Galáxia - Parte 1


O mundo acabava diante daqueles olhos, passando pelas pessoas que corriam na direção contraria, ele admirava o meteoro rasgando os céus entrando em combustão ao se chocar com a atmosfera.  Percebia o desespero das crianças, agora sem um futuro, mas ao mesmo tempo não se sabia do presente.

Observava o sol, que não estava tão claro, o brilho não ofuscava os olhos, pois estava coberto pela fumaça da padaria em chamas. Saqueadores passavam pelos estabelecimentos levando o que podiam carregar e mal sabiam que nada poderia suprir as necessidades fisiológicas, filosóficas, filantrópicas.

As águas do mar atingiam alturas indefinidas, gigantes apenas. Não era ressaca, servia-se mais uma dose ao senso popular de que a vida é frágil, dolorosa... O absinto de cor fluorescente florescia por entre as montanhas, construíram um abrigo temendo o pior, como se algo pudesse piorar.

Uma série de furacões formava-se no horizonte, seria a ligação entre céu e terra (para não dizer, céu e inferno?). A linha tênue entre os planaltos e planícies, cânions... Fazia o pacto divino com os seres do obscurecido vale, criado a partir do colapso que o terremoto causou.
O fim estava próximo, mas não poderia ser no mesmo instante.

Cenário de horror para quem sobrevivia naquele momento.

O astronauta em missão espacial observava aquilo numa visão privilegiada. Recebia chamadas em questões de locais para abrigar líderes mundiais que adorariam compartilhar daquele momento, prometiam mundos e fundos. Alguém até deu a ideia de povoar a Lua, mas ele apenas deixou o telefone fora do gancho. Ele não queria ninguém ali enquanto assistia a devastação sentado na asa do foguete. 

Mantimentos e abrigo. Ali, estava a salvo por um bom tempo.


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