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Mostrando postagens de 2011

Galáxia - Parte 1

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O mundo acabava diante daqueles olhos, passando pelas pessoas que corriam na direção contraria, ele admirava o meteoro rasgando os céus entrando em combustão ao se chocar com a atmosfera.  Percebia o desespero das crianças, agora sem um futuro, mas ao mesmo tempo não se sabia do presente. Observava o sol, que não estava tão claro, o brilho não ofuscava os olhos, pois estava coberto pela fumaça da padaria em chamas. Saqueadores passavam pelos estabelecimentos levando o que podiam carregar e mal sabiam que nada poderia suprir as necessidades fisiológicas, filosóficas, filantrópicas. As águas do mar atingiam alturas indefinidas, gigantes apenas. Não era ressaca, servia-se mais uma dose ao senso popular de que a vida é frágil, dolorosa... O absinto de cor fluorescente florescia por entre as montanhas, construíram um abrigo temendo o pior, como se algo pudesse piorar. Uma série de furacões formava-se no horizonte, seria a ligação entre céu e terra (para não dizer, céu e in...

Ponto de vista

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Despiu-se Atingiu o ápice A depressão atingiu o ser No meio daquele longínquo neurônio O choque desfez Aquela que nada supunha Assistindo ao vivo e a cores O fim daquela novela com um triste desfecho O suicida antes de pôr fim a própria vida Defendeu-se daquela que não permitiria o feito Refém da própria sorte Ali, viu seu escape Caiu nas graças do desconhecido Não via meios de prosseguir Uma bala num coração Outra no próprio cérebro Crime passional.

Radioativo

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Erguiam-se as mãos para um ultimo suspiro, desejando a morte rápida e indolor. Incolor como o pior veneno, todos procuravam manterem-se os mesmos e assim tornavam-se inevitavelmente intocáveis. Havia uma fenda naquele muro. Do outro lado era claro, mas ninguém se atrevia a atravessar a linha de fogo.   Como explicar aquela fuga de massas, o êxodo era impossível, o ar irrespirável. Calma, ferro e fogo. Explodiam os tambores de combustível. O cenário fumê dos incêndios nos campos de concentração. Campos onde a neve clara se confundia com os rostos daqueles que não abriam os olhos. Jamais os utilizaram, não os possuíam. Em sobra, na sombra, pela escuridão. Assemelhavam-se aos animais, sem pelos, sem olhos, com dentes afiados, amarelados. O vermelho que enchia de pavor. Cheiro de sangue, ferroso e doce como tal. Experimentava pela primeira vez a luz, a mesma que abria a mente daqueles que permaneciam trancados dentro da radioatividade do reator abandonado. Eram seres...

Night Sky

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Olhando na janela daquele quarto escuro, David não sabia se as estrelas apenas brilhavam tão distantes ou se eram pequeninas, confundia as mesmas com os aviões que passavam no céu com suas luzes vermelhas e brancas. O menino de apenas 5 anos chamava seu pai para perguntar o porquê daquelas estrelas se moverem tão rapidamente e ao mesmo tempo piscarem com aquele barulho todo.  Ascendia aos céus o Sol daquela manhã de Domingo, David estava debruçado na janela observando o os pássaros que passavam por ali em vôos cada vez mais perto do telhado. Aquela pipa que estava fazia dias na antena do vizinho, ninguém deu conta que a mesma não se soltaria, a linha formava um varal por entre as casas. Seu pai, que não vieram naquela noite, não viria. David era filho de mãe solteira, largada, o pequeno menino nem ao menos conhecera seu pai. Mas ainda convivia com a idéia paterna que sua mãe exercia sobre tudo. Viviam juntos, como poderiam ser.  O tempo passava e aquele menino nã...

Golden Gate

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Alcançar o céu já não era o bastante. Queria o infinito, buscava o encontro entre os deuses. Suas asas negras lembravam as de um corvo, voaria cada vez mais alto até que a pressão não mais fosse leve. Sentia a fumaça sair de sua pele, o horizonte cabia em seus olhos e uma lagrima escorria. Assimilando ao dia em que partiu daquele lugar rarefeito. Ainda sujava o céu, seria apenas um ponto negro enquanto caia. Não suportando a atmosfera, explodindo como um cometa sua cauda reluzia o fogo que saia de sua boca. O sopro do dragão inflamava seu corpo. Ainda em chamas arriscando um pouso forçado, rompendo as barreiras do som, criavam-se as nuvens juntamente aos estrondos. A água ainda imóvel recebia seu corpo em formato de pedra, rígida, inflexível... Seus membros deslocados, as asas destruídas pelo fogo apagado pela água. Não sabiam ao certo o porquê daquele fim, o sofrimento contido a fim de libertar-se, sem motivos a ser analisados, sem questões a levantar. Daquele mome...

