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Mostrando postagens de 2016

Dona eis requiem - 1.0

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O vento frio passava pelas frestas da porta de madeira. Tinha um aspecto de casa arrumada, rústica, de amarração estreita. Era aconchegante de qualquer forma. Nevava lá fora, os vidros das janelas por dentro aquecidos pelo fogo da lareira, hora estavam embaçados e hora derretiam a neve que caia sobre o meio fio da armação quadrada. Um homem entra em cena, vestindo poucas roupas para o frio que fazia lá fora, não parecia se importar com a temperatura e trazia junto de si em seus braços uma corsa abatida pela nevasca, quase já sem vida. Deitando o animal frente a lareira, esticava as pernas na poltrona enquanto se alimentava e aguardava pela recuperação do seu novo amigo. Num lapso, o animal convulsionava para seu fim até que o homem levantando-se esticando suas mãos por cima do ser sem vida enquanto recitava alguns versos criados por uma voz oculta, ela parecia recitá-los em seu ouvido enquanto ele apenas repetia. Sentia-se um calor fora do normal durante o processo, uma en...

Pêndulo

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Clara observava seu reflexo no espelho d’água. De certa forma também observava todo o seu redor através das calmas águas, Clara inventou seu mundo dentro daquele lago e num piscar de olhos pôs-se a crer que o mundo fosse exatamente como o lado de dentro. Acessando as águas claras, Clara transformava seu mundo novamente, mas até então, tocou o fundo do lago, ainda sem soltar o ar tão rapidamente percebeu que aquilo a pertencia. O mundo afora das águas claras de Clara não seria mais o mesmo mundo aconchegante, Clara sentiu frio, Clara tentou gritar e de sua voz, saíram bolhas, Clara claramente estava feliz com os peixes-lua, algas coloridas, sereias para lá e para cá e os peixes que Clara conhecia... Clara nomeou cada ser ali dentro, deitada no fundo, as algas faziam cocegas em seu corpo enquanto ela apontava e ria dos peixes com caras estranhas. Clara deitou-se no fundo enlameado do lago claro.  Ali se apoderou do mundo que a apetecia. Ela pensou em seus livros, seu...

Manutenção

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Enquanto as metrópoles cresciam um universo surgia entre as escadas e elevadores dos arranha-céus. Ao observar a beleza do palácio do Kremlin, chegaríamos a cúpula da catedral de São Vito no Prazsky hrad, isso em Praga a cidade cortada pelo Moldava, sob os domínios ainda da Capela de São Venceslau. A beleza da tecnologia nas torres Petronas nunca mais seriam porém um empecilho para uma sociedade que mataria seus ídolos e entrepostos do momento em que a catástrofe nos trás os funerais. Um mundo de luto e a natureza não sessa, sem piedade, abismos simplesmente brotavam. O homem não haveria de ter, apenas, entretanto, piedade de seus próximos. Em vista a larga escala que se constrói tantas outras estações de metrô, ou mesmo passo em que o mundo se afunda. Sempre haverá aquele que dirá, profanando e doutrinando uma nova religião, seita, credo ou simples fatores mundanos, que delicia. A mente humana se molda, se cria e sempre encontra uma outra forma, ela se reinventa a cada dia, d...

Notas de um epitáfio

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Cara, Dia desses me disseram que perdoar faz bem para a alma, ela se descarrega de forma a não ter mais o peso do rancor que a corrói, ela não mais se dilacera com uma simples lembrança. O perdão por si só, já é algo bonito quando falado em público mas não venho ao público por simples status ou imagem, espero de coração que leia esse texto e carregue isso para a vida. Lembro de ter tratado você como um pai trata um filho, rimos juntos, paguei a sua conta, dei o que eu tinha de mais precioso e de mais bonito em mim, a minha caridade. Não sinta-se menos por isso, ser alvo de caridade não te põe para baixo ou me enobrece, apenas nos coloca em um patamar onde eu tive empatia por sua pessoa e por seus anseios. Eu perdi a calma quando te vi em situações adversas e fiz o possível para alegrar o seu dia, neste tempo em que compartilhei da sua amizade de um jeito mais puro, eu fiz o papel que talvez nem o seu pai fizesse. Te levei nos lugares e permiti que acompanhasse nos lugares que ...

