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Crônicas - Parte 1 - Destino

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Certa vez eu estava sentado em um banco de praça, lendo um jornal enquanto observava as pessoas passarem, cinzas, rotineiras e espaçadas. Parecia que o tempo não havia de ser tempo num calculo quântico sobre variáveis de um mundo moderno. Os carros rasgavam as ruas inóspitas a outros seres mundanos, dotados de imperfeições e escarrados ali no meio. Uns desejavam o fim, outros temiam o ser maior de acordo com sua crença. Eram cinzas as pessoas e os pombos que por hora atravessavam o meio fio de suas vidas, passo a passo, hora lentos buscando sustento entre as rachaduras infinitas do asfalto, hora levantando voo em ascensão as arvores que o vento tentava por sua vez derrubar, estas se contorciam cheias de anseios de uma vida inteira no mesmo lugar desde a semente até o fato de se romperem as fibras e ao chão se tornariam mais uma espécie de abrigo, porto seguro, ou, quem sabe, mais um ser vivo decadente em meio ao caos mundano. Me chamava a atenção a moça que vendia flores, tornand...

Meu caro Fyodor - Pocckocmoc - O diagrama - 01

Fyodor meu amigo, estou com esta carga e preciso escrevê-lo. Mande abraços a todos, tenho saudades da azul Moscou e dos amigos de São Petersburgo e Volgogrado. Cuide de Ivanovna ou então peça ao Volga que faça isso. De certa forma as questões mundanas rondam sempre entre alguns vértices sejam sociais, capitais, comportamentais, psicológicos... A vida nem sempre nos traz boas lembranças e a partir de um certo ponto em nosso cotidiano começamos a entender que não crescemos mas, somos forjados. Somos seres habitantes de corpos errantes que se moldam por aí. Para compreender o quão inóspito é o lugar em que vivemos precisamos primeiramente compreender o que move a nossa natureza. Pensar em uma função pedagógica de acordo com o horário local da ISS lado B, ou o que chamamos de Dark Side na agência espacial (Pocckocmoc), é uma tarefa bem complicada já que estou neste momento em minha cama (chamamos de cama mas, é um aparelho que simula a gravidade e estimula o corpo a produzir as qu...

O Estado de Sítio de Albert Camus x A Expectativa do Espectador

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Como exercício de reflexão, me ponho a experimentar o lado amargo e efêmero das relações contemporâneas de acordo com a visão social (marginal e padrão) em um momento em que a não possuímos mais ídolos a não ser os advindos das religiões por hora, também contemporâneas. Não vos falo sobre religiões “Neo”, mas acuso as idolatrias que ocorrem nos ditos templos nos quais ainda se utilizam de vias arcaicas para a manobras das massas. Quando falamos sobre Estado de Sítio, de Camus, notoriamente é uma peça política onde se representam as forças e perdas da segunda grande guerra.   “Uma epidemia qualquer aflige os habitantes de Cádiz, imprevisível e forte. A imprevisão decorre da ausência de um raciocínio político a longo prazo e tem por consequências tanto o despreparo diante do novo quanto o aumento do autoritarismo. O despreparo leva a encobrir o problema: esconde-se o irresolúvel. Elevar o grau do autoritarismo é a velha prática do ataque como melhor defesa. O povo deve esqu...

Pular ou não pular, fragmento.

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"Este é um fragmento da peça escrita por Dea Loher, Inocência, na qual ela descreve um monologo no alto do prédio dos suicidas." - Dormir. Para sempre. Para sempre dormir. Meio sinistro. É isso. Está clareando, que é isso! Além disso, você não sabe nada.  Mas poderia. Mas você não sabe. Ninguém sabe. Mas poderia. Alguém deve imaginar. Sonho eterno ou o quê? Mas é chato. Não, ninguém está lá para isso. Como que não. Finalmente descanso. Você sempre quer. Já. Mas. Mas não permanente. Mas não para a eternidade, isso ninguém nem pode imaginar. Você não. Alguém deve agora... Eternamente não é tempo nenhum. A primeira vez que você entra se você está na eternidade não percebe isso. Então você já não sabe mais o que é o tempo. Então você já não pensa mais em dias e horas. Então se vem alguém e te pergunta que horas são você só olha e diz é...  Já está clareando. Já está clareando. Já não tem que ter medo do amanhã por exemplo porque já não tem mais amanhã. A semana que ...

Faber e a memória

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Fyodor meu amigo, mais uma vez prevejo complicações vindas do espaço. As esferas globais ainda não entenderam que o maior problema do ser humano talvez sejam suas memórias, e, por falar em memórias, como anda Volga? Este gato me deixou demasiadamente chateado quando parti, ele sequer se despediu e em um movimento circular ele apenas se jogou para baixo da cama enquanto aqueles homens da POCKOCMOC vieram me buscar, não tive escolha, meu caro amigo, a não ser segui-los com destino a este lugar pequeno, escuro e artificial. A vida aqui está complicada e ontem soube que o oxigênio do mês que vem não virá, estamos em racionamento e a parte americana da ISS está escura, eles devem ter entrado em estado de hibernação. Todos eles estão em sono profundo, ou, se minhas mais mórbidas suspeitas estiverem certas, eles foram embora. Ontem junto com a notícia da não renovação dos cilindros também ouvi um barulho estranho enquanto as escotilhas se fechavam travando a passagem no centro, os lados...

Fiori

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As voltas que o mundo dá dentre os astros e átrios numa cúspide estranha recheada de entroncamentos e devaneios numa viagem possivelmente só de ida acusam os temores, teores, teorias (a priori) de forma a se modificar conforme as cítaras se fundem ao som do piano de cauda. Os motivos pelos quais a vida se arremessa a frente de um processo de evolução, dentre tantos outros processos, a democracia mundana nunca foi a democracia vista na forma crua, grega. O poder se instaura cada vez mais vilipendioso à sociedade que sustenta a metrópole em campos de papel onde soldados marcham em círculos enquanto o Sol detém do brilho excessivo em relação às ruas desertas, sem água, sem motivos e sem sinalizações. A muito custo adentramos num mar de possibilidades esperando na janela de um quarto escuro e voltar atrás não é uma escolha, nunca foi. O passo a frente é inevitável e a discussão de todo o contexto social é mais que necessária nos dias sombrios vividos e abstratismos à deriva são a...

Tous les jours - 04

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Ao passar por aquela ponte, parou no ponto mais alto e, em um lapso pôde sentir o vento em seu rosto e todo o entorno das pessoas que se compadeciam com mais um corpo que se chocava ao solo de forma brusca. Tudo se reconstruía em sua mente e o céu visto era apenas mais um céu coberto de incertezas e tristezas, aqui jaz mais uma mente insana que não suportava o mundo. Para alguns era covarde, para outros era realista, para estes era um sinal de que aos poucos a sociedade matava seus ídolos e idolatrava outros os quais não tinham nada a doar. De certa forma o mundo era aquele mesmo e tudo o que ele poderia fazer era se juntar ao limbo ou arriscar um salto ao infinito desconhecido. Abrir os olhos com um dos pés apoiado na grade pronto para subir mais um degrau fritou os miolos do sujeito que só estava ali a passeio. As pessoas em volta só observavam sem dizer uma palavra. O clima agradável da noite densa apenas ressaltava a luz dos carros que cruzavam o mesmo caminho. Dali em diante...