A relação de Picasso nos tempos de hoje

Os quadros e espelhos tinham nome, algo que não se parecia com alguém ou não lembravam nada. O mundo estranho era como se uma vida inteira tivesse se estragado e não falo apenas de vidas e sentimentos, descrevo o orgânico. O mundo estava preto, como num Guernica. Sofrimento, animais meio gente e tudo meio a meio. Algo acontecia no mundo nas vistas de um cidadão que apenas sentado em seu leito após o despertar, entenderia que abrir os olhos e manter-se vivo não seria o suficiente.

As plantas negras, secas, remetiam ao carbono. Não foram queimadas ou atingidas por grandes temperaturas. A erosão deu-nos a resultante, no fundo, o ar, a água e a terra são degradantes elementais. 

Algo na matriz se moveu, senti como se uma rajada de vento tocasse meu rosto neste dia em que olhei para o mundo de uma forma mais descritiva. Os quadros pendurados, milenares, seculares, eu me senti num barco a velas, à deriva. 

Os espelhos agora descobertos mostravam que o mundo invertido não nos mostra muito mais do que o tempo em modo rewind. Não pensavam em outras formas de vida ou até mesmo um jeito de quebrar o formato padrão de vida. Em termos mais tenebrosos, findar a necessidade e manutenção da escravidão humana.

Um nome, um véu, negro, ainda, porém, ascendia na janela do sexto andar, sozinho em meio ao ar atmosférico. A causa mortis não revelada criava todo o processo de regressão onde as lembranças se tornavam perturbadoras. Seres de pernas longas e corpos esguios, cabeças grandes e dedos compridos. Ambos jogavam Xadrez numa tarde de inverno no parque da cidade, algo que lembrava hora o Central Park, hora a Red Square... Num jogo totalmente amigável até que a torre foi tomada, trazendo certo ar de angústia de um lado e vingança de outro. Neste momento, via-se o Kremlin ao fundo. 

Uma rainha deposta após o sacrifício da torre, tornou o reinado bem mais complicado, agora em vermelho, puro sangue contrastava a neve que caía em Moscou.


O rei manteve-se em seu lugar até que a força o remeteu para baixo.


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