A relação de Picasso nos tempos de hoje

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Os quadros e espelhos tinham nome, algo que não se parecia com alguém ou não lembravam nada. O mundo estranho era como se uma vida inteira tivesse se estragado e não falo apenas de vidas e sentimentos, descrevo o orgânico. O mundo estava preto, como num Guernica. Sofrimento, animais meio gente e tudo meio a meio. Algo acontecia no mundo nas vistas de um cidadão que apenas sentado em seu leito após o despertar, entenderia que abrir os olhos e manter-se vivo não seria o suficiente. As plantas negras, secas, remetiam ao carbono. Não foram queimadas ou atingidas por grandes temperaturas. A erosão deu-nos a resultante, no fundo, o ar, a água e a terra são degradantes elementais.  Algo na matriz se moveu, senti como se uma rajada de vento tocasse meu rosto neste dia em que olhei para o mundo de uma forma mais descritiva. Os quadros pendurados, milenares, seculares, eu me senti num barco a velas, à deriva.  Os espelhos agora descobertos mostravam que o mundo invertido ...

O Retorno de Saturno e Kafka

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Este texto nada tem a ver com a música composta pelo Luiz Guilherme Araújo, o então vocalista da banda Detonautas denominado então Tico Santa Cruz. Este texto tem a ver com você que vive no meio fio entre a faísca e a explosão. Com vocês: O Retorno de Saturno e Kafka. Façamos um exercício de reflexão: Pense em linhas, espirais, formas geométricas.  Pense em uma parede. Pense em uma caixa. Pense em cores. Pense em uma bailarina. Pense em um sentimento. Pegue todas as formas pensadas e coloque na caixa, chacoalhe a caixa com o sentimento que pensou, coloque-o em sua cabeça enquanto movimenta a caixa e abra enquanto chacoalha. Pense no respeito zero pela gravidade, inclua neste exercício o vácuo. Pense na lei de Murphy, some as possibilidades cabíveis e agora pense na cor das formas saltando da caixa e voando pelo cômodo no qual você situa. Pense agora nas cores que saíram da caixa e sobre todas as cores que compõem o todo. Quais as formas que se chocaram na par...

Ah, look at all the lonely people

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Franz ainda adorava surpresas, queria voltar de sua empreitada muito antes, ele era um soldado real, de cavalo branco. Franz a esperava no lado Leste da montanha, Franz queria voltar antes, Franz não sabia mais o que fazer sem Rigby nos montes gelados e inóspitos do sul. A melhor ideia que ele teve, de longe, tatuou a silhueta de um pinguim em seu abdome definido, no bicho estava escrito “Rigby”.  De dentro desta tatuagem saia um arco-iris que buscava por Rigby a cada 20 minutos do dia. Sem saber, a moça atravessou a montanha pelo lado Oeste, (SIM essa história de amor tão bela estaria se desencontrando justamente na hora do encontro), Franz deixou tudo pronto em sua casinha no pé no morro, inclusive tinha alguns panos de prato para que Rigby cozinhasse todos os dias e mantivesse a louça limpa, assim como vassouras feitas de folhas de bananeira, para que ela varresse tudo e arrumasse as camas, lá tinha rede de celular, mas pegava mal. Por um acaso do destino, Franz enquant...

All the lonely people, where do they all belong?

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Numa dessas reações inesperadas ela cantarolava uma canção (com o perdão da palavra) meio bostinha, dessas que a gente só canta quando está apaixonada e isso era um problema para Rigby, a sorte é que ele estava longe, bem longe, pelo menos em tempo ela estaria a salvo. Os mais renomados pesquisadores que se aventuraram em desbravar a mata fechada que guarda seu tesouro, não voltaram sãos ou normais, uns, inclusive hoje amargam o sabor da liberdade de um quarto escuro com portas e janelas trancadas por fora. Muitos agiram com bravura ao saltar por lâminas, resolver puzzles mortais e lutar contra um monstro de 8 braços armados com 4 escudos e 4 espadas. Após lutar com tudo aquilo e saber que a caixa do tesouro estava a sua frente, uns comemoraram, outros surtaram, outros até sentaram-se sobre o baú para tomar um ar, uma água, champagne, vinho, fumaram cigarros enquanto idealizavam entre todos os prêmios que um homem poderia ganhar de uma mulher e por fim a senhora Rigby surgia em meio...

All the lonely people, where do they all come from?

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Rigby e Franz era o típico casal virtual, já haviam se visto mas nunca se tocado de forma a conduzir um relacionamento. Rigby era dura na queda e Franz todo coração. Eles existiam, ela já era mãe e ele queria mais, algo impensado na vida da moça que virava monstro durante o período, não era culpa dela, diziam os mais sábios e ex-combatentes, ou vulgo, ex-namorados, ex-maridos, ex-médicos (uns morreram, outros vivem por aí, na boemia ou trancados em um quarto escuro após enlouquecer). Ela tinha uma bravura sem igual e sonhava com tudo o que fosse possível sonhar e o que não fosse possível ela inventava. Assim vivia Rigby, não tão sonhadora com um casamento quanto na música dos beatles e também não tão misteriosa quanto o padre Mackenzie e seus sermões. Apenas entendemos que no fim disso tudo, alguém estará limpando as mãos e outro no túmulo. Ela sonhava com o típico cara que a levaria dali para um local mais agradável, menos frio, menos extremo... Ele p...