Código de Barras

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A fortaleza caiu a meus pés, ao ver aquelas pessoas caminhando no mesmo rumo senti um leve tormento. Minha cabeça pensava, passava do ponto, às vezes, o sol batia no chão refletindo um milhão de cores entre as flores de plástico e coroas. O solo arenoso e venoso se mantinha até o muro que findava aquele terreno.  As pessoas eram identificadas por silhuetas e feixes de luz. Naquele dia o sol ainda se punha e as pessoas me olhavam com um ar de tragédia, cerrava os olhos a fim de escurecer a imagem, nada ali ainda era visível, ofuscado pelos últimos raios me escondi por trás de meus óculos escuros. Sono profundo, ainda escuta aquela cantiga de ninar e não dorme, com medo de que ela pare. Para fechar os olhos somente quando o peso das pálpebras não se faz mais por onde se agarrar, uma lagrima que caía durante o percurso que se criava naquele rosto pálido. Faltava algo, faltava alguém. Aquela musica começava a fazer sentido, escutando algumas crianças cantando em cor...

Papo de Elevador - nº 4

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Naquela telinha do lado de fora (aquela telinha digital onde se sinalizam os andares) no térreo, podia-se ver os andares quatro, cinco e seis se revezando, quarto andar... Quinto andar... Sexto andar e descia para o quarto novamente, subindo ao quinto e para o sexto outra vez. Dona Clementina olhava para aquilo e batia o pé no chão, esperando que o elevador viesse ao térreo ou que o mesmo caísse no fosso com o autor daquela proeza. A velhota não agüentou mais, memorizou os andares, subiu pelas escadas e parou no 4º andar, tinham uns cinco metros que a separavam da porta do elevador e logicamente do mal-feitor daquela brincadeira. As portas se abrindo, ela pôde ver o braço do Silva  (o faz-tudo da empresa, geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da sexta, a mortadela da terça e passa o cafezinho todo santo dia. Há, ele também ganha pouco) , correu mais que podia com suas pernas já desgastadas pelo tempo de percu...

Portal

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Ela sentava-se na areia admirando o sol. As ondas ainda se quebravam nas pedras tornando um cenário digno de um amanhecer. O mar parecia calmo com as marolas que mal chegavam à praia, enquanto um avião riscava o céu azul com algumas nuvens se desmanchando com os ventos matinais. Era uma cena bonita, como aqueles cabelos negros que repousavam por suas costas bem definidas. Um olhar para o lado a fez perder um momento do sol que subia sem trégua, o vento levou aqueles cabelos a favor de seu rosto, balançou a cabeça a fim de retirar os fios que atrapalhavam seus olhos e o objeto que desviara sua atenção. Ela observava os carros passando pelas ruas que faziam fronteira com a praia, a divisão entre o urbano e o irreal, aquela praia não fazia parte da cidade assim como a cidade não fazia parte da praia, assim como ela não pertencia a nenhum mundo. Dificilmente saberia explicar qual o mundo que ela pertencia, talvez não fosse cidadã da vida mundana, talvez fosse a ultima sobrevi...

Carta

"Este é um texto pessoal, uma carta para alguém que está longe e que hoje resolvi sentir falta, me peguei com os olhos mareados numa conversa que tive com um amigo." Araraquara, 29 de Setembro de 2011. Elderzinho (era como eu te chamava né?), bom dia. Sabe quando você não vê alguém por muito tempo e de repente você se dá conta que realmente faz tempo mesmo? E essa pessoa sumiu da sua vida e a única lembrança que você tem, muitas vezes está ligada a objetos? E no ultimo contato que tiveram foi simplesmente aquela coisa mais próxima, um ultimo abraço que você nem sentiu direito? Alguma coisa foi dita, algo como um volta logo. E não voltou logo, fez seis anos faz algum tempo, não sei se fizeram mesmo, talvez até sete já, levo em conta nossas idades para designar o tempo que está longe. Este mês se foi e você ainda não voltou. Eu sei, está tudo bem aí do outro lado e que um dia pretende sim voltar, rever nossos velhos, talvez tirar umas férias com e...

