1a parte: - Ouvidos; - Orelhas; - Não ser surdo; - Se deficiente auditivo, ter um aparelho que ajude a ouvir; 2a parte: - Escova dental; - Creme dental (ou sabonete, mas não faça isso); - Dentes (ou dentadura, mas aí rola também um Corega Tabs*) - Uma porta (ou algo que se sirva para sair de algum lugar) e; - Um trabalho (seja lá qual for). Mas, voltando a real ideia sobre a expressão, enfim, eis que já ouvimos falar “fulano é louco!”, “será que você não poderia ser mais normal?”, “sicrano é maluco! Um doido!” e etc. Chega-se à conclusão de que de certa forma as pessoas loucas são mais atraentes em todas as vias. Ninguém é seduzido por alguém passando com cara de merda na ...

Tous les jours - 01

Imagem
Certa noite, Chico ao passar por um bar que estava fechando observou que foram esquecidas três cadeiras para o lado de fora, ele estava um pouco embriagado, mas pensou bem, resolveu levar as cadeiras embora e na rapidez empilhou-as e levou até sua casa, uns quarteirões a frente. Na manhã seguinte, o bar abria enquanto Chico entrava pela porta com um ar de preocupação, queria falar com o dono do estabelecimento. - Olá, bom dia. – Disse chico. - Olá, como vai? – Disse o dono do botequim - Vou bem, obrigado. Gostaria de saber se não gostaria de comprar umas cadeiras, dessas de bar, tenho algumas em casa e, sabe como é, depois da mudança acabei precisando me desfazer delas. - Hum, elas são brancas? Com o símbolo da Antártica? - Sim são. Engraçado, são iguais as que você utiliza em seu estabelecimento. – Chico tinha um ar de conclusão, mas estava bem aflito. - Eu entendo senhor, mas, sabe como é? As coisas não vão bem aqui no bar, bem, serei direto – Neste momento,...

Le temps rugit comme un lion

Imagem
Todos os dias buscava encontrar-se em uma esquina qualquer, no meio de um bar, daqueles que tocam os famosos blues. Um furacão poderia ameaçar mais uma vez aquele dia com semblante cinza, poeirento, cru. Não havia mais uma pessoa sequer na rua, todos estavam escondidos com medo e ela ficou ali enquanto os ventos pareciam aumentar a intensidade e carregar consigo tudo o que poderia perante sua força. As pessoas dentro de suas casas, acessando o porão enquanto aquela moça de estatura média, cabelos cor de arco-íris sentava-se no meio da rua, entre os carros. Parecia admirar todo aquele espetáculo de coisas voando, casas sem telhados. As caixas de correio mesmo chumbadas no chão, ainda pareciam criar vida diante daquele momento, saltando entre a folga dos parafusos, algumas se soltavam e levavam consigo memórias, notícias, propagandas e afins. A inercia trazia um pouco mais de encanto ao compreender que a cidade se destruía aos poucos e nem sempre tudo era culpa dos ventos que zun...

Missão KGB - Kiev - Parte 1

Imagem
Quando estava pronto para retornar a sua casa sentiu uma vertigem que o fez deitar novamente naquele quarto de hotel, denominado “O Uivo”, tudo o que era feito ali ficava ali, e não seria diferente com o Rostkov, codinome de nosso personagem que não terá a identidade revelada. Ele fazia parte de um grande esquema de infiltração da polícia secreta em Kiev. A cúpula de altas patentes do Kremlin continuava ali no subsolo aguardando o sinal para deixarem o local. As forças da Zvezda, responsável pelo tráfico de narcóticos da região que se estendia da grande Kiev a Donetsk, pressionavam o cerco feito naquele bairro, mas nunca desconfiaram que “o Uivo” seria quase um QG das forças armadas da antiga KGB, a hoje FSB. É claro que eles nunca desconfiariam. O dono sempre foi muito confidente com todos e inclusive parecia que as vezes jogava para os dois lados, como se ali fosse uma espécie de área diplomática. Todos poderiam entrar e sair como quisessem, porém, era proibido a divulgação...

O vazio das estrelas - Ponto chave

Imagem
É um mundo preto, que no máximo se torna cinza. É a saudade de um lugar que você nunca esteve. É o choro sem sentido algum. É a vontade de passar o dia na cama e não haverá nada que mude a sua vontade. É aquela dor incessante, como uma mordida na unha onde a carne se mistura com a pele seca, com a lasca. É o cachorro que late de madrugada, a madrugada toda, toda e toda ela!!! Em meio a isso tudo a gente levanta da cama e tenta levar o dia, alimentar o corpo, pensar em boas lembranças, trazer de volta aquela esperança. Mas sabe quando você apenas de lembrar do monstro, ele surge de novo na sua cabeça? O problema é esse, é a mente tentando dizer que chegou ao limite. É uma forma de quebrar as barreiras do imaginário e por em prática o plano “Shutdown” e você entra em  um estado de hipnose. É um questionamento sem fim sobre o que realmente importa e a resposta nunca sai do zero. É um vazio impreenchível dentro de um corpo inerte. É um corp...

Crônica - Página 2B - Domingo

Imagem
Era azul o mar por onde as caravelas deslizavam como a patinadora desliza no gelo. Com certa leveza e ao mesmo tempo técnica para realizar seus saltos e manobras que só são possíveis com muitas horas de treino. Assim como a madeira das caravelas que passaram por muito tempo crescendo como árvores, maturando como tábuas e envergando no martelo e marreta na confecção do casco. O mar por sua vez, desde o inicio era azul, naquele momento em uma analogia próxima, nem mesmo o gelo onde a patinadora desliza seria tão puro quanto os mares nunca dantes navegados. As gaivotas davam o sinal, a brisa com cheiro de terra molhada traria ao grumete a sensação mais nobre e aterrorizante de sua vida. Ele sabia que era um caminho sem volta, já que parte da tripulação sempre ficava em terra firme sofrendo as mazelas que todo descobridor sofria. O capitão ordenava a descida do barco com quatro homens, para reconhecimento de terreno enquanto o restante se preparava para uma invasão em caso de nativos...

De Fyodor a Faber - Lembranças e notoriedades

Imagem
Faber, as vezes me encanto em saber que está por aí. As vezes eu me olho no espelho e vejo um tanto de você. Lembro dos dias que toda a família te chamava para observar os campos ainda verdes do início do outono e você raramente saia do porão. Enquanto Pyotr ainda ansiava por melhorar as apresentações na corte e toda aquela preparação da Ekaterina para o baile real. Lembra? Claro que não, eu sei. Você sempre esteve parado no tempo para esses valores mundanos. Eu sei, você está hoje onde sempre sonhou. Eu temo que não volte mais, mas, enfim, gostaria que soubesse que estamos todos bem, de certa forma. No oriente médio lançam bombas químicas, gases, como na primeira Guerra. De fato, receio termos que voltar a utilizar as máscaras da peste, mas, hoje sou apenas eu ainda neste espaço/tempo indefinido entre o firmamento e o que chamamos de limbo. Não reclamo, apenas vago pelas entranhas desta terra sem escrúpulos ou momentos prazerosos. Creio que Walt Whitman tinha receio de compreend...