Ah Se Não Fosse o Amor - Lirinha

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A minha ilha não existe mais Será que o mar já percebeu Ela desapareceu Há se não fosse o amor Pra recolher o óleo que vazou Mas ninguém viu a marca no meu corpo Como é que pode alguém entrar E dentro se desmanchar? Nunca esqueça as oferendas Quando contar na rua as nossas lendas Mudei pra laje de um prédio vermelho No alto é sempre bem melhor Pra quem vive só Ah se não fosse o amor E a força incrível do seu reator Dentro do mar o velho marinheiro Na sua orelha um brinco de anzol Brilha seu brinco no alvo do sol Brilha seu brinco no alvo do sol Chamei você Mas você não veio Eu entendi que era normal Nada pessoal Ah se não fosse o amor

Viagem astral

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Entre os canhões e trincheiras caminhei entre os escombros com você em meus braços, seus olhos estavam cheios de esperança. Certas horas em que eu precisei de todo o meu vigor físico ou quando utilizei minhas mãos para empunhar um rifle encontrado junto aos corpos no chão, você foi de cavalinho, numa dessas mochilas grandes e confortáveis por dentro, sempre sendo meus olhos e chamando-me de papai, a hora que você teve medo, foi exatamente quando eu me virei para protegê-la dos tiros que viriam. Em meio aos pallets, pedras, corpos, templos, glórias e devaneios a noite caiu, nos escondemos em um lugar puco claro, troquei sua roupa, lavei seu rosto e te vesti com algumas vestes que haviam por ali, engraçado como você não deu um pio, conversou comigo como conversamos no aconchego do lar, beijou meu rosto com o mesmo carinho de sempre, te abracei e segurei as lágrimas, elas vieram enquanto eu te via dormir.  Adormeci também, após te cobrir. Acordamos com uma bomba, ao longe, er...

Calvin Cristo

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Nestas andanças pelas cidades em que passava, concordava que o business era essencialmente o grande ápice da viagem. O Networking ainda se fazia complicado pelo idioma disléxico, por hora, translúcido. Limpo, concordante era o mesmo que olhar num espelho e repetir a mesma palavra com diferentes tons entre  os vícios que continham as ruas cheias de gente. Afirmam que o primeiro Sultão otomano teve um sonho profético, onde surgia em seu peito, uma lua e uma estrela, que se ampliaram, num presságio da conquista da dinastia de Constantinopla. Mais tarde, com a queda de Constantinopla às mãos do Sultão Mehmed II em 1453, foi visto no céu, uma lua e uma estrela, cumprindo assim, o sonho profético do Sultão. A lenda mais aceita pela população turca, é a que conta que Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República turca, caminhava pelo campo na noite seguinte ao combate vitorioso durante a Guerra de Independência Turca, e percebeu o reflexo da lua crescente e da estrela sobre um v...

Devaneios - Parte 2.7 - Entendimentos de uma mente compreensiva e não compreensível

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Dizem por aí que a vida é composta de momentos, outros vivem de passado e outros ainda fazem planos e mais planos. Uns falam de amor da mesma forma que falam de mulheres/homens nu(a)s ou então falam de amor como se pede um Fast-food. Dedico aos poetas que utilizam a palavra e o pensamento ao mais assombroso do ser humano, o submundo que compõe o simples e objetivo cérebro. Desta forma, pense que vivemos numa sociedade em que acordamos e pela primeira vez no dia respiramos conscientemente o ar que o mundo nos serve, nutrido com o oxigênio que as árvores produzem durante todo o dia, juntamente aos raios de sol que simplesmente iluminam todo o processo de composição da rotina. Possuímos um modus operandi simplesmente fantástico e ainda temos tempo para pensar em o que nos move. O que compõe a nossa física quântica para que simplesmente nos impulsione a levantar cedo para uma corrida matinal ou então para ficar mais 5 minutinhos na cama, o que nos mantém presos as pessoas ou o que nos afa...

Quem sabe isso quer dizer amor

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Primeiro saiba que todos estes cigarros são culpa sua. Daquele dia em diante que olhei nos teus olhos, você me disse alguma coisa estra nha que a minha alucinação não permitiu que eu compreendesse. Eram versos, versos deturpados pelo meu pesaroso momento de reclusão. Eu estava exilado em meio a sinapses e meias verdades, meu corpo respondia cruelmente aos meus comandos, era leve, bem leve, era claro, bem claro, um sussurro era como se eu estivesse submerso. Num momento de extrema confusão eu ouvia teus gritos ecoando dentro da minha cabeça, teus versos. Suas vestes levemente amarrotadas dignas de final de festa, apenas faziam com que meu transtorno se roesse por dentro, em meus ossos. Eu olhava para os tons brilhantes, para os detalhes, para você. Seus olhos, ah, seus olhos, seus olhos, seus olhos...  Não consegui mais conter minhas vontades e me joguei na piscina, desta vez a água era real e seria iminente o lumiar, emergente era meu corpo em meio a profundidade das águ...