Conto de Fadas

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A princesa rejeitava o pobre príncipe, ele declarava seu amor por ela de várias formas e foi no dia em que ele comprou flores para ela que o bicho pegou: Trago-lhe flores, minha princesa mais bela... Flores? Nunca recebi flores, elas cheiram a culpa! Não são de culpa. São de quê? São de amor. Amor? Que amor? Você disse que eu sou a mais bela, isso quer dizer que você tem outras menos belas. E você deve ser fiel a mim e somente a mim. Que amor é esse? Calma, foi só modo de dizer o quanto você é bela, não quis dizer que tenho outras. Se não quis dizer, é porque tem. NÃO, NÃO TENHO! Não grite comigo, seu grosso. (ela chorava) Desculpe, é que você me tirou do sério dizendo esse tipo de coisa. Não desculpo. Ai Jesus... Jesus? Quem é Jesus? - (boquiaberta) - Você é gay? Foi somente uma expressão. Calma, não sou gay. E se fosse? Qual o problema? Você tem preconceito? Claro que não. Tenho amigos gays, o Romeu era gay, morreu de amor pelo pai da Julie...

Esperança

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Aquelas cores que se formavam no azul do céu daquela cidade extremamente poluída, tornava o céu um tom de marrom meio vermelho. Na junção entre o firmamento e o horizonte revestido pelos prédios. Aquelas ruas extensas, onde as luzes vermelhas dos veículos reluziam o crepúsculo. Caminhar por entre as ruas, pontes e passarelas daquele sol que já se punha antes mesmo da hora do rush, era como enfrentar a vida e a morte num só momento. Voltar para casa era não só um caminho, mas uma missão. Indecisos se permaneciam na faixa 2, para seguir em frente ou então talvez a faixa 3 para sair da marginal, faixa 1 de segurança. Os motores exalavam aquele cheiro característico do catalisador e o perfume das rosas plantadas no canteiro daquela corporação multinacional mal era provado pelos que passavam por ali trancados e vedados em seus veículos com ar condicionado. O sol como dito, já estava posto, enjaulado, o frio já tomava conta dos corações e das saudades, os bares começavam a se enche...

Identidade Preservada

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Era passional seu modo de enxergar o mundo, seu desgosto pela vida tomava proporções catastróficas, todo aquele amor com que via um animal brincando com sua bola ou admirava as flores desabrochando no canteiro entre as ruas que iam e vinham. Não aceitava nenhum tipo de maus tratos tanto com a natureza ou com os seres que dela vinham. Aquele ser indígena caçava para viver, tirava seu sustento e somente seu sustento da terra. Matava sim os animais, para se alimentar. Cuidava da mata com sua própria vida. Protegia-se com sua mascara feita com tinta natural retirada do urucum. Mantinha seus olhos abertos contra qualquer ameaça à tribo. Cuidava para que nenhum predador se aproximasse. Caminhando pela rua entre os prédios de concreto, se sentia enclausurado, era o modo como via aquelas pessoas ao seu redor, uns vestindo seus melhores ternos, outras tinham roupas rasgadas, ele não tinha idéia do que se passava ali, uns atiravam moedas para alguns que estavam sentados no chão, estes ...

Adormecido

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Janelas abertas para que as estrelas observassem o sono perpétuo daquele que nunca adormecia, e que desta vez adormeceu. Aquele pedaço que existia, de alguém que não estava ali fez lembrar-se de uma manhã na qual foi dormir observando o sol, a claridade que batia na janela era algo bonito, tinha um desenho meio irreal, sorriu discretamente com uma lágrima que escorria de seus olhos. Sentiu o peso de uma saudade no peito. Observando sua imagem refletida no espelho entrou em declínio. Um turbilhão de sensações tomava conta de seu corpo, que até então não tinha idéia do que era capaz de sentir. Entrou em parafuso... Convulsões, epilepsia e AVE (Acidente Vascular Encefálico). A madrugada fria não tocava seu corpo, acostumou-se ao clima por querer. Era assim que aquele quarto vazio o esperava toda noite antes do sono não vir. Viria dias depois, acompanhado de uma leve dor de cabeça, uma dor que o paralisou. Mas não doía mais, não fechou os olhos aguardando o arremate, assistiu a cena abert...

Documentário Lisboa

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O amanha surgiu como na mais bela poesia de Camões, Lisboa já não era mais a mesma. Ao som dos bandolins, caminhávamos rumo ao porto. Navios cargueiros com suas rotas alteradas avançavam sobre a praia. Fora daquele momento, minha mente se partia em duas. Não sei se os navios de cristal que roubavam a cena. Três jovens brincavam no cais durante um espetáculo teatral que ocorria. Aproximei-me e já ganhei o chapéu desembolsando dois euros de minha carteira, vi o ator sorrir de modo que pedisse que eu sentasse por ali mesmo. Elas pairavam no ar com suas cantigas e beleza inocente de crianças. Seus vestidos coloniais, roupa de gente simples, mas na capital portuguesa havia espaço para isso? Talvez alguma festa folclórica. Aquele ator viu que não prestava atenção em sua cena (realmente não prestava), ele se colocou em minha frente, estendendo a mão, pedindo para que eu fosse até o palco improvisado participar da atuação. Ele estava vestido de arqueiro entregando-me uma maçã. Entendi logo a ...

