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Mostrando postagens de 2022

Tous les Jours - 05

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 O Juca era verdadeiramente um cara bem viajado, tão viajado que em uma dessas conversas de balcão deixou escapar uma de suas viagens pela Ásia, logo no início, quando decidiu viajar por conta de um intercâmbio para a China. Fez faculdade e etc, o cara não era fraco não. Ele contava: - Por vários dias passei sozinho andando por aí, a capital chinesa, Pequim é pra lá de variada e tem muita gente andando pra lá e pra cá, o modo asiático de vida é meio controverso, eles fazem praticamente as mesmas coisas que os americanos e se dizem comunistas. O Léo gostava dessas conversas, viagens e etc. Ele só não se abria muito quando a conversa era sobre mulher, o moleque comia quieto, bem quieto. Enfim, questionava: - Mas lá era muito frio? Juca respondia: - Acho apenas que o inverno é um pouco menos rigoroso que em algumas cidades que o inverno é mais forte, como Vancouver ou Cleveland, mas, claro que quem não gosta de uma friaca, que procure uma cidade mais ao sul, o litoral é feio...

Um manifesto

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pelas almas que passam a vida inteira entregues ao acaso de se perder em meio ao mundo. Deleitem-se ao menos do prazer de carregar consigo mesmos seus medos, angústias e atrevimentos. Levem suas lições e assinem suas próprias sentenças. O mundo é hostil, é inóspito, o oxigênio que nos dá a vida é o mesmo que aos poucos a tira. A natureza não é amiga, somos parte dela e de sua cadeia alimentar. As pessoas são sacanas, são safadas, é de natureza do ser humano levar vantagem em tudo e são pouquíssimos os casos dos que se eximem desta culpa. A maior parte destes vive sob as sombras do próprio egoísmo e do mal que faz pensando apenas na própria sobrevivência. A todo momento extraindo tudo o que a vida pode fornecer e quanto mais fácil, melhor. A noite é dos coiotes e só sobrevive quem de fato se encarrega de fazer parte da matilha ou se arma contra estes que procuram a carniça. Ainda que na matilha, sabemos que a moeda de troca nunca será a lealdade. No mundo de hoje, depender apenas ...

O trago

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 Ao mesmo tempo A brasa sustenta Regida pelo vento Naquele que se ausenta   O cais de américa se finda A fragata se adentra Um oceano se centra Num destino que em sua vinda   Trás-os-Montes da Lusitânia Agrava os perigos dos mouros Em harmonia Aos tolos   Pobres dos que carregam Um destino incerto D’onde se entregam No exceto    Inocentes morrem O cigarro se apaga O frio se torna ad valorem Nos pulmões de quem traga   Para tal derrota É preciso astúcia Ao som da rôta Ao passo da renuncia   “As gaivotas pairam no céu tocando o oceano em seu desígnio de perpetuação. O Sol se põe ao longe enquanto as embarcações parecem sumir no horizonte. Estou num cais, como quem parte. Olhando o mar, como quem fica.” Vom Krystie McDonnadan

Mallevs Maleficarvm

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A li parado, observando o buraco negro a uma distância segura, observei que a anomalia ocorria no deserto de eventos. Alcançar o centro, para nós humanos, era de fato algo irreal, feria a nossa consciência, dignidade e moral. Seria um lançamento no desconhecido com a consciência de que o retorno jamais existiria. Arremessar-se contra aquele que era visto, porém desconhecido, foi apenas uma ideia impulsiva, que foi cumprida com sucesso. O mundo é sufocante dentro do vórtice, do vácuo, os sons estridentes dentro de sua cabeça podem parecer cada vez mais altos e quando se percebe são seus neurônios que estão em plena combustão. Seus ouvidos não sangraram pois não havia pressão suficiente para que o sangue escorresse para fora. A cabeça parece querer sucumbir ao abismo enquanto os novos espectros são capturados pela gravidade, as ondas de rádio vieram de muito longe e percorreram o espaço através dos ecos que perduraram por bilhões e bilhões de anos entre idas e vindas do tecido escuro. A ...

Toronto

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  Eu queria dizer uma coisa breve, nunca foi meu plano te deixar. Você com seus transeuntes que nunca param de andar, é natural, é fria, é calma e é tranquila. Toronto é de longe o melhor lugar que já estive, é onde me sentia bem no meu trabalho, me sentia bem em relação às pessoas tanto no tratamento para com os estranhos que pediam informação quanto na rispidez de outros que chegaram de outros países ainda crus e cegos pelo seu instinto de sobrevivência. Suas ruas são convidativas e nos fazem querer conhecer cada pedacinho, tanta coisa para se ver, tanto a se descobrir dentro de sua excentricidade do nascer de um dia ao nascer de outro dia. Andar pelo cruzamento da Yonge and Bloor, ouvir ao longe Del Barber em sua musica lançada em 2014, Big Smoke. “Cegos pelas luzes da cidade Cego pelas luzes da cidade ninguém pode ver você parando. Faz tanto tempo desde que você viu as estrelas da pradaria e você não tem certeza de que pode lembrá-los, mas há algo aqui para você encontrar”....

A Fobia e o Decreto

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E ra mais um dia de sol, com aquele vento frio que soprava entre as frestas da janela e adentrava os pulmões já dissecados pela química de um cigarro. O trago absorvia o peso dos dias enquanto arrancava a tosse lá do fundo, até mesmo o agasalho exigia um pouco mais de conforto àquele que mal vestia, mal cabia, era tanto a se cobrir que o tecido já não se suportava, as tramas hora fechavam-se e hora abriam, o tecido respirava e transpirava o álcool que restava naquele corpo que buscava calor e os fantasmas apareciam buscando ajuda onde todas as entrelinhas já estavam tão expostas quanto a febre. Arritmia e condensação precipitavam diante do crepúsculo que se fazia presente por entre as arvores e torres de energia. As linhas tinham um ponto de inicio e final, o horizonte calmo e sereno denunciava a tormenta que se avizinhava no meio fio da calçada. As paredes de tijolos corroídos pelo tempo tinham data indefinida para se render a erosão e todo o processo de deterioração mundano. Ali se...