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Mostrando postagens de março, 2020

A necessidade do brilhantismo nos tempos atuais

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Nos dias atuais as pessoas tem a necessidade de se destacar intelectualmente, por motivos obscurecidos pelas próprias. Vemos isso em discussões em bares, em discussões nas redes sociais, em debates em faculdades e afins. Alimentar o ego é de fato algo que a sociedade hoje precisa (e sempre precisou), os indivíduos, financeiramente falando, já possuem a maior parte das coisas que almejam e as que não podem ter são de fato inalcançáveis a sua classe, ou seja, se tem carros, apartamentos, casas e todos os tipos de penduricalhos possíveis. O dinheiro que se ganha com o trabalho formal ou informal acaba por ser consumido pelos eletrônicos, planos de assinatura de aplicativos e afins. Salvos os desempregados e pessoas de baixa-renda que não possuem de fato o poder aquisitivo para o consumo que abrange grande parte da população. O fato que desejo expor é mesmo o da expressão que se faz de título ao texto, “a necessidade do brilhantismo nos tempos atuais”, e me baseio nos contatos nos quais ...

A lama

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Em mais um dia como em um terreno frio, como se estivesse tocando a lama fria nos pés, no fundo de um rio nas montanhas geladas, aquele que te faz observar a vida toda num piscar de olhos e nada daquilo parecia fazer sentido a não ser a sobrevivência. A relação em que se observa ao relento, jogado no fundo de um rio como uma pedra que estará ali, estática por anos e anos e anos... Parece tão cruel quanto uma corda que entrelaça e sufoca ou como uma faca que invade e desobstrui a vazão dos fluidos vitais. A sobriedade de um ser que se deslumbra com o mundo é tão incrédula quanto o ser que se arrasta pelo mesmo e se afoga nos horizontes de um céu escuro em plena luz do dia. O monstro não o persegue, ele mesmo o é e todos os dias de uma vida viverá a sombra deste que vive dentro de si, ao mesmo clarão de sobriedade que o mundo as vezes o faz pensar que talvez tenha uma esperança, me trazendo a ideia da equilibrista que no primeiro deslize se faz uma força desumana para se manter e...

60 segundos

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O vazio toma conta e o corpo age por impulso, ele pulsa, ele vive, já a cabeça não faz nada além de pensar o tempo todo em acabar com a dor, mas, que dor é essa? De onde vem e para onde vai? Daqui do alto deste prédio de onde escrevo talvez minhas últimas palavras dá pra ver um mundo acontecendo como um grande formigueiro, olha ali, acabou de passar a mãe com o filho no colo, os carros transitam de forma tão pouco sincronizada que me arranca um riso amarelo que talvez poucos entendessem a graça disso tudo. O telefone toca insistentemente, vibra, como se eu fosse a última esperança de alguém e eu sei que não sou, eu sei que as pessoas se apegam às outras e que com um passe de mágica elas deixam de existir, está no grito, está no não se importar, está na empatia que não parece ser utilizada dentro de casa. As velas daquele apartamento, daqui de cima da pra ver o casal que janta junto em um clima tão belo, dá pra sentir que a comida é simples, mas, ali o que importa é a companhia...

Two lost souls swimming in a fish bowl

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Foi na rodoviária daqui da cidade que a gente se abraçou pela última vez e até hoje eu guardo sua mensagem que mandou no dia 21 de setembro do ano passado, um Sábado e você estava indo almoçar, finalizou o contato pedindo pra eu mandar notícias enquanto eu iniciava uma apresentação de teatro infantil, realizando a sonoplastia e a iluminação do espetáculo. Foi na mesma semana que eu soube do seu acidente e que de alguma forma nos deixou. Hoje eu penso em você como alguém que fez o melhor que pode por todos nós e que partiu fazendo o que mais gostava. Para alguns, inclusive para mim, você sumiu no éter, é como se você ainda estivesse nesta viagem na qual nos despedimos na porta do ônibus que se destinava a São Paulo. Engraçado que quando eu soube que você tinha caído de bicicleta, eu ri muito pois, tudo entre nós era motivo para gracinha, para gargalhadas, qualquer que fosse o momento e claro que eu não imaginava o quão sério havia sido, até que o tempo passou e tudo foi ficand...