Adormecer

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Definindo ainda as partes do corpo que se moviam no modo automático, tudo era tão mecânico quanto um motor sem partida elétrica, desde a respiração que acompanhava o movimento do peitoral, até mesmo o diafragma que impulsionava o processo. Os músculos sentiram aquela dor, cada pedaço cada fibra. O estomago gelava e não sabia por que. Estava pesado se remoendo, contorcendo, barulhos estranhos e sem significado exato. Aquele gosto amargo na boca não era sua culpa, o fígado que cheirava à ressaca, a dor era interna. Um turbilhão de sentidos, diziam os termos científicos, existirem apenas cinco, ah... Tão pouco, para tudo aquilo. Uma leve brisa acalmava o que se sentia. Mais em cima, havia um ser que batia compassadamente, mas no descompasso é que embriagou a maquina maior. Surgiram vertigens, tonturas e uma série fatores que normalmente são feitos de silêncio e sombra. Os batimentos acelerados indicavam uma substância que faria com que a maquina explodisse em movimentos rápidos, mas sem...

Mais uma de Super-Herói... primeira parte

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Resolvendo por um fim à própria vida, uma garota no auge dos seus 13 anos, ao ver seu pai morto com três tiros na cabeça, desferidos por um policial. Seu pai era um advogado bom, mas como definir um advogado bom? “Advogado bom” é aquele que trabalha com a lei e não com suas brechas a fim de criar escapatórias para uma eventual punição. Porém, infelizmente, a lei não é cumprida por todos. Dr. Glover era seu nome, típico homem da casa, batalhava, sim, para um mundo melhor. Não abraçava causas que não cumprissem os bons costumes (como ele mesmo dizia). Não defendia bandidos nem se colocava em esquemas de corrupção, um homem íntegro. Naquele dia beijou sua mulher, Sra. Glover como era chamada (tinham este costume, o nome era dito somente aos íntimos, o que ainda não é o caso), chamou Sarah, sua filha, nunca se atrasava para o início das aulas e nem Dr. Glover para abrir o escritório ou para alguma audiência. Encontrou alguns amigos durante a audiência daquela manhã, a causa estava ganha,...

Papo de Elevador - nº 3

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O som que se ouvia naquele andar, era hora forró, hora samba e pagodinho... O Silva que era apenas o faz-tudo da empresa (geralmente o que varre, limpa, conserta, pinta, cava, tampa, sepulta, reza, dirige, busca as coxinhas da sexta, a mortadela da terça e passa o cafezinho todo santo dia. Há, ele também ganha pouco), se libertou desta vez, fazia um churrasquinho no banheiro feminino, sim no feminino. E ainda gritava:  - TEMOS BACALHAU ASSADO! A dona Clementina se revoltou ao ouvir bacalhau assado...  E nem norueguês era o bicho. Talvez fosse somente algum peixe bem salgado, que o próprio Silva preparou em sua casa, naquela mesma bacia onde tomava banho. O Silva realmente estava maluco, não só perderia o emprego, como de quebra seria torturado, molestado, morto, decapitado, “decapitulado” (sim, ele seria morto por capítulos, para não dizer “versiculado”, utilizando de uma bíblia). Dona Clementina não poupou esforços, correu até a sala do manda chuva, no 5º andar e já entr...

"SocioPolitizado"

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Matinal. O sol nascente. A lua com sua noite se desfazia. As estrelas tão longe, não sabiam ao certo como não conseguiam se desfazer. Talvez tão pequenas ou talvez tão brilhantes. O som das correntes que aprisionava o mar em volta daquela ilha de imensidão. O sofrimento daquele povo acordava todos os que estariam em volta. O mar chegou, infindável com suas caravelas. O índio, despido, sofreu com a nudez. Enquanto o descobridor ao lançar suas teses e idéias em sua língua nativa. De nativo, só os índios que sofriam com aquele descaso. Matavam cavalos, pensando ser o europeu uma espécie de monstro com duas cabeças. As caravelas atracadas no mar aberto assistiam aquela cena de horror. O mar, coberto de sangue. O nativo morto na areia. O descobridor lanchava na sombra e água fresca. As índias não foram descobertas. As mulheres estupradas. A verdade deturpada. O Sol queimou de raiva. Naquele dia que a lua se escondeu de vergonha.