Veleiro

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Por mais que as vitórias venham, o sentimento de derrota insiste em amargar a boca. Ficamos nós, seres datados do século passado, de duas ou três gerações para trás o mundo tem se tornado mesquinho. Guerras se vão, ataques e contra-ataques, o mundo tem se tornado mesquinho. Experimenta-se o inferno enquanto navega em mares caóticos, passamos por provações e vivemos tentando remediar o irremediável. Pensar a frente quer dizer encerrar os conflitos e manter a paz que se é de direito do ser humano. Deixar de criar problemas e pensar na manutenção da espécie. Desta forma ascendemos aos céus e num rasante temos um momento tão próximo às nuvens, compreendendo as alturas. Vemos que todos são apenas pontos, distantes, na paisagem urbana. Naquele mesmo momento que um pássaro sobrevoa o oceano e a ave mantem-se em pleno acordo entre firmamento e mar.  E então, das alturas dos prédios, entendemos que a nossa engenharia tão complexa, é criada para destruir ao mesmo tempo qu...

Quibus Pythonicus

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Seres errantes, tão somente em seu ciclo enquanto elípticamente seguem a força gravitacional. São mundos que entre os mortos e os vivos, prosseguem-se em pleno curso. Uns mais fechados e outros mais abertos, caminham junto a cometas, meteoritos e poeira espacial, assim como outros errantes, mantém-se sozinhos observando seus iguais. Ainda que se diga que a vida permanece intacta em meio ao infinito, é possível que se escondam no lado escuro dos astros, um ser que em alguns aspectos se torna morto-vivo, onde a luz o incomoda e a escuridão lhe pertence, é frio, sombrio, fúnebre. O mundo pelo qual não se enxerga mais, é apenas mais uma pequena parcela do que se sente. Neste instante em que os olhares se cruzam, o caos se instaura, o medo corrói e não há mais saída. Viajando bem rapidamente com destino incerto, novamente baseado em cálculos e informações deturpadas, o fim é anunciado com pavor. Apenas os seres errantes continuam se movendo em seu curso natural. Não há igualdade na...

Urano ou como prefira chamá-lo

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Como todas as noites em um momento de sintonia com o cosmos, observava os rastros da Via-láctea, deitado sobre a grama sintética, percebia que nada daquilo era real, inclusive o céu, aliás, até mesmo o céu. Tornava as coisas mais amenas a vacina de prazer diária. Os escravos ainda viviam como num mesmo momento em que todos se rebelavam, o menor sinal de rebelião era absorvido com doses de inverdades e calúnias, se sentiam culpados por pedir bom senso e se calavam. Poderiam se deitar na grana para observar o céu algumas horas por dia. Neste ponto as horas eram divididas entre o simples e descomplicado capataz que de 15 em 15 minutos acordava os dorminhocos e os mandava trabalhar. Em sua razão, os mesmos avisavam que estavam em seu período de descanso, o caso é que aquilo se repetia varias e varias vezes, já que o capataz parecia ter amnésia, ou seja, durante todo o período de descanso, todos eram avisados de 15 em 15 minutos que o trabalho deveria ser feito, ficavam todos atôni...

Do outro lado

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Buscava alcançar o horizonte a sua frente, por isso caminhava incansavelmente. Procurou correr, chegar mais rápido. Viu que corria sempre em círculos e por onde andava permanecia em rotação apenas. Jamais chegaria ao horizonte daquela forma. Desolada, sentou-se na calçada a pensar como o mundo poderia ser tão cruel com os viventes em plena formação vigente. Aquilo não poderia existir de outra forma, pensou, não poderia exigir o fim, extinguir. Estava dentro de uma jaula, criada por uma atmosfera cinza, presa. O céu azul por vezes cheio de nuvens por vezes limpo causava claustrofobia. Seus cabelos ao vento fizeram a descoberta impossível, sua fuga deveria ser de forma retilínea. Enquanto a gravidade agisse sobre seu corpo, ela permaneceria caminhando em vão. Foi quando que em seu mundo, buscou um foguete e ascendeu aos céus, quebrou barreiras e negou seu arrependimento ao perfurar o muro azul. Encontrou-se em meio ao vácuo, desejou voltar ao planeta, mas, pensou que